Abrafati 2013: Inovações tecnológicas respondem às demandas por eficiência e qualidade

Química e Derivados, Abertura solene do maior encontro do setor na América Latina
Abertura solene do maior encontro do setor na América Latina

Durante três dias, os participantes da Abrafati 2013 tiveram a oportunidade de encontrar inovações tecnológicas e fornecedores de insumos, os mais diversos, para modernizar e aprimorar a produção de tintas e vernizes. Neste ano, com área ampliada, o conforto aos palestrantes, congressistas, expositores e visitantes registrou melhoria sensível. Nem mesmo o exíguo, embora ampliado, pátio para estacionamento de veículos chegou a causar incômodo.

A associação do congresso com a exposição de produtos e serviços atraiu interesses de toda a cadeia produtiva, dos laboratórios à produção, sem deixar de lado os setores comercial e administrativo. Nos corredores e estandes, as conversas variavam entre assuntos técnicos diversos, comportamento de mercado e, até mesmo, a decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), favorável aos embargos infringentes em ações penais de competência originária dessa corte, prolatada na quarta-feira, 18 de setembro, para desgosto da imensa maioria dos presentes.

Essa diversidade de temas reflete a maturidade do setor, que se preocupa com as decisões macroeconômicas tomadas pelos agentes estatais tanto quanto com as pressões de cunho ambiental e a oferta asiática de novos equipamentos e insumos químicos. Do bom equilíbrio entre os diversos fatores envolvidos, depende a sustentabilidade da indústria.

Química e Derivados, Ferreira: setor obteve avanços notáveis entre 1989 e 2013
Ferreira: setor obteve avanços notáveis entre 1989 e 2013

“Verificando os anais do nosso primeiro congresso, em 1989, parece que estávamos na idade da pedra”, comentou Dilson Ferreira, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati). “De lá para cá, a evolução do setor foi muito acentuada, com o apoio do congresso e da exposição: hoje temos normas técnicas de qualidade, responsabilidade social e sustentabilidade”, afirmou.

Em 1989, o Brasil começou a abrir sua economia, depois de quase 20 anos de restrições às importações. Uma vez aberta a porteira, o fluxo reprimido de desenvolvimentos mundiais engrossou. Com o passar dos anos, a distância com os países desenvolvidos encurtou e também o impacto das novidades apresentadas. “Os desenvolvimentos técnicos e científicos atualmente são feitos aos poucos, de forma incremental. Os grandes saltos tecnológicos demoram até 30 anos para acontecer”, rebateu Jorge Fazenda, coordenador do comitê científico da Abrafati, às críticas de alguns congressistas quanto ao tom “mercadológico” de algumas apresentações. Mesmo assim, ele apontou novidades expressivas nos aditivos para formulações de base aquosa de alto desempenho.

O fundador e patrono do congresso (do qual decorreu a exposição), Ernst Blumenthal – antigo proprietário da Tintas Globo, parte da qual hoje está com a Sherwin-Williams e a outra parte, de pigmentos, com a Lanxess – prestigiou o encontro setorial. Não perdeu a oportunidade de assistir à apresentação da divisão de pigmentos da Lanxess, que trouxe informações sobre a nova fábrica da companhia em construção na China (em Ningbo), no processo Penniman, com ácido nítrico. “No passado, pensamos em produzir pigmentos vermelhos com esse método em Porto Feliz-SP, mas desistimos por causa da liberação de óxidos nitrosos e de nitrato de amônia”, comentou. “Fiquei curioso para ver como eles lidarão com isso.”

Química e Derivados, Fazenda e Blumenthal (direita) ressaltam a qualidade técnica do congresso
Fazenda e Blumenthal (direita) ressaltam a qualidade técnica do congresso

“Seguiremos todos os requisitos ambientais necessários”, comentou Nitemar Vieira, coordenador do centro de competência de pigmentos da Lanxess para a América Latina. Em sua palestra, ele apontou um mercado de 960 mil t por óxidos de ferro sintéticos em 2011, aos quais se somam outras quase 200 mil t de óxidos naturais. Essa quantidade dos sintéticos é direcionada mundialmente para a construção civil (48%) e para a fabricação de tintas (26%). A Lanxess atende a quase 30% da demanda global pelo pigmento, com fábricas de síntese na Europa, Brasil e China (Xangai, além de Ningbo, em construção). O coração do negócio fica em Krefeld Uerdingen, na Alemanha, que produz óxidos de ferro há 86 anos.

