Redução do consumo de água gera resultado financeiro – Abiquim

Química e Derivados, Abiquim: Redução do consumo de água gera resultado financeiro

Texto: Adriana Nakamura

Em 1998, a Cabot, produtora de químicos para setores como transporte, infraestrutura, meio ambiente e consumidor final, implantou um projeto de reúso de água e vem colhendo seus frutos até hoje. Inserido no contexto do Programa Atuação Responsável®, do qual a empresa é signatária, o projeto tem o intuito de aprimorar o gerenciamento interno da água utilizada pela empresa.

Tudo começou com a recuperação da água utilizada na planta e captação de água de chuva. Então, houve investimentos na melhoria da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), na construção de tanques subterrâneos de água e na infraestrutura básica de direcionamento do efluente tratado ao processo, bem como na captação e no reuso da água de chuva.

Todo o projeto foi implantado em três anos e as etapas que o consistiram foram: levantamento das necessidades da planta quanto à demanda de água; levantamento da disponibilidade de efluente a ser reutilizado na planta; avaliação das características do efluente; avaliação das consequências (qualidade e meio ambiente); estabelecimento de parâmetros desejados; e definição do ponto de injeção do efluente.

Química e Derivados, Consumo de água tota l (m3/ano) ©QD

Após as etapas de planejamento e construção da infraestrutura básica, iniciou-se o reúso do efluente do processo. Após passar por uma ETE, que separa a água de processo de resíduos de negro de fumo, a água é reutilizada e o negro de fumo retirado da ETE passa por um processo de secagem e posterior destinação final.

De acordo com o gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) da Cabot, Carlos Roberto Barbeiro Lima, em média, de toda a água consumida pela empresa, de 65% a 80% representam perdas por evaporação. O percentual da água consumida que é agregado ao produto não passa de 1%. Os demais 20% a 35% correspondem aos efluentes industriais, cujo contaminante é carbono amorfo puro.

Todo o efluente é reutilizado no próprio processo industrial, em dois pontos distintos: no próprio reator, que utiliza a água para interromper a reação, de acordo com o tipo de negro de fumo a ser produzido, e no trocador de calor, ao final do reator.

Conforme conta Barbeiro Lima, apesar do aumento de cerca de 23% na produção de negro de fumo, nos seis anos considerados no gráfico abaixo, não houve alteração significativa no consumo de água relativo à produção, que se manteve na média de 5,0 m³ por tonelada de produto, que, segundo o gerente de SSMA, representa um uso mais racional da água no período. O percentual de reuso atingiu 30% em 2001, mantendo-se, a partir de então, em uma média de 33%.

Segundo Barbeiro Lima, importantes resultados vêm sendo obtidos desde a implantação do projeto e sua operacionalização, que representam uma significativa melhoria na qualidade ambiental da planta, redução do consumo de água bruta, além de uma economia anual da ordem de R$ 340 mil (dados de 2004). De acordo com o gerente da Cabot, considerando o investimento inicial, o payback foi atingido em quatro anos.

“Apesar de a Cabot ter obtido significativa redução de custos com o projeto, o principal ganho foi, sem dúvida, o ambiental. A empresa deu início a este projeto com o único objetivo de garantir ganhos ambientais e alcançar um melhor patamar em termos de sustentabilidade. Os ganhos financeiros foram uma consequência positiva da sua implantação. Vimos que é perfeitamente possível aliar a conservação dos recursos naturais, o bem-estar humano e o objetivo primário da economia, ou seja, o retorno financeiro”, finaliza o engenheiro.

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