Abrafati 2003: Química ajuda o setor a ganhar produtividade

As possibilidades tecnológicas para a fabricação de tintas na América Latina vão tornar-se bem mais amplas a levar em conta as novidades apresentadas durante a 8ª Exposição Internacional de Fornecedores para Tintas, a Abrafati 2003, realizada de 3 a 5 de setembro, no ITM Expo, em São Paulo.

Sob promoção e organização da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), a exposição deste ano bateu recorde de público, ao receber 17 mil visitantes.

Em meio à diversidade de matérias-primas, as concepções e os recursos apresentados pelos fornecedores poderão dar novos rumos ou incrementar as produções nas fábricas nos próximos anos, pois há muitas opções sendo encorajadas pelos fornecedores e sua nova safra de emulsões, resinas e especialidades.

Ao fazer uso de uma única ou do conjunto delas, o fabricante poderá elevar a produtividade, além de melhorar as tintas quanto ao poder de cobertura, resistência e lavabilidade, converter linhas de base solvente para sistemas de base aquosa, reforçar o segmento de tintas em pó, introduzir solventes menos agressivos, aumentar o teor de sólidos, ou reduzir ativos para baratear custos.

Preocupada em oferecer novas opções às indústrias, a Basf – tradicional fornecedora de pigmentos, monômeros acrílicos, químicos industriais e polímeros – reuniu o maior número de lançamentos até então apresentado em ocasiões desse tipo.

Química e Derivados: Abrafati: A Feira atraiu 17 mil visitantes.
A Feira atraiu 17 mil visitantes.

Ao todo, foram onze inovações em pigmentos e resinas, concebidas para beneficiar fabricantes de tintas em pó, industriais, decorativas, formulações base água, elastoméricas, incluindo especialidades para os tingidores de madeira, mercado totalmente novo para a companhia, mas sobre o qual alimenta expectativas de crescimento em torno de 4% a 5% ao ano.

“Estamos apostando em novos nichos e pretendemos influenciar o mercado a abrir novas aplicações”, afirmou o gerente de marketing e vendas da unidade de polímeros, Edson de C. Couto.

De largo emprego no maior filão de negócios, representado pelas aplicações imobiliárias, a linha de resinas acrílicas foi ampliada em seis novos itens. Um deles, uma dispersão estirenada para formulações de base água para telhas cerâmicas, foi especialmente desenvolvido para conferir mais brilho às tintas e resistência às intempéries.

O segmento de esmaltes também se beneficiará com o uso de nova dispersão aquosa, acrílica e estirenada, para a pintura de azulejos. Desenvolvida para conferir às tintas alta resistência à água e alta adesão aos substratos cerâmicos, essa tecnologia agrega ainda a vantagem de eliminar solventes, com o preparo de um produto único, monocomponente.

Para os formuladores de tintas com propriedades elastoméricas, de grande aceitação em fachadas de construções e impermeabilizações, uma nova dispersão aquosa, acrílica e estirenada, irá agregar às tintas a propriedade de resistir ao dirty pick up. Ou seja, não reter partículas em suspensão no ar, evitando o acúmulo de pós na superfície dos materiais.

Sem adicionar amônia e coalescentes, outro trunfo tecnológico apresentado pela Basf foi apresentado na nova dispersão aquosa polimérica, acrílica e estirenada, para a formulação de tintas texturizadas e de baixo odor, destinadas a acabamentos internos e externos.

Na linha de resinas acrílicas puras, também focadas no segmento de tintas imobiliárias, duas novas dispersões aquosas prometem facilitar a vida dos fabricantes. A primeira será destinada à formulação de esmaltes de alto brilho para a pintura de madeiras e metais.

Química e Derivados: Abrafati: Couto - Basf aposta nos nichos de mercado.
Couto – Basf aposta nos nichos de mercado.

“Trata-se da única dispersão do mercado que apresenta a característica de tempo de secagem prolongado (open-time)”, afirmou Couto.

Com alta resistência a intempéries, a outra dispersão contempla o segmento de pintura de madeiras, e foi desenvolvida para a formulação de vernizes de alto brilho.

Pretendendo obter maior participação no promissor mercado de madeiras, onde o consumo de pigmentos é estimado em torno de 300 toneladas/ano, os novos corantes universais, compostos de complexos metálicos, foram formulados em vários tipos de base e tornaram-se mais compatíveis com as formulações aquosas e solventes, segundo explicação de Harry Heise, gerente regional da unidade de pigmentos da Basf.

Igualmente atenta ao mercado de tintas em pó, cujo ritmo de crescimento é de 10% ao ano, a companhia desenvolveu um pigmento pré-disperso em resina especial. Além de eliminar a necessidade de ajustes de cor nos processos de extrusão, seu uso reduz o tempo de limpeza das máquinas e proporciona maior rendimento ao produto.

No campo dos concentrados de pigmentos que têm produção local, foram formuladas novas preparações para sistemas alquídicos, indicadas para aplicação em tintas decorativas e industriais, destacando-se os amarelos à base de óxido de ferro transparente, para utilização em verniz filtro solar, bem como formulações multicompatíveis para sistemas solventes, destinadas às tintas industriais.