Em seguida discorreu sobre os métodos mais usados de produção de óxidos sintéticos, Laux, precipitação e Penniman, além do pouco usado Cooperas (a Lanxess não o emprega em nenhuma de suas unidades). “Os chineses usam o Penniman porque ele permite produzir pigmentos vermelhos com tonalidade limpa, conseguindo fazer o vermelho amarelado claro, impossível de alcançar com o Laux”, explicou. Mas os produtores chineses têm problemas com a emissão de óxido nitroso e com as águas residuais, ricas em nitrato de amônia, que funcionam como fertilizantes para as algas dos rios e lagos, causando problemas ambientais. “O processo precisa ser muito bem controlado e ter tratamento adequado dos efluentes”, explicou.

A fábrica do Parque Químico de Ningbo receberá investimentos de € 55 milhões para produzir inicialmente 25 mil t/ano, com partida prevista para o primeiro trimestre de 2015. Os pigmentos Penniman complementarão a linha da companhia, baseada no processo Laux. A Lanxess possui outras unidades instaladas na área, que contribuirão com insumos e infraestrutura operacional.

Química e Derivados, Lacerda: mão de obra cara puxa as vendas de tintas de uso fácil
Lacerda: mão de obra cara puxa as vendas de tintas de uso fácil

Mercado preocupa – A indústria de tintas trafega no Brasil com o sinal amarelo ligado. “O maior problema, hoje, é a total imprevisibilidade para se fazer negócios no país, pois há muitos fatores oscilando ao mesmo tempo, como a taxa de câmbio e a inflação, com fortes impactos sobre os volumes e a rentabilidade do setor”, afirmou Antonio Carlos Lacerda, presidente do conselho da Abrafati e vice-presidente da Basf na América do Sul.

Ele espera que o setor de tintas apresente um crescimento neste ano de um ponto percentual acima da variação do PIB. As previsões do governo federal apontam para um crescimento da economia nacional de 2,5%, mas há quem não espere mais que 2%. A recente decisão do Federal Reserve dos EUA de manter a política de incentivos econômicos naquele país acalmou a cotação do dólar no Brasil e, com isso, reduziu a pressão sobre o preço dos insumos consumidos pela indústria de tintas no país. Pelo menos por enquanto.

Lacerda aponta outros componentes da estrutura de custos setoriais como problemáticos. “Desde 2004, a cada ano os salários pagos no setor são reajustados em dois pontos percentuais acima da taxa anualizada da inflação, a indústria não suporta mais esse aumento”, afirmou.

O alto nível de endividamento das famílias brasileiras (acima de 40%) sinaliza que os consumidores podem encontrar dificuldades para comprar tintas no futuro. Isso é fundamental, pois as vendas de tintas decorativas respondem por 63% do total no Brasil. Em escala global, esse número se limita a 49%, indicando melhor distribuição das vendas.

Nesse quadro, o presidente do conselho recomenda à cadeia produtiva desenvolver insumos mais sustentáveis, com melhor custo/benefício e também capazes de aumentar a flexibilidade da produção, com maior variedade de produtos finais. “O setor como um todo precisa ser mais eficiente, fazer certo desde a primeira tentativa, reduzindo custos e desperdícios”, defendeu. Matérias-primas bem especificadas e de qualidade homogênea ajudam muito a alcançar esses objetivos.

Lacerda também observou que o custo de mão de obra na pintura é crescente. “Até há alguns anos, o que se gastava com o pintor era o mesmo dispendido na compra das tintas para pintar uma casa; hoje o pintor custa cinco vezes o valor da tinta, e tende a ficar mais caro, chegando a vinte vezes”, salientou. Com isso, a cada ano, mais consumidores fazem eles mesmos a pintura de suas residências. Daí a importância de a indústria adaptar seus produtos para o pintor não profissional, oferecendo tintas mais fáceis de manipular e aplicar, e com baixo odor.

