Química

Abiquim 50 anos: Pré-Sal e biodiversidade garantem suprimento das matérias-primas

Quimica e Derivados
17 de dezembro de 2014
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    QD – O déficit na balança comercial cresceu muito. Por que?
    F.F. – Houve um salto de US$ 1,5 bilhão, em 1991, para os US$ 32 bilhões, no final do ano passado. E por algumas razões. A maior delas é a taxa cambial; o real valorizado competindo com países que mantém a taxa cambial artificialmente desvalorizada. É o caso da Índia e da China, há bastante tempo, e do Japão, desde o ano passado. A segunda razão são os incentivos fiscais concedidos pelos governos brasileiros para importação de produtos. O caso mais absurdo é da importação de intermediários para fertilizantes, que não pagam imposto algum, é alíquota zero. Consequentemente, não se investe no Brasil. Há projetos equivalentes a US$ 13 bilhões que não são realizados por causa desses incentivos fiscais à importação. O contribuinte brasileiro está pagando para gerar empregos no exterior. Também já aconteceu o absurdo dos absurdos, a guerra dos portos: alguns Estados concediam 9% de incentivo para importações. A terceira razão: o custo das matérias-primas e da energia no país não é competitivo internacionalmente. A quarta, como há capacidades ociosas no mercado internacional, como reflexo da crise de 2008-2009, muitos fabricantes vendem ao Brasil com dumping, isto é, vendem a qualquer preço. A quinta razão para o déficit químico é o custo Brasil. Carregamos alta carga tributária, direitos trabalhistas e direitos sociais, itens que outros países não têm. Nessas condições, não temos novos investimentos em algumas áreas.

    QD – O que significa a “onda verde” para o desenvolvimento do setor?
    F.F. – A minha visão é que este é um setor que vai crescer muito. Por volta de 2050-60, 25% da indústria química será proveniente de bases renováveis. Hoje é de 2% a 3%. Será preciso investir muito em pesquisa e desenvolvimento de produtos. Essa é uma oportunidade fantástica para atrair os jovens. Está tudo para ser feito ainda. O setor vai se beneficiar da onda verde, porque temos a maior biodiversidade do mundo. Esse assunto só não caminhou no Brasil por causa da legislação do acesso à biodiversidade. A legislação é tão restritiva… Mas, agora está para ser aprovada uma nova lei e isso irá deslanchar. As restrições devem diminuir, fundamentalmente. Hoje não se consegue autorização sequer para fazer pesquisa científica nesse campo.

    QD – O maior uso de matérias-primas renováveis e a maior produção de petróleo e de gás natural na área do pré-sal podem indicar o surgimento de uma nova era para o setor?
    F.F. – Acho que a nova era para o setor, nesse século, no Brasil, é o pré-sal. No século XXII, será o aproveitamento da biodiversidade.

    QD – Quais são as metas e os objetivos da entidade em relação ao segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, que começará no dia 1º de janeiro de 2015?
    F.F. – Para a indústria química é necessário, em primeiro lugar, uma política industrial que dê prioridade a agregar valor no Brasil aos nossos recursos naturais. Segundo ponto: energia elétrica com preços internacionalmente competitivos. Terceiro: infraestrutura adequada. É complicado, mas fizemos um estudo esse ano para identificar as necessidades logísticas e isso vai ser entregue ao governo. A indústria química sabe do que precisa em matéria de logística. É preciso executar obras, estaduais e federais. Quarto ponto: incentivos fiscais para a pesquisa de químicos à base de matérias- primas renováveis. É importante destacar que a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), está concluindo uma agenda tecnológica para químicos renováveis. É um trabalho incrível. Eles identificaram, com a ajuda de empresas e acadêmicos, as tecnologias que estão sendo desenvolvidas no mundo e as tecnologias que podem dar certo nos próximos 15 anos. E, agora, estão tentando ver qual é a posição do Brasil. Se há gente qualificada, se há laboratórios… Com certeza, essa vai ser uma ajuda fundamental para o empresariado que quiser trabalhar com a química de renováveis.

    QD – Como o sr. imagina a indústria química e a Abiquim na próxima década?
    F.F. – Vou ficar frustrado se a indústria química não for o setor mais brilhante da indústria brasileira. Temos todas as condições para isso. Temos mercado interno, matérias-primas, empresas multinacionais e nacionais sólidas. Em 2025 será assim. Para a Abiquim, será a continuidade desse papel de interlocutor do governo com a cadeia química. Talvez intensificando mais o diálogo com o Executivo e com o Parlamento, que ganha cada vez mais importância.



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