“A nova linha de concentrados pode ser utilizada em todas as linhas de produção de tintas, envolvendo resinas acrílicas, poliuretânicas, aldeídicas e alquídicas”, comentou Heise.

Das novas preparações, apenas uma será importada da Alemanha. Trata-se de concentrado microgranulado com teor de 80% de pigmentos, solúvel em sistemas aquosos de tintas decorativas que, entre outras vantagens, dispensa totalmente a moagem.

No futuro, no prazo de cinco a dez anos, segundo acredita Heise, as facilidades serão tantas que o consumidor final terá a chance de comprar tintas na forma de pó, para diluição no local da pintura.

Poliamida 12 colorida – A participação da Degussa nessa feira contemplou resinas, monômeros, pigmentos, aditivos, solventes, matérias-primas utilizadas em vários segmentos do mercado de tintas. Um dos destaques da linha de polímeros de alto desempenho foi a poliamida 12, fornecida em pó, em diferentes tamanhos de partícula e com geometria esférica.

Disponível em diversas cores, o produto é importado da unidade High Performance Polymers da Degussa AG em Marl, na Alemanha, e atua como modificador de impacto em lacas estruturais, apresentando boa adesão a metais.

Resistente à abrasão, intempéries, impacto e com grande elasticidade, essa poliamida pode ser empregada em tintas para coil coatings, pintura de peças injetadas, tintas para madeiras, tintas texturizadas e pinturas eletrostáticas.

Em tintas para madeiras, o produto oferece maior resistência à abrasão e texturiza a superfície, podendo ser incorporado a bases solvente e aquosa, curadas a quente ou na temperatura ambiente.

Em pinturas eletrostáticas, basta ser aspergido com pistola de ar comprimido, para promover a adesão ao substrato, que poderá ser aquecido acima de 184°C, fundindo o material, criando filme plástico com textura lisa e uniforme. Como aditivo para sistemas crosslinking de tintas em pó, a poliamida 12 melhora a elasticidade, a resistência ao impacto e à abrasão dos produtos.

“No mundo, nossa participação no segmento de poliamidas 12 gira em torno de 35%. Na Europa, a formulação destacada na exposição já detém 50% do mercado de poliamidas em pó para tintas, consolidando essa região como uma das mais importantes nesse segmento. A nossa meta, agora, é torná-la mais conhecida no mercado brasileiro, que apresenta grande potencial para esse tipo de produto”, afirmou Fernando Jorge, chefe de produto da unidade de negócios Polímeros & Intermediários da Degussa Brasil.

Secagem rápida – Um derivado da celulose, o carboximetil de acetobutirato de celulose (CMCAB), insumo para a formulação de tintas base água empregadas em indústrias de couro, madeira, plástico, automotivas, que encurta o período de secagem em níveis comparáveis aos das formulações base solvente, foi a principal tecnologia mais divulgada pela Eastman.

Química e Derivados: Abrafati: Basso - O CMCAB soluciona os problemas de secagem.
Basso – O CMCAB soluciona os problemas de secagem.

“O CMCAB soluciona os problemas de secagem, uma das principais limitações ao maior emprego de formulações base água nas indústrias automotivas, moveleiras, entre outras, que estão convertendo os sistemas base solvente para os sistemas em base água, uma tendência mundial que valoriza produções mais limpas”, afirmou Marcos Aurélio Basso, gerente de vendas da companhia para o Brasil.

Ao lado do CMCAB, também foi levado ao público o novo solvente ativo metilamilcetona (MAK), desenvolvido pela Eastman. Com alto poder de diluição, essa matéria-prima diminui a viscosidade das tintas, devendo ter grande penetração nos segmentos de pinturas automotivas e repintura.

Tintas para as massas – Com portfólio renovado de matérias-primas, desenvolvidas a partir de um montante anual de investimentos em pesquisas no valor de US$ 6 bilhões, a Rohm and Haas Química deverá valorizar nos próximos anos aplicações mais econômicas, destinadas a usuários com menor poder de compra.

A idéia é oferecer ao mercado novos aditivos para a formulação de tintas, que permitam reduzir a quantidade de ativos, como emulsões, resinas e dióxido de titânio, sem prejuízo da qualidade final.

Química e Derivados: Abrafati: Rudolph - em breve, novos aditivos acrílicos.
Rudolph – em breve, novos aditivos acrílicos.

“Vamos nos voltar mais para as necessidades do mercado brasileiro, desenvolvendo aditivos acrílicos e modificadores de reologia uretânicos para atender à fabricação em maiores volumes de tintas econômicas”, afirmou Joachim Rudolph, diretor comercial da empresa para o cone Sul.

Com as novas formulações, será possível desde melhorar a performance das tintas, até promover reduções de custo.

As inovações da Cognis apresentadas na feira privilegiaram os segmentos de aditivos, resinas especiais e tensoativos, mas, no meio empresarial, o que mais chamou a atenção foi a recente aquisição da Laporte Performance Chemicals, da Inglaterra, detentora de ampla linha de monômeros da marca Bisomer.

Química e Derivados: Abrafati: Carthery - Laporte reforça portfólio.
Carthery – Laporte reforça portfólio.