Acompanhar as demandas de mercado é obrigação da indústria, que incentiva o desenvolvimento tecnológico de toda a cadeia produtiva. “As tintas vendidas no Brasil são diferentes das vendidas na Europa e nos Estados Unidos; como serão as tintas do futuro? Isso dependerá da disponibilidade de insumos e do seu preço no Brasil”, disse. “É fundamental, porém, eliminar a presença do chumbo em todas as tintas que fabricamos.”

A necessidade de novos insumos para a produção de tintas impõe aumento de importações. “O país ficou muito tempo fechado e produzir químicos por aqui atualmente não está sendo vantajoso, mas, se o mercado local crescer, é possível que surja oferta local no futuro”, comentou.

Ciência e tecnologia – O mercado mundial de tintas caminha na direção de revestimentos de menor custo, maior desempenho, feitos de materiais renováveis, sem emissão de compostos orgânicos voláteis, nem materiais que representem algum risco à saúde humana ou ao meio ambiente, além de agregar funcionalidades, como capacidade de autolimpeza e reparação de riscos eventualmente produzidos. Essa visão foi apresentada por Jamil Baghdachi, professor de polímeros e tintas e diretor do Coatings Research Institute, da Eastern Michigan University, com experiência de mais de 22 anos em grandes companhias internacionais do ramo, durante a plenária do dia 18 de setembro.

O especialista revelou que algumas dessas características já estão disponíveis aos interessados, mas outras ainda estão sendo criadas pela ciência e precisarão ser adaptadas para ter uso prático nas formulações do setor. “A tecnologia é a ciência adaptada para uso prático”, comentou.

Esses desenvolvimentos são as respostas às pressões do mercado consumidor, gerando três grandes desafios: comportamento da economia mundial, a multifuncionalidade e a sustentabilidade. Produtos multifuncionais representam um grande avanço na redução de custos tanto na fabricação das tintas quanto na sua aplicação e na energia consumida em todas as etapas.

Baghdachi salientou que os bens materiais que usam polímeros e revestimentos representam um mercado mundial estimado entre US$ 3,5 trilhões e US$ 4,0 trilhões por ano. As tintas e vernizes aplicados a esses bens somam em torno de US$ 87 bilhões, uma pequena porcentagem do valor final dos itens protegidos. “As tintas estão por toda a parte: imóveis, carros, latinhas de bebidas, computadores, entre outros”, disse.

Ele classifica as tecnologias emergentes em: desenvolvimento de materiais, processos e mudanças de mentalidade. Em geral, o mercado tende a resistir à inovação, mas depois a adota e passa a estimular seu aproveitamento mais amplo, com novos desenvolvimentos. As novas tecnologias abrem caminhos para novas oportunidades de negócios, porém elas decorrem da combinação adequada de inovações com as práticas e materiais existentes.

Um exemplo citado por Baghdachi são as tintas estratificadas, capazes de realizar com um só produto as funções de primer, fundo e acabamento. A tinta é composta por diferentes polímeros, que se segregam após a pintura, formando camadas distintas, porém firmemente aderidas pela formação de ligações químicas na interface dessas camadas. “Ainda temos problemas a resolver, como a adesão entre camadas, compatibilidade entre os meios, pigmentação, por exemplo, mas é uma tendência importante, capaz de reduzir custos”, explicou.

Outra possibilidade, esta já mais avançada, diz respeito às tintas que geram revestimentos autorreparáveis (self healing), que fazem desaparecer riscos causados sobre a superfície pintada. Uma possibilidade para isso é a colocação de resinas reativas encapsuladas, que permaneçam inativas no filme seco. No local do dano superficial, o contato com a água desencapsula o material, que formará novo filme no local. Outra forma é a adição de pequenas quantidades de um copolímero de eteno-butadieno (o Supra B, da Suprapolix), com muitas pontes de hidrogênio. Esse material tem uma capacidade de se recompor rapidamente quando cortado ou divivido, conferindo essa função à tinta aditivada. Também as nanopartículas oferecem sua contribuição ao self healing. “Todas essas opções têm oportunidades, mas também representam desafios para atender às necessidades de mercado”, completou.

