Couro e Curtumes

Indústria de tratamento de couro aposta em soluções sustentáveis para reduzir custos de produção – Abiquim

Quimica e Derivados
18 de julho de 2016
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    Química e Derivados, Abiquim: Indústria de tratamento de couro aposta em soluções sustentáveis para reduzir custos de produção

    As diversas etapas do tratamento químico do couro apresentam oportunidades de aumentar ainda mais a eficiência dos processos industriais e reduzir o consumo de água, energia e insumos.

    Texto: Adriana Nakamura

    A pele é a principal matéria-prima da indústria do couro, mas para transformá-la nos calçados, bolsas e estofados que se encontram no varejo, existe uma série de processos e tratamentos químicos essenciais para a conservação e qualidade dos produtos.

    De acordo com a professora Marina Vergílio Moreira, do Instituto Senai de Tecnologia em Couro e Meio Ambiente, para atingir o aspecto final de couro acabado, as peles são beneficiadas em operações e processos que começam na ribeira – também denominada beamhouse – passam pelo curtimento e, finalmente, o acabamento. As operações e processos de beamhouse têm como finalidade a limpeza e a eliminação de todos os componentes que não irão constituir o produto final, como os pelos, por exemplo.

    Na sequência, a pele vai para o curtimento, etapa que se caracteriza por um processo de estabilização da estrutura proteica. Segundo a professora Marina, o mais usual é que se realize esse processo com sais de cromo trivalente (cromo III). O produto dessa etapa é o couro wet-blue. Segundo levantamento de 2015 da pesquisadora espanhola Anna Bacardit, da Universidade Politécnica da Catalunha, o curtimento com sais de cromo III atinge aproximadamente 90% dos couros curtidos no mundo, seguido do processo de curtimento com taninos.

    Conforme afirma a professora Marina, do Instituto Senai de Tecnologia em Couro e Meio Ambiente, as etapas de ribeira (beamhouse) e curtimento são as que mais consomem água e produtos químicos e geram efluentes líquidos, resíduos sólidos e emissões atmosféricas. No entanto, tanto a academia quanto a indústria têm trabalhado para reduzir os impactos otimizando a eficiência dos processos e aplicando normas de gestão.

    “A proposta para a redução do impacto ambiental dessas etapas está bem estabelecida e acontece com o controle e substituição de produtos de toxicidade conhecida, além da redução quantitativa dos produtos utilizados no tratamento do couro, por meio do emprego de processos que usem quantidades mais próximas da estequiometria das reações envolvidas. A realização do balanço hídrico, além do emprego de reúso e da reciclagem de banhos, complementam essas ações. Com relação aos resíduos sólidos, sua minimização se dá com o controle operacional dos processos, além da aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos”, esclarece a professora. Essa Política foi definida pela Lei Federal nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, e pelo Decreto Federal nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010. Ambos diplomas legais estabelecem as bases para a gestão ambientalmente seguro dos resíduos sólidos.

    A professora Marina destaca também que o Instituto Senai Couro e Meio Ambiente incentiva a realização de estudos que promovam a valorização dos subprodutos do tratamento do couro e o estudo do consumo energético, a fim de reduzi-lo. “Atualmente muitos caminhos têm sido desenvolvidos para a minimização do impacto ambiental com êxito. Algumas práticas já estão consagradas, outras têm relevantes estudos em desenvolvimento em institutos de pesquisa e na academia”, completa.

    Pelo lado da indústria, Cristian Lucae, coordenador da Comissão Setorial de Produtos Químicos para Couros da Associação Brasileira da Indústria Química – Abiquim, lembra que já existe uma forte pressão de demanda por produtos mais sustentáveis e que atendam as normas do setor desde a extração do produto até o varejo, de forma comprovável por rastreabilidade. “Nos dias de hoje, existe uma conscientização das grandes marcas sobre declarações de substâncias restritas em produtos e produções, visando a compra de artigos sustentáveis, desde a criação do gado, passando pela escolha dos insumos químicos ecologicamente corretos, processos eficientes e atendimento a inúmeras exigências físico-químicas, protegendo a saúde do consumidor final e dos trabalhadores. Nesse âmbito, a participação da indústria química é primordial para o sucesso”, afirma Lucae.

    Ainda na linha da produção mais sustentável de couros, as indústrias químicas do setor associadas à Abiquim são signatárias do Programa Atuação Responsável, iniciativa voluntária da indústria química brasileira e mundial que visa a melhoria contínua da saúde, segurança, meio ambiente e sustentabilidade. Ao adotar o Sistema de Gestão desse porgrama, as empresas podem aumentar a eficiência de seus processos, reduzindo o consumo de recursos naturais, energia, combustível e matéria-prima, além de diminuir o risco de acidentes, a geração de resíduos, efluentes e emissões atmosféricas.



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