“A operação de compra da Laporte, realizada em âmbito mundial em abril deste ano, deverá beneficiar o mercado como um todo, mas especialmente o segmento de tintas automotivas”, comentou Luis Arnoldo Carthery, gerente regional da Cognis.

No elenco das novas formulações preparadas pela empresa destacaram-se os ésteres que atuam como umectantes e dispersantes para tintas em base solvente com altos teores de sólidos e os aditivos líquidos de tixotropia para sistemas alquídicos, destinados a ajustar a viscosidade das tintas e que carregam a vantagem de poder ser adicionados no final do processo de produção.

Outros desenvolvimentos de grande importância para o mercado foram vistos nos antiespumantes para tintas imobiliárias, isentos de óleo mineral, nos aditivos nivelantes com propriedade desaerante para tintas base solvente, umectantes de baixa formação de espuma para tintas aquosas e no modificador reológico em pasta, baseado em composto orgânico que permite aplicações de alta espessura com máxima qualidade no nivelamento e sem escorrimento.

De mais alta eficiência sob o aspecto da viscosidade, novos modificadores reológicos associativos também estarão ao alcance do mercado, prometendo elevar as propriedades de aplicação envolvendo os sistemas aquosos.

No segmento de resinas para a fabricação de tintas poliuretânicas, os novos polióis oleoquímicos da Cognis apresentam características hidrofóbicas e de altos sólidos.

As novas poliamidas têm mais baixa viscosidade para sistemas com altos sólidos e novas poliamidas foram modificadas para aplicação em tintas marítimas e para manutenção com altos sólidos. Acrescente-se ainda ao conjunto de novidades as resinas especiais para a fabricação de tintas epóxi de baixa viscosidade e resinas para sistemas de cura UV.

O segmento de tintas gráficas também deverá ser beneficiado pelas inovações da Cognis que desenvolveu um novo aditivo reativo, capaz de promover efeito deslizante (slip) em sistemas de cura UV.

Para quem teve a oportunidade de visitar o estande da Reichhold, uma grande diversidade de novas emulsões e resinas foi apresentada. Envolvendo sistemas base água, duas novas emulsões foram lançadas. Uma delas, acrílica e com alto teor de sólidos (entre 40% a 60%), foi desenvolvida para atender ao segmento de pinturas de áreas externas.

A outra emulsão, em vinil acrílico, recomendada para aplicações internas, além de permitir sucessivas lavagens, apresenta resistência mais alta a produtos de limpeza.

Para sistemas em base solvente, uma nova emulsão acrílica de alto brilho integrou a nova safra de desenvolvimentos, devendo conferir aos produtos maior resistência à água e a substâncias corrosivas.

No segmento de resinas alquídicas para vernizes e esmaltes com aplicações na construção civil, nos setores industrial e de manutenção, os destaques, segundo Ismael R.Corazza, responsável pelas áreas de desenvolvimento de mercado e produtos da Reichhold do Brasil, ficaram por conta de novas resinas fenoladas, orientadas para aplicações de alta adesão em substratos não-ferrosos, como alumínio e zinco, envolvendo caixilhos, calhas, perfis, entre outros.

Química e Derivados: Abrafati: Corazza - fenoladas para alta adesão.
Corazza – fenoladas para alta adesão.

Para sistemas em base aquosa, dois novos grades foram lançados. Um deles é integrado por resinas alquídicas para aplicações que requeiram baixa emissão de solventes, como as tintas para residências e hospitais.

O outro grade é representado pela resina alquídica/poliéster desenvolvida para aplicações que demandem alta flexibilidade, como é o caso da pintura de peças dúcteis, e alta resistência à corrosão.

Também integrando o elenco de novidades, foram conhecidas as novas resinas epóxis, desenvolvidas para dispersões aquosas ou solventes, visando atender com maior eficiência as pinturas industriais e de componentes automotivos, bem como as novas resinas poliéster base água, desenvolvidas para a pintura de substratos plásticos.

Especialmente para o segmento de tintas em pó destinadas à pintura de substratos metálicos, a Reichhold apresentou novas resinas poliéster ou acrílicas para aplicações de grande exigência mecânica e química, beneficiando, por exemplo, peças e componentes metálicos empregados na construção civil.

Resina siliconada – As novidades da Dow Corning também atraíram a atenção dos visitantes. Apresentadas no estande da D’Altomare, um dos seus representantes no Brasil, as novidades dedicam-se aos segmentos de resinas e aditivos para tintas, vernizes e tintas de impressão.

Um dos mais significativos foi a resina à base de silicone. Rica em radicais de silício, ela foi desenvolvida para modificar resinas orgânicas, sendo indicada para formulações de tintas e revestimentos de alto desempenho, podendo ser copolimerizada com resinas poliéster e alquídicas em concentrações de 15% a 50%.

Além de possuir aprovação FDA (Food and Drug Administration), essa nova resina pode modificar resinas alquídicas para emprego em linhas de manutenção e atua na copolimerização de resinas à base de poliéster, utilizadas no segmento de coil coating e em tintas de alta resistência à temperatura, aplicadas em churrasqueiras, fornos, muflas, panelas etc.