Química e Derivados, Matera: estrutura local pronta para atender clientes exigentes
Matera: estrutura local pronta para atender clientes exigentes

Novo nome – Formada em abril de 2013, com faturamento anual estimado em US$ 1,5 bilhão, a Allnex consolidou os interesses da Cytec em tintas e vernizes, vendidos para o fundo de investimentos Advent, também controlador da Oxea (com a parte de solventes oxigenados que pertencia à Celanese).

“Estamos operando no Brasil com as nossas quatro divisões de negócios: produtos curáveis por UV/EB, tintas em pó, reticulantes melamínicos (para OEM automotiva), e resinas líquidas e seus aditivos”, informou Alberto Matera, diretor de vendas para a América Latina das duas primeiras divisões citadas. “Temos uma participação muito importante no mercado, construída em mais de 20 anos de trabalho na Vianova, UCB, Solutia e Cytec.”

Matera identifica uma demanda ampliada e forte, oriunda do aparecimento da nova classe média brasileira, embora fortemente direcionada a preço. “Isso está empurrando o mercado brasileiro para as commodities e muita gente quer disputar esses pedidos”, afirmou. A Allnex busca uma posição diferenciada. Em cura por UV, na qual predomina a demanda pelo setor de madeira e vernizes de impressão, a empresa também oferece produtos para aplicação sobre vidro, plásticos e outros materiais considerados difíceis, além de oferecer formulações de base água. Para as tintas em pó, também busca nichos de mercado que se interessem por alto desempenho, em especial autopeças, linha branca de eletrodomésticos e acessórios arquitetônicos. “Esses nichos são mais lucrativos”, salienta Matera.

Essas demandas mais técnicas exigem trabalho de desenvolvimento, realizado pelo laboratório da companhia em Suzano-SP, onde funcionava a fabricação local. “Essa fábrica foi fechada porque era antiga e seu custo de produção estava muito acima do global”, comentou Matera. Os produtos, portanto, são todos importados, com pessoal local para vendas e suporte técnico. “Estamos reforçando nossa estrutura, a negociação com o fundo Advent é recente, a aquisição foi em abril, mas o nome Allnex só apareceu em junho, depois de um trabalho internacional de branding”, informou. Ele comentou que a produção local, embora mais cara, vale a pena em alguns casos, pois existem barreiras tarifárias e as flutuações cambiais podem ser problemáticas.

Apesar disso, a empresa veio com força para a Abrafati 2013, apresentando nove palestras e dois pôsteres. “Fizemos o primeiro lançamento mundial aqui no congresso, somos uma companhia totalmente voltada para coatings, não podíamos perder essa oportunidade”, salientou. Matera destacou desenvolvimentos para madeira e embalagens.

Atraiu interesses a aplicação de uma resina acrilada curável por UV para o acabamento de pisos de concreto de alta resistência química e a riscos. Um verniz de base água ou 100% sólidos é aplicado sobre o piso e um carrinho com um emissor de luz UV promove a cura, instantaneamente. “Em minutos o piso está pronto para ser usado, com grande economia e alta durabilidade, servindo tanto para pisos novos quanto para manutenção”, explicou. Esse sistema já é bem usado nos Estados Unidos, país onde existem vários formuladores. No Brasil, a Allnex já tem um formulador e prevê bons negócios com a tecnologia.

Anthony Carignano, especialista da Allnex, apresentou palestra sobre produtos que podem substituir os conhecidos oligômeros epóxi-acrilatos em revestimentos de embalagens de alimentos, uma tendência gerada com base nas legislações recentes na Europa e nos Estados Unidos, preocupadas em evitar contaminações com bisfenol-A. A empresa iniciou em 2008 a linha Ebecryl LEO (low extractable/low odor) de acrilatos para substituir os sistemas epóxi, ainda os mais usados em todo o mundo. Foram desenvolvidos também oligômeros de acrilatos com peso molecular mais elevado, capazes de dispensar a adição de fotoiniciadores.

