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Abiquim: Indústrias químicas brasileiras incorporam processos biotecnológicos para oferecer mais soluções de baixo carbono

Quimica e Derivados
5 de março de 2016
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    Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o total das emissões da indústria química caiu de 25,1 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2005 para 17,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2010. Apenas nos processos industriais do setor, a redução foi de 6,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente nesse mesmo período.

    “O Brasil tem diferenciais comparativos capazes de colocá-lo como uma potência mundial da economia de baixo carbono. A matriz energética brasileira é bem mais limpa do que a média dos países e a produtividade da biomassa no Brasil é superior à maioria dos países. Esses dois insumos podem trazer oportunidades especiais para a indústria química local”, completa Harayashiki.

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    Segundo o diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Jorge Soto, a indústria química brasileira, por meio do uso de matérias-primas renováveis e da biotecnologia, pode auxiliar o planeta a alcançar uma economia mais sustentável. Na opinião de Soto, para atingir essa meta, é preciso aumentar as pesquisas associadas à bioeconomia no País, incentivar o empreendedorismo – pois das startups e incubadoras podem surgir soluções em biotecnologia para a indústria –, adotar normas para aprimorar a transparência sobre o manipulamento genético e biológico, aumentando o acesso à informação pela sociedade em relação à análise de riscos e oportunidades e, finalmente, fortalecer a educação para a bioeconomia para que a população seja receptiva às mudanças.

    Exemplo de que a indústria química tem investido em inovação e biotecnologia para a redução das emissões é dado pela Novozymes, empresa cujo market share é concentrado na produção de enzimas. Conforme o vice-presidente da empresa América Latina, Pedro Luiz Fernandes, 14% do faturamento da empresa em 2014 foi investido em P&D. “A indústria química está percebendo que precisa se associar aos processos biotecnológicos porque muitos dos recursos usados hoje já estão exauridos. A biotecnologia pode ser uma das respostas para a essa exaustão do nosso meio ambiente”, afirma Fernandes.

    De acordo com o executivo, a Novozymes investe no desenvolvimento de enzimas eficientes e de baixo custo para a produção de etanol celulósico, que chega a emitir até 90% menos CO2 do que os combustíveis fósseis. Além disso, a análise do ciclo de vida dos produtos mostrou que a tecnologia da empresa faz com que a emissão de gás carbônico seja reduzida até 100 vezes. “E quando um cliente usa a nossa enzima, isso é potencializado em até 10 ou 15 vezes”, acrescenta.

    O empresário explica que há também produtos para tratamento de estação de efluentes e recuperação de solo degradado. Na área de agricultura, existe um portfólio de produtos de recuperação de solo e produtos para ração animal que melhoram a digestibilidade da ração, tanto avícola quanto bovina e suína, fazendo com que os animais emitam menos gás metano, que é um dos gases de efeito estufa.

     

    Outro caso é o da Basf, que investiu 1,9 bilhões de euros, em 2014, em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. De acordo com o gerente de Sustentabilidade Corporativa da Basf para a América do Sul, Emiliano Graziano, 60% desse investimento está nos produtos denominados pela empresa de Accelerators – que trazem contribuição significativa para o desenvolvimento mais sustentável, de acordo com a definição da empresa. Essa avaliação é realizada continuamente pela companhia e identifica a sustentabilidade das mais de 60 mil aplicações dos produtos em seu portfólio.

    Segundo o gerente da Basf, as metas da empresa não são baseadas apenas na redução das emissões, mas também na viabilidade de o produto ir para o mercado. “Determinamos metas, inclusive de vendas. Colocamos um objetivo ‘dentro de casa’, pensando no efeito positivo que ele pode ter na sociedade. No longo prazo, isso pode mudar o mercado e tornar a empresa mais lucrativa. Sustentabilidade é retorno financeiro, também”, completa.

    Um dos diversos produtos que oferecem soluções para ajudar a mitigar o problema das mudanças climáticas é o superabsorvente produzido no Complexo Acrílico da Basf em Camaçari-BA. Além de ser usado em fraldas descartáveis e absorventes íntimos, o produto tem aplicações também na agricultura. A meta anunciada pelo governo federal prevê a restauração e o reflorestamento de 12 milhões de hectares até 2020. “Para atingir essa meta, é preciso ter produtividade para o reflorestamento, o que exige sementes mais resistentes à seca. Uma alternativa é a transgenia, em biotecnologia, outra é a adição de superabsorventes no plantio, para que as sementes tenham maior chance de vingar”, explica Graziano.

    *Adriana Silva Nakamura é jornalista e assessora de comunicação da Abiquim



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