No rol das novas soluções em aditivos à base de silicone da Dow Corning, também chamaram a atenção as linhas de antiespumantes, com formulações específicas para tintas imobiliárias base água, desenvolvidas para controlar a formação de espuma e reduzir a incorporação de ar durante as operações de moagem e aplicação de vernizes e sistemas UV, e que também atuam no controle de espuma em tintas flexográficas e tintas base água para madeiras e linhas industriais.

Entre os novos desenvolvimentos, também foram também destacadas duas novas categorias de aditivos. O primeiro promove deslizamento e maior resistência ao risco, e o segundo confere textura sedosa às tintas para impressão, para madeiras, plásticos e componentes eletrônicos.

As ceras foram as grandes vedetes da Clariant nesta feira. Um dos produtos foi especialmente desenvolvido para tintas gráficas e aplicações em madeira. Trata-se de cera reativa para sistemas de cura UV, com a qual é possível fosquear vernizes, sem alterar suas propriedades reológicas, o que torna as películas muito mais resistentes a riscos.

A segunda inovação consistiu na nova composição de cera em blenda com PP. Desenvolvida para tintas destinadas a madeiras empregadas nas indústrias moveleiras, a nova cera propicia textura suave, melhora o slip e promove maior resistência ao risco. Ainda na linha de ceras destinadas a tintas para madeiras e tintas em pó, destacou-se uma nova formulação que oferece efeito fosco aos substratos, podendo substituir a sílica.

Química e Derivados: Abrafati: Russomanno - Imerys com novas cargas.
Russomanno – Imerys com novas cargas.

Carbonatos em slurries – Ao participar da feira, o grupo francês Imerys, maior produtor mundial de insumos minerais com largo emprego nas indústrias de papel, tintas, plásticos, cremes dentais, cosméticos, cerâmicas e siderúrgicas, segundo Paulo Russomanno, atual diretor-geral para a América do Sul, destacou novas linhas de cargas minerais e carbonatos de cálcio precipitados e naturais em blendas, pó e slurry.

Dois produtos exclusivos foram realçados, ambos destinados à produção de tintas econômicas. Trata-se de carga mineral especial com alta opacidade e alvura e de carga mineral lamelar que confere às tintas melhor lavabilidade.

Preocupada em oferecer ganhos de qualidade e produtividade a seus clientes, a Imerys, segundo Milton Lopes, responsável pelas vendas para o segmento de tintas, oferece suporte técnico, colocando à disposição os recursos de seus laboratórios de aplicações instalados em Mogi das Cruzes-SP, com a intenção de substituir os carbonatos em pó por slurries.

Com isso, são esperados ganhos de produtividade, melhoria do desempenho das tintas e também conformidade com as normas de segurança, saúde e meio ambiente.

Produzido a partir da calcinação do calcário para a formação de óxido de cálcio, o carbonato de cálcio precipitado adquire características finais que propiciam ganhos sob vários aspectos às tintas, envolvendo poder de cobertura, lavabilidade, porosidade e reologia.

Com carbonato de cálcio precipitado também é possível reduzir custos nas formulações de tintas pela possibilidade de substituir parcialmente os pigmentos de cobertura.

As novidades em carbonatos de cálcio precipitados exibidas nesta feira também estavam nos produtos fabricados pela Specialty Minerals, fornecedora internacional de pigmentos e extenders para indústrias de tintas, plásticos, cremes dentais, alimentos, farmacêutica, entre outros, com tradição em fornecimentos às indústrias papeleiras.

Com subsidiária brasileira desde 1995, instalada em São José dos Campos-SP, a empresa apresentou duas linhas de carbonatos de cálcio precipitados de alta pureza. Uma delas é constituída de cristais escalenoédricos aglomerados na forma de rosetas, formato que, somado à uniformidade no tamanho das partículas, proporciona aos produtos alto índice de espalhamento da luz e alto poder de cobertura, atuando como extensores para o dióxido de titânio na formulação de tintas foscas para ambientes internos e externos.

A outra linha de carbonatos é constituída por cristais em formato acicular, de baixa granulometria, e que apresentam elevado índice de refração, alvura e poder de cobertura, atuando como extensores para dióxido de titânio em tintas semibrilho.

Com atuação global nas áreas de pigmentos e aditivos, a Sun Chemical aproveitou o clima da feira para dar início à sua atuação no segmento de pigmentos para tintas, plásticos e especialidades, após operar há mais de uma década comercializando tintas para impressão ao mercado brasileiro.

Depois da aquisição do negócio de pigmentos de alta performance da Bayer, de Bush Park, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, a empresa reorganizou sua atuação e criou uma nova área de negócios, a Performance Pigments, que irá atuar junto à divisão The Colors Group, estabelecendo parcerias, a exemplo da firmada com a GIII – Grupo de Imaginação e Integração Ilimitadas, atual representante e distribuidor da Sun Chemical no País.

Em conformidade com a tendência mundial de substituir solventes aromáticos, incorporando às linhas de produção solventes alifáticos tratados, hidrotratados e desodorizados, a Petrobras marcou presença na exposição, destacando a linha ecológica de solventes de cadeia aberta, com produtos biodegradáveis, isentos de enxofre e hidrotratados, lançados em 2001.