Mais recentemente, a companhia identificou a necessidade de incluir produtos oriundos de fontes renováveis e também isentos de bisfenol-A. Entre os desenvolvimentos estão os derivados de glucitol, um derivado de açúcares, produzido nos EUA, França, China e Índia, com usos diversos, incluindo aplicações FDA. Estudos da Allnex demonstraram que acrilatos de glucitol apresentam baixa viscosidade, facilitando a aplicação, e alta reatividade, gerando revestimentos de alto desempenho, similares aos feitos de epóxi-acrilatos, com custos competitivos em flexografia, rotogravura, vernizes OPV e tintas diversas.

Biocidas – O uso de ingredientes para proteção das tintas contra micro-organismos teve destaque pela sua relevância e por uma novidade: eles também apresentam funcionalidades adicionais. A Ipel aproveitou a Abrafati para lançar um produto capaz de tornar a película seca repelente a insetos por um período mínimo de um ano, efeito desejável em cozinhas, clínicas e residências, dada a infestação de mosquitos que se verifica no país.

A empresa desenvolveu a série Ipel 6000, combinando óleos essenciais naturais com piretrinas e piretroides, para proporcionar efeito adicional repelente, com ação comprovada contra insetos rasteiros (baratas) e voadores (Aedes aegypti). Estão sendo estudadas composições sinérgicas entre os ativos, que podem ser fornecidos na forma microencapsulada, com liberação controlada. Esses aditivos não interferem nas propriedades das tintas aditivadas, como brilho, cobertura e cor.

Além disso, a Ipel lançou a benzisotiazolinona (BIT) em solução aquosa, mais adequada para as tintas modernas, que pretendem eliminar a emissão de VOC. “Até hoje a BIT só era fornecida em emulsão ou em solução com solvente orgânico; nós inovamos”, comentou o diretor Walter Piccirillo Pinto.

A suíça Lonza reforçou sua presença no Brasil com a compra da Arch, em 2011. “Até então, a empresa tinha tido uma atuação um tanto quanto intermitente no Brasil, mas agora estamos instalados e estruturados definitivamente”, comentou Fabio Couto Forastieri, gerente de negócios para a América do Sul. A negociação deu à Lonza acesso ao zincomadine (piritionato de zinco), biocida ativo contra bactérias, fungos e algas, tanto na lata quanto nos filmes secos. “O zincomadine é o ingrediente padrão para as tintas higiênicas, nós lançamos esse conceito no Brasil, pela Arch, há doze anos, mas só agora a ideia pegou”, explicou. Atualmente, as grandes fabricantes de tintas lançaram produtos para quartos de crianças e clínicas, com boa aceitação. Isso, segundo ele, segue o comportamento de mercado dos Estados Unidos e do Japão, com tendência de crescimento para os próximos anos.

Além do piritionato de zinco, também são oferecidos o piritionato de sódio e o de cobre (cupromadine). “O zincomadine e o cupromadine são usados como ingrediente antifouling em tintas para cascos de navios, com todas as aprovações internacionais do ramo”, comentou Forastieri. Ele informou que a demanda local está baixa, embora os estaleiros estejam repletos de encomendas, indicando que essa tinta está sendo importada em grande parte, ou os cascos prontos.

Química e Derivados, Machado (esq.) e Forastieri: protfólio vai além dos biocidas e está disponível no país
Machado (esq.) e Forastieri: protfólio vai além dos biocidas e está disponível no país

“A Lonza também tem uma grande atuação nos sais quaternários de amônio, mais usados em domissanitários e cuidados pessoais, embora também possam ser usados como bactericidas in can nas tintas”, comentou Alessandro Machado, gerente de vendas da companhia no Brasil. Outros ativos biocidas da companhia são as isotiazolinonas, bronopol, IPBC, carbendazim e biguanida. Além disso, estão disponíveis ceras, ésteres e polióis indicados para tintas. “Cerca de 95% do nosso faturamento no Brasil está ligado aos biocidas, para vários mercados.”

