Construção Civil (cimento e contreto)

Concreto – Diversificação de materiais torna sistemas construtivos mais leves e limpos

Quimica e Derivados
27 de agosto de 2015
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    Embora tudo isso ainda seja muito novo no Brasil, a ideia de combinar materiais diferentes nos sistemas construtivos já é bastante difundida em outros países. De acordo com o professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador da área de gestão e economia da construção do Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação (Norie), Carlos Torres Formoso, o Japão é um exemplo de modernização da indústria da construção. “Várias empresas fazem casas pré-fabricadas no país e usam um leque enorme de materiais. Esse deveria ser o futuro da construção: materiais que permitem fazer uma construção industrializada, a seco, com pouco consumo de água e com possibilidade de reduzir o consumo energético, porque muitos desses materiais são produzidos em grande escala”, observa o professor. Formoso considera ser um problema a ênfase em sistemas que são muito baseados em concreto. “São sistemas monolíticos, paredes de concreto, lajes de concreto. A alternativa seria a combinação de vários materiais, explorando as vantagens de cada um”, afirma.

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    É o que acontece, por exemplo, com as placas cimentícias, produzidas no Brasil, desenvolvidas com a tecnologia CRFS (cimento reforçado com fios sintéticos), sem amianto. Elas são feitas de uma mistura de cimento, agregados naturais e celulose reforçada com fios de polipropileno. Recebem ainda tratamento adicional de impermeabilização por imersão, que confere maior estabilidade dimensional e resistência superficial à abrasão.

    Um sistema construtivo já usado no Brasil e destacado como inovador e sustentável pela gerente da Braskem, Mônica Evangelista, é o concreto PVC, no qual é feita uma forma permanente de policloreto de vinila (PVC) – produto da indústria química – que é preenchida com concreto. Mônica explica que a própria forma já serve como acabamento: “você não precisa de azulejo, é fácil de limpar, a casa já sai pronta”. Além disso, a técnica reduz aproximadamente 30% do desperdício, fator importante a se considerar, visto que são gerados aproximadamente 500 kg de resíduos de construção por habitante, por ano, segundo o relatório sobre produção anual de cimento Portland, do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, de 2010, citado em 2014 no artigo “Estratégias para minimização da emissão de CO2 de concretos”, de autoria de Vanessa Carina Heinrichs Chirico Oliveira, Bruno Luís Damineli, Vahan Agopyan e Vanderley Moacyr John, publicado na revista online da Associação Nacional de Tecnologia no Ambiente Construído (Antac).

    Também de PVC são feitos forros, toldos, esquadrias, pisos e telhas mais leves para residências, estabelecimentos comerciais e industriais. Além da redução do peso, o material apresenta resistência química e mecânica, levando a uma maior durabilidade.

    Existem ainda pisos constituídos por placas injetadas de polipropileno, que facilitam o escoamento da água e reduzem o custo e o tempo de instalação, e as tecnologias de macro e microfibras de polipropileno para reforço de pisos. O material substitui o aço usado para aumentar a resistência do concreto, na forma de telas ou fibras metálicas. Além de reduzir o peso, diferente do aço, o polipropileno não está sujeito à corrosão, que pode prejudicar o desempenho dos materiais metálicos, principalmente quando mal armazenados antes da instalação.

    Essa variada gama de soluções da química para arquitetura e construção civil atende aos mesmos requisitos de segurança dos materiais tradicionais, porém ainda é pouco difundida. Apesar das barreiras financeiras e ideológicas, a gerente da Braskem, Mônica Evangelista acredita que existe um potencial para os sistemas construtivos inovadores se desenvolverem no Brasil. “Mesmo em um mercado conservador, como é o de construção, tendo obras que já usam essas tecnologias, as pessoas começam a ter mais confiança. Precisamos levar a cultura de inovação que se vê no setor automobilístico, por exemplo, para a construção civil, que é muito menos industrializada. Com os sistemas industrializados, pode-se aumentar a produtividade de forma significativa e reduzir mão de obra, que hoje já é escassa para o setor”, aponta.

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    Na opinião do professor e coordenador do Norie, Carlos Torres Formoso, embora haja investimento privado na área de materiais, ainda falta investir no desenvolvimento de componentes de sistemas construtivos. Para o professor, isso acontece porque estes têm custo elevado e levam mais tempo para gerar retorno. Por isso, o especialista avalia que é preciso haver uma rede de fomento à inovação em vários estágios do desenvolvimento. “Para fazer um sistema construtivo inovador, é preciso realizar avaliações muito caras, como a de acústica e a de resistência ao fogo. O ideal seria ter um financiamento à pesquisa e, depois, um financiamento para a empresa inovadora, porque inovar é correr riscos. Não existe um organismo que pense a cadeia do fomento, apoiando todas as etapas de desenvolvimento da inovação”, observa. O professor considera ainda que, com a demanda do Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, deveriam ter surgido muito mais inovações no campo da indústria da construção do que de fato se verificou nos últimos anos.

    Adriana Silva Nakamura é jornalista e assessora de comunicação da Abiquim



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