Embora não tenha levado novidades em produtos, a empresa atuará de forma mais focada a partir dos próximos meses. Segundo Paulo Cezar Auriquio, gerente de produtos especiais para a região Sul, o processo de modernização levará à nomeação de várias novas gerências.

Química e Derivados: Abrafati: Auríquio - solventes verdes da Petrobrás.
Auríquio – solventes verdes da Petrobrás.

“Vamos nos estruturar para atender ao mercado por segmentos, nas áreas de agronegócios, tintas e vernizes, química fina e petróleo e nos concentrar em novos projetos”, comentou Auriquio.

Confirmando a tendência de maior utilização industrial de solventes menos agressivos, isentos de tolueno e xileno, a Rhodia difundiu sua linha de solventes oxigenados, derivados de ésteres, cetonas, álcoois e glicóis, destacando novas formulações para mercados específicos, como tintas e vernizes, para o qual desenvolveu produtos substituindo alguns ésteres, como PMA e acetato de etilglicol, bem como para o mercado de tintas para impressão, para o qual substituiu os solventes à base de glicóis, segundo informou Dr. Wagner C. F. Lourenço, gerente de desenvolvimento da Rhodia, da divisão Química de Performance da América Latina, instalada no complexo de Paulínia-SP.

A família dos isocianatos alifáticos para tintas e vernizes poliuretânicos que conta com produtos base solvente e base água também aumentou e incorporou novos produtos, bem como a linha de látices para tintas imobiliárias e construção civil, colas e aditivos formulados para o mercado de couros.

Oferta e serviços aprimorados – A contar com a diversidade de matérias-primas e serviços de apoio logísticos e laboratoriais oferecidos pelos distribuidores, as expectativas das indústrias de tintas deverão ser superadas, conforme se observou entre os expositores da 8ª Abrafati.

Com portfólio composto por mais de 350 matérias-primas, fabricadas por 60 fornecedores nacionais e internacionais, 120 das quais largamente utilizadas em todos os segmentos do mercado de tintas, a Ipiranga Química, tradicional distribuidora de solventes, óleos e especialidades químicas, investiu pesado para montar o novo centro de distribuição (CD) em Guarulhos, em São Paulo, com inauguração prevista para janeiro de 2004.

O CD terá 55 tanques especiais para armazenar o total de 7 milhões de litros de produtos e contará com área de 10 mil m² destinada a produtos embalados. Um dos seus diferenciais estará nos serviços especializados que serão prestados pelo laboratório de aplicações, envolvendo o desenvolvimento de novas fórmulas e melhorias nas fórmulas e processos já existentes.

Nesse laboratório será possível realizar uma bateria de testes direcionados ao preparo e mistura das tintas, aplicações, bem como verificar a cura dos filmes, incluindo ainda avaliações de tintas líquidas e de filmes curados.

Química e Derivados: Abrafati: Chamma - novo centro de distribuição.
Chamma – novo centro de distribuição.

“Nosso centro de distribuição estará aparelhado tal qual os laboratórios das grandes indústrias e terá capacitação para desenvolver produtos finais aos nossos clientes”, afirmou o gerente nacional de negócios da Ipiranga Química, João Miguel Thomé Chamma.

Segundo antecipou, muitas matérias-primas e resinas contarão com condições especiais de armazenagem em câmaras refrigeradas, de acordo com as boas práticas de estocagem, havendo ainda total cuidado com a preservação do meio ambiente e adoção de procedimentos de segurança requeridos pela armazenagem de produtos químicos.

No quesito novas matérias-primas, a linha de produtos da canadense Dominium Color Corporation (DCC) esteve em destaque. Considerada a maior produtora mundial de pigmentos inorgânicos cromatos e molibdatos, direcionados a tintas industriais, gráficas e masterbatches, a DCC, há dois anos parceira da Ipiranga Química, vem ampliando os itens disponíveis para coloração no mercado brasileiro, incluindo a linha de pigmentos orgânicos nas cores azul, violeta e verde, destinados ao segmento de tintas industriais.

A distribuidora de solventes e produtos químicos Bandeirante Química se destacou pela a organização de grande número de palestras, difundindo novas tecnologias para o setor, contando com o apoio de vinte fornecedores parceiros e especialistas convidados da Du Pont, Dow Química, Cabot, BYK-Chemie, entre outros.

Engajada na oferta de produtos menos agressivos e tóxicos, a Carbono Química apresentou vários itens, como os solventes isoparafínicos, derivados de petróleo, para substituir aguarrás e querosene, classificados nas categorias biodegradável, atóxico e com parâmetro L.D. 50 (Letal Dose) maior que 2.000 mg/kg.

Química e Derivados: Abrafati: Giannini - Carbosolv está consolidado.
Giannini – Carbosolv está consolidado.

Ao comentar essa preocupação da empresa, o diretor operacional Roberto Giannini considerou: “A demanda por solventes ecológicos da linha Carbosolv-A, por exemplo, desenvolvidos há 3 anos, já está consolidada”.

Distribuídos com exclusividade pela Carbono Química, essa categoria de solventes é fabricada na Venezuela pela Vassa, subsidiária da PDVSA, a Petróleo de Venezuela Sociedade Anônima, sendo incorporada a tintas gráficas e tintas de baixa toxidez dos segmentos imobiliários, automotivos, repintura, entre outros.