Na cidade de Salto-SP, a Lonza produz formulações com os ingredientes que fabrica em outros países, como Estados Unidos e Europa. “A companhia foca em pesquisa e desenvolvimento, prioriza a inovação, por isso participamos dos bids do setor de tintas com duas propostas, uma conservadora e a outra inovadora, buscando satisfazer as necessidades dos clientes”, informou Forastieri.

Machado informou que as ceras bisteramidas atuam como dispersantes em tintas, mercado ainda em expansão. Elas já são usadas no setor de plásticos, servindo como melhoradores de fluxo, desmoldantes e agentes antifogging em plásticos. Os ésteres de álcoois graxos e etoxilados são especiais e têm indicações para usos mais nobres. A linha de polióis é commoditizada, mais fácil de vender no Brasil, porém com baixo resultado financeiro.

No campo dos biocidas, a Clariant apresentou uma tecnologia de encapsulamento de algicidas e fungicidas em argilas organofílicas, denominada Nipasafe Syn. Com ele, os formuladores de tintas ganham a facilidade de aplicar um só produto e obtêm resultados mais duradouros, pois os ativos são liberados de forma lenta e controlada, resistindo mais à lixiviação e aos efeitos do intemperismo. Isso foi obtido mediante a combinação de nanopartículas de argila modificadas com quaternários de amônio para se tornarem organofílicas e, assim, reter um outro composto orgânico com função fungicida. Os quaternários têm ação algicida. A empresa selecionou biocidas menos agressivos ao meio ambiente, deixando de lado produtos como diuron, carbendazim e terbutrin.

Por sua vez, a Dow apresentou a metilbenzoisotiazolinona (MBIT), acompanhada de estudos que comprovam ser o seu uso isolado ou em mistura com CMIT/MIT (cloro-metil e metilisotiazolinona) superior na prevenção do desenvolvimento bacteriano nas latas, em relação a outras moléculas da família (CMIT, MIT, BIT, por exemplo). Além disso, o insumo apresenta baixa toxicidade.

Química e Derivados, Ferracioli: aditivos oferecem mais funções com menor custo
Ferracioli: aditivos oferecem mais funções com menor custo

Aditivos em alta – A Clariant enfatizou no encontro setorial as atividades de sua unidade de negócios (BU) de aditivos em três linhas diferentes: ceras, antioxidantes e antiUV e retardantes de chama (para tintas de proteção contra incêndio). As ceras ainda são pouco usadas pelos formuladores brasileiros, diferentemente do que ocorre na Argentina e no Chile, como informou Antonio Carlos Ferracioli, coordenador regional de vendas de ceras da BU Additives.

A companhia apresentou ceras de polipropileno obtidas por catálise metalocênica, processo que permite desenhar as moléculas com maior precisão que a obtida pelos catalisadores Ziegler-Natta. “Essas ceras de polipropileno apresentam alto desempenho nas tintas em pó e em adesivos, conferindo propriedades antislip, adesividade, redução de gases e fosqueamento”, explicou.

A companhia também desenvolveu ceras de fontes renováveis, aplicáveis a tintas gráficas e em pó, além de plásticos. São formadas pela combinação de açúcares com ácidos graxos e apresentam elevado desempenho. Outra inovação são as ceras feitas de polissacarídeos, com resistência a risco maior que a da cera de polipropileno. “Essas ceras podem permitir uma redução de até 50% na dosagem na formulação de tintas, sem prejuízo do desempenho”, comentou Ferracioli.

A divisão desenvolveu absorvedores de ultravioleta, da linha Hostavin (triazinas, benzofenonas e benzotriazóis), para aplicação em sistemas base água, apresentados na forma de dispersões, com boa receptividade no Brasil. Para a produção de vernizes protetivos para madeira, a Clariant oferece dispersões aquosas prontas de absorvedores de UV e amínicos (Hals). “Como essa dispersão é difícil de preparar, preferimos fazê-la em nossas instalações, os clientes ganham com a redução de estoques”, comentou.