Giannini realçou outro aspecto importante para os fabricantes de tintas e que vem impulsionando a escolha desse tipo de solvente: a possibilidade de produzir tintas de baixa toxidez sem alterar as bases tecnológicas, como pigmentos, secantes e aditivos.

Comunicada na exposição, a estratégia de promover mudanças no perfil da empresa, iniciada há 3 anos e implementada por um programa de investimentos no valor de US$ 3 milhões, direcionados a ampliar toda a infra-estrutura e o quadro de pessoal técnico, resultou em crescimento e numa mega ampliação na oferta de produtos.

Cento e dez novos ítens foram incluídos no portfólio, hoje totalizando 180. Entre as novas linhas há produtos especiais, como aditivos de performance, envolvendo modificadores de propriedades, superfície e processo; e aditivos reológicos em formulações em pó ou gel, baseados em argila organofílica, poderoso agente tixotrópico para o ajuste da viscosidade das tintas.

Na categoria de catalisadores para resinas epóxi, compostos de resinas poliamidas especiais, a empresa apresentou e orientou aplicações na formulação de revestimentos livres de solventes e tintas de acabamento incolor ou pigmentado para emprego sobre aço, substratos minerais, pisos industriais, encapsulamento, adesivos e laminados.

A linha de resinas epóxi também sofreu ampliação e passou a incluir resinas em base água, fabricadas pela Nan Ya, considerada a terceira maior fabricante mundial de resinas epóxi, instalada em Taiwan.

As novidades se estenderam ainda aos agentes de cura para resinas epóxi à base de etilenoaminas, da Huntsman Corporation, além de linha de secantes organo-metálicos para tintas e resinas, produzida pela própria Carbono.

“Nossos próximos passos serão descentralizar as operações, abrir maior número de filiais para atender ao mercado brasileiro, e internacionalizar nossa atuação com exportações para toda a América Latina”, revelou Giannini.

Com apoio tecnológico da Lyondell, a Makeni lançou o Makeni Intelligent Systems & Solutions, uma unidade de serviços instalada junto ao site da empresa, em Diadema–SP, que irá oferecer aos fabricantes de tintas formulações em base solvente, visando elevar a performance e a eficiência dos produtos.

“A nova unidade está apta a oferecer sistemas e soluções formulados sob medida, respeitando a confidencialidade e as características de cada projeto do cliente”, informou Reinaldo Medrano, diretor da Makeni Chemicals.

“A Lyondell já obteve grande êxito com esse conceito em outros países e, agora, em parceria conosco, decidiu introduzi-lo no Brasil”, completou.

A empresa também ressaltou a linha de coalescentes NX 770, da Perstop, livre de VOC e destinada a formulações de tintas com baixo odor; surfactantes não-iônicos para a produção de emulsões látex; solventes, como acetato de isopropila, n-metil-2-pirrolidona, dipropileno glicol metil éter e MP diol glicol; além de novas resinas e dispersões para tintas decorativas.

Equipamentos diferenciados – A 8ª Exposição Internacional de Fornecedores para Tintas contou com várias soluções diferenciadas em equipamentos. Um dos lançamentos da Fluid Management conferidos pelo público foi a dosadora de fluidos (corantes) Accutinter 7000.

Com aplicações na indústria de tintas gráficas e em estabelecimentos varejistas, esse equipamento dosa uma cor em menos de dez segundos, formulando mais de 2 mil cores.

Sem usar válvulas, o sistema de dosagem DVX gerencia a entrada e a saída dos corantes, bombeando-os até o bico dosador por meio de movimentos do rotor da bomba de avanço e retrocesso, permitindo maior eficiência do sistema.

A Netzsch divulgou o lançamento mundial de um dispersor em linha, integrado a instalações totalmente automáticas, capaz de processar produtos de alta viscosidade e com alta concentração de sólidos.

Sua operação atende ao princípio de que partículas sólidas extremamente finas, menores que 10 micrometros, podem ser pulverizadas e incorporadas a líquidos, resultando em dispersões finas e homogêneas.

Química e Derivados: Abrafati: Envasadora gravimétrica da Prodismaq.
Envasadora gravimétrica da Prodismaq.

Com várias linhas de dosagem automática, a Inkmaker promoveu dois lançamentos. Um deles é integrado pelo sistema de verificação de pesagem e gerenciamento de produção Inkmaker Pesa.

Desenvolvido para as indústrias que utilizam várias bases e vernizes e pretendem controlar todo o processo de pesagem dos componentes das fórmulas, esse sistema, composto por software, balança de alta precisão e computador PC, minimiza erros de pesagem e permite total controle sobre os estoques, segundo informou o fabricante.

Inovador também foi o sistema automático de dosagem, desenvolvido para atender às necessidades de impressores ou indústrias que pretendem produzir suas próprias tintas.

Com esse equipamento gerenciado por software, pode-se trabalhar com bases e vernizes ou tintas mono pigmentadas em base aquosa ou solvente, estocados em tambores e/ou tanques, succionados por bombas pneumáticas e transportados até as respectivas válvulas de dosagem por meio de tubulações de alimentação e recalque.

A Prodismaq também desenvolveu e apresentou uma nova envasadora gravimétrica automática para produtos que serão acondicionados em embalagens plásticas, envolvendo sacos valvulados de 15 quilos ou mais.

Composta por balança eletrônica inteligente para promover correções de peso, o equipamento possui rosca sem-fim e inversor de freqüência para ajuste de rotação, sem alterar a viscosidade original dos produtos envasados.

Ao participar da feira em conjunto com a Superlab, a empresa suíça GretagMacbeth levou à exposição um dos mais recentes lançamentos realizados na área de gerenciamento de cores. Trata-se do espectrofotômetro para bancada Color i 5, desenvolvido para medições de amostras em vários tamanhos, formatos, texturas e opacidades.

Um dos diferenciais desse equipamento é constatado no próprio painel onde são visualizadas as configurações colorimétricas, envolvendo calibragem, UV incluso ou excluso e especular.

Química e Derivados: Abrafati: Espectrofotômetro Color i 5 - versátil.
Espectrofotômetro Color i 5 – versátil.

Para avaliação simplificada de brilho, sua tecnologia de triplo feixe mede simultaneamente o componente especular (incluído e excluído), possuindo múltiplas áreas de visualização de refletância e transmitância que permitem maior versatilidade para medir amostras não-uniformes e em diversos tamanhos.

Auto-ajustável com lentes de duplo zoom que eliminam erros de configuração, esse equipamento ainda promove ajuste automático de ultravioleta, visando propiciar maior velocidade e eficiência nas medições de amostras fluorescentes ou com alvejantes ópticos.

Novas soluções em embalagens também foram destacadas, como a nova tampa safe mix fabricada pela Prada. Provida de lacre exclusivo para impedir a violação dos produtos, a novidade vem somar-se à ampla linha de embalagens fabricadas pela empresa.

Além de destacar embalagens com fechamentos diferenciados para baldes cônicos, desenvolvidas para as linhas de tintas e produtos químicos, a Brasilata apresentou a embalagem de aço para produtos perigosos, desenvolvida em conformidade com as recomendações da Organização Nações Unidas, (ONU).

Executivos analisam mercado nacional

A visão estratégica de dois congressistas, Juan Marcos Saavedra, presidente para a América Latina da ICI Paints, e Alan Barton, vice-presidente da Rohm & Haas, convidados especiais do 8° Congresso Internacional de Tintas da Abrafati, deverá influenciar as próximas condutas no mercado de tintas.

Ao tecer comentários sobre o panorama do mercado de tintas em palestra inaugural do congresso, Juan Marcos Saavedra revelou que a América Latina tem participação de 8% sobre os 20,5 bilhões de litros de tintas produzidos no mundo.

Desse total, o segmento imobiliário responde por 11 bilhões de litros, cabendo nesse caso à América Latina uma participação maior, de 12% sobre o mercado mundial, enquanto a Europa responderia por 34% e a América do Norte e Ásia teriam 27% cada.

Segundo observou Saavedra, é preciso acompanhar algumas mudanças importantes que ocorrem no comportamento dos consumidores.

Entre elas, vale destacar que os benefícios oferecidos pelas tintas como elementos de proteção e conservação do patrimônio continuam sendo fortes argumentos para as vendas, mas também ocorre uma crescente valorização, inclusive no Brasil, das tintas como forma de individualizar e personalizar os ambientes, o que leva ao maior uso das cores.

Entre todas as suas observações, o que mais impressionou o especialista é que 52 milhões de brasileiros, correspondendo a 30% da população, ainda não têm acesso ao mercado de tintas. Isso ocorre devido ao baixo poder aquisitivo que faz com que as tintas econômicas, de menor valor agregado, venham avançando em participação, enquanto as tintas “premium” estejam recuando.

Em 1997, as tintas “premium” respondiam por 63% do mercado, contra os 25% de participação das tintas populares e mais 12% das tintas de médio valor agregado. Em 2002, as tintas “premium” passaram a responder por 42%, enquanto as tintas populares responderam por 38% , cabendo os 20% restantes às tintas intermediárias.

Ao concluir, Saavedra defendeu ser necessário investir mais em propaganda, para que haja fortalecimento do mercado e das marcas. “São as marcas que propiciam as inovações e levam ao crescimento do mercado”, afirmou.

O vice-presidente da Rohm & Haas, Alan Barton, também foi enfático em suas colocações. Para ele, o marketing do setor de tintas apresenta deficiências por ser orientado basicamente para o business-to-business, enquanto deveria ter como foco de ação o consumidor final. Além disso, afirmou:

“O setor investe pouco em comunicação de marca e deveria preocupar-se mais com as embalagens, pois elas refletem um produto industrial e não um produto voltado ao consumo”.

Barton também advertiu a platéia quanto ao retorno cada vez menor sobre o capital investido no setor químico, podendo comprometer novos investimentos, somado à tendência observada no mundo de aquisição de fábricas de tintas por fundos de investimento.

Por tudo isso, segundo aconselhou Barton, é preciso dar prioridade à lucratividade e à produtividade, intensificando o uso do capital, bem como promovendo maior interação entre fornecedores e fabricantes.