A linha Exolit de polifosfatos de amônio integra formulações de tintas intumescentes, indicadas para a proteção de estruturas metálicas em incêndios. Essa proteção oferece intervalo de tempo maior para a saída das pessoas do local e pode evitar colapso estrutural. “A procura por esses aditivos é crescente no Brasil, embora ainda faltem normas oficiais que imponham o uso dessas tintas em muitas situações”, comentou Ferracioli.

Por sua vez, a BYK (grupo Altana) promoveu novos aditivos para formulações de tintas de base aquosa, com base em nanotecnologia e insumos de origem natural renovável. São dispersantes, umectantes, ceras, promotores de adesão e aditivos de superfície.

Química e Derivados, Tena: custo alto para importar pode ampliar fabricação local
Tena: custo alto para importar pode ampliar fabricação local

A Ashland Specialty Ingredients (ASI) participou da feira em estande separado da ASK, uma joint-venture na qual possui 50% de participação, mas que se dedica a resinas alquídicas. A ASI possui forte participação nos modificadores reológicos, tanto celulósicos como sintéticos associativos (NSAT). “No Brasil, nós temos também produção local de agentes de dispersão, antiespumantes e biocidas, instalada em Leme-SP”, informou Armando Tena, diretor de marketing da ASI para a América Latina. Essa fábrica foi instalada pela adquirida Logos Química. A Ashland também assumiu os negócios da ISP, com suas linhas de homecare, skincare e healthcare.

Com isso, a atuação local em tintas aproveita a disponibilidade dos dispersantes acrílicos, antiespumantes (óleo mineral e vegetal, e de silicone) e biocidas (triazina). Mas a companhia pode trazer para cá diversos produtos internacionais, como as isotiazolinonas Proxel, as linhas Nuosept, Fungitrol e Bodoxin, entre outros. Também estão disponíveis vários produtos dispersantes acrílicos Drewplus.

“Atuamos mais nos nichos mais exigentes, porque procuramos operações rentáveis e que nos permitam desenvolver soluções mais avançadas tecnologicamente”, disse Tena. Como exemplo, ele citou antiespumantes criados pela área de P&D na Inglaterra, com homo, co e terpolímeros acrílicos, com propriedades diferenciadas. “Somos muito fortes em dispersantes na Europa”, considerou. As alíquotas elevadas dos impostos de importação dificultam algumas operações, mas isso pode impulsionar o desenvolvimento de alguns projetos novos em Leme. A ASI montou um laboratório novo para desenvolvimento de aplicações em coatings, instalado no bairro do Anastácio, em São Paulo.

No campo dos espessantes, a ASI enfatizou sua atuação com hidroxietilcelulose (HEC), capaz de facilitar o trabalho dos formuladores de tintas. “Os celulósicos perderam mercado no Brasil porque as tintas aqui são econômicas demais, não há problema com micróbios, pois temos proteção contra bactérias e enzimas nas latas”, disse. A companhia lançou aminas neutralizantes de pH.

Química e Derivados, Maia: portfólio ganhou reforço com a aquisição da Pochteca
Maia: portfólio ganhou reforço com a aquisição da Pochteca

Distribuição – A Coremal se apresentou maior na Abrafati, com a inclusão do portfólio da Pochteca do Brasil, filial da grande distribuidora mexicana. Com isso, a distribuidora recebeu acréscimos ao portfólio: produtos para tratamento de água industrial, incluindo óleo e gás, da inglesa BWA; álcool polivinílico, da japonesa Sekisui, com uso em tintas; e os persulfatos de sódio e amônio. “Eles também nos deixaram uma operação com gases de refrigeração não-fluorados, da Mexichem, indicados para aparelhos de ar-condicionado e geladeiras”, comentou o diretor comercial Romero Maia.