“Nosso desafio é convencer os consumidores de que temos um grande produto. Para isso, devemos contar com os recursos da comunicação e com investimentos em tecnologia e inovação, estabelecendo ainda um novo relacionamento com o varejo”, concluiu.

Tinta em pó tem o maior potencial

Uma das conferências mais concorridas deste 8° Congresso Internacional de Tintas foi apresentada pelo gerente global do mercado de epóxi e intermediários, Marcos Pini França, da Dow Química.

Segundo estudo realizado por ele, que pesquisou 2.500 patentes registradas no mundo entre os anos de 1995 e 2003, com a finalidade de traçar tendências futuras para o mercado de tintas e pinturas, a aplicação de tintas em pó em substratos sensíveis ao calor, como madeiras e painéis aglomerados, como MDF (Medium Density Fiberboard), plásticos e componentes pré-montados será a área de negócios com maior potencial de crescimento nos próximos anos.

Depois do grande movimento industrial em favor da conversão de pinturas líquidas para pinturas com tintas em pó, ocorrido nas últimas décadas, uma vez comprovado que essa tecnologia constituiria a opção mais atrativa para a maior parte das aplicações em metais, feitas em larga escala no segmento de OEM (Original Equipment Manufacturing), envolvendo a pintura de eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos, mobiliário, tubulações, entre outros, e mais recentemente expandindo-se para os top coats automotivos, conforme observado até nas linhas de produção da BMW, na Europa, pintar MDF com tintas em pó, segundo enfatizou França, seria a aplicação que comportaria os maiores volumes.

Propagador das qualidades das tintas em pó, ele enfatizou os bons resultados dessa tecnologia ao combinar excelente acabamento, fácil aplicação, economia de energia e segurança ambiental com alta produtividade e baixo custo.

Por esses motivos, constitui alternativa mais competitiva aos acabamentos com laminados, do tipo fórmica, cuja utilização, além dos custos mais elevados, impõe limites à geometria das peças.

Mas para atender às necessidades do mercado de pintura de madeiras, duas tecnologias estariam disputando os maiores volumes de aplicação. São elas, as pinturas com tintas em pó curadas à baixa temperatura e curadas por radiação ultra-violeta.

No primeiro processo, a peça de madeira é pré-aquecida para que sua umidade natural migre parcialmente até a superfície e a torne levemente condutiva, permitindo, assim, a aplicação da tinta em pó por processo eletros­tático. Cumprida essa etapa, a peça é conduzida a um forno de infravermelho e/ou convecção, onde se realiza a cura.

Já no segundo processo de cura por UV, a peça recebe a tinta da mesma maneira apresentada no processo anterior, porém, é conduzida a um forno de infravermelho onde permanece por um curto espaço de tempo para que a tinta seja fundida e recubra a superfície do substrato. Na seqüência, a peça passará por uma câmara de UV onde a cura se dá de forma instantânea.

Nos dois processos, contudo, segundo advertiu França, as resinas utilizadas nas formulações das tintas em pó devem apresentar viscosidade muito baixa no momento da aplicação, para resultar em bom alastramento e nivelamento, necessitando manter, por outro lado, alto ponto de fusão, para que a tinta em pó permaneça estável durante o período de armazenamento.

“Tal combinação de propriedades é muito difícil de ser obtida e requer resinas especiais. Em se tratando do processo de cura sob baixa temperatura, a Dow Chemical Co. desenvolveu resinas com dupla funcionalidade epóxi-hidroxílica e emprega tecnologia patenteada de conversão controlada.

Essa tecnologia permite a obtenção de resinas epóxi com baixa viscosidade, alto ponto de fusão e alta reatividade, sendo ideal para uso em tintas em pó curadas à baixa temperatura”, explicou França.

No caso da cura por UV, a empresa também desenvolveu uma resina sólida insaturada que, além de mais estável e flexível, apresenta uma relação viscosidade ponto de fusão muito mais favorável em comparação aos epóxi-acrilados convencionais.

“As tecnologias de aplicação de tintas em pó em substratos sensíveis ao calor foram e continuam sendo intensamente pesquisadas por todas as companhias envolvidas no processo produtivo. Todavia, ainda existem muitas barreiras a transpor para que os grandes volumes previstos possam ser alcançados – só na Europa, as oportunidades em MDF são avaliadas em torno de 11 milhões de m³.

Portanto, problemas como os causados por sombras durante a cura por UV, onde parte da peça com geometria complexa não foi exposta o suficiente para se concluir a cura, podem ser solucionados com o emprego de tecnologias híbridas de dupla-cura, onde a reação de cura é iniciada por UV, tornando-se completa com mais um ciclo de cura térmica, ou vice-versa, tal qual vem ocorrendo em algumas aplicações realizadas pelas indústrias automotivas”, considerou França.

Também sob o aspecto dos substratos, muito ainda pode ser feito para melhorar os resultados das aplicações das tintas em pó. Um bom exemplo, segundo recomendou, estaria no emprego de aglomerado fabricado com fibras de palha de trigo, denominado Woods­talk.

Fabricado pela Dow Chemical Co., no Canadá, esse tipo de aglomerado apresenta maior resistência à temperatura, melhor condu­tividade e menor teor de umidade que o MDF, permitindo o uso de tintas em pó convencionais, aplicadas em metais.

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