A operação da Pochteca no Brasil é estimada pelo diretor em torno de R$ 30 milhões/ano, enquanto o faturamento da Coremal se aproximou de R$ 300 milhões em 2012. “Esperamos alcançar neste ano 10% de crescimento orgânico de vendas, sem a Pochteca”, afirmou. No entanto, o segmento de solventes, com peso importante para a distribuidora, está com baixa rentabilidade. Segundo Maia, a linha de hidrocarbonetos sofre mais, mas os oxigenados também estão em fase ruim, com a entrada de muitos produtos importados, em especial dos Estados Unidos.

A Agroquímica Maringá também reforçou seu portfólio para atender seus clientes do setor de tintas e vernizes. “Estamos começando a trazer titanatos da linha Tytan, da Borica, que atuam como modificadores reológicos em tintas, indicados para tintas acrílicas decorativas imobiliárias”, explicou o gerente de marketing José Antonio Costa.

Química e Derivados, Mosseri: estrutura de vendas foi ampliada no Sul e Nordeste
Mosseri: estrutura de vendas foi ampliada no Sul e Nordeste

Para a produção de tintas automotivas, a distribuidora conta com o trietileno diamina (TEDA), da japonesa Tosoh, parceria iniciada neste ano, voltada a sistemas poliuretânicos. “Também oferecemos fluidos de silicone antiespumantes da Blue Star”, informou. A Maringá passou a distribuir negros de fumo condutivos da Aditya Birla, usados em plásticos e tintas.

“Estamos reforçando nossa presença nos mercados das regiões Norte, Nordeste e Sul do Brasil, com estruturas de vendas ampliadas”, comentou o diretor Silvio Mosseri. Segundo ele, a distribuidora consegue manter o nível de faturamento anual, porém com margens um pouco menores neste ano. “Estamos administrando nossos custos com mais rigor e investimos em tecnologia da informação, para ganhar mais agilidade.”

A Agroquímica Maringá também ampliou sua frota própria, que realiza entregas de produtos a uma distância máxima de 200 km de sua base, em Diadema-SP. Distâncias maiores são cobertas por transportadores qualificados.

Química verde – A produção química nacional teve pouco espaço durante a Abrafati 2013, que registrou ampla participação de empresas e produtos de outras nacionalidades. Merece destaque a presença honrosa da Oxiteno e da Rhodia, que ofereceram inovações ao setor, aliando bom desempenho técnico com sustentabilidade.

A Oxiteno trouxe novidades nas áreas de solventes e de tensoativos. A linha Oximulsion abriga tensoativos aniônicos isentos de alquilfenóis etoxilados que geram látices com elevada estabilidade mecânica, eletrolítica e a ciclos de aquecimento, podendo ser aplicados em polimerizações em emulsão de acrílicos, estireno-acrílicos, vinil-veova, estireno-butadieno, estireno-acrilonitrila e PVA. A empresa destacou os Oximulsion B1000 e B2000, com desempenho igual ou superior ao nonilfenol etoxilado.

No campo dos solventes, a Oxiteno conseguiu produzir um blend de ésteres de álcoois naturais e sintéticos, com grande participação do acetato de isopentila, derivado da cana-de-açúcar. Com ele, substituiu a mistura de xilol e ésteres de álcoois e álcoois (BAX) em uma grande montadora de veículos no estado de São Paulo. O solvente inovador eliminou o uso de aromáticos na pintura original, permitindo reduzir a geração de ozônio de 4,7 g/g de solvente para 1,2 g/g de solvente, com desempenho superior ao do BAX.

A divisão Novecare, da Rhodia, apresentou o aditivo Rhodoline OTE, livre de alquilfenóis etoxilados e de compostos orgânicos voláteis, para estender o tempo em aberto de tintas base água. A Novecare também apresentou o Sipomer COPS-3, monômero funcional para melhorar a lavabilidade de tintas de alta concentração volumétrica de pigmentos (PVC), melhorando a estabilidade das emulsões e aprimorando a proteção anticorrosiva e a adesão a substratos metálicos.

A unidade Coatis apresentou dois novos coalescentes para tintas imobiliárias feitos com glicerina de biodiesel, o Augeo Film e o Augeo Film HB. A linha de solventes Augeo foi ampliada com o ACT, indicado para tintas de base solvente.

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