Química

Abiquim 50 anos: Pré-Sal e biodiversidade garantem suprimento das matérias-primas

Quimica e Derivados
17 de dezembro de 2014
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    Abiquim 50 anos: Pré-Sal e biodiversidade garantem suprimento das matérias-primas

    ABIQUIM

    A indústria química deverá ser o segmento mais brilhante da área industrial do país na próxima década. Do novo mandato da presidente Dilma Rousseff, que iniciará em 2015, espera-se uma política industrial que dê prioridade a agregar valor aos recursos naturais do país. Se o petróleo do pré-sal marca a era do setor nesse século, a biodiversidade assumirá o seu lugar no século XXII. Essas ideias forma expostas pelo presidente executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, que está há três anos na entidade. Nesta entrevista exclusiva, ele também comenta sobre os avanços da indústria química e petroquímica no Brasil nos últimos 50 anos, desde quando a entidade foi criada. Um novo período de desafios e oportunidades está-se desenhando agora.

    Química e Derivados, Fernando Figueiredo da AbiquimQuímica e Derivados – Como era o setor químico brasileiro antes da Abiquim?
    Fernando Figueiredo – O setor químico surgiu por volta da década de 1950, junto com a criação da Petrobras e com o esforço do presidente Juscelino Kubitschek em industrializar o país. A década de 1960 foi marcada por uma fase de estruturação. Era uma indústria nascente, mas as multinacionais já estavam no Brasil porque o mercado químico tinha a sua importância. Essas empresas revendiam produtos importados. A produção local começou para valer na segunda metade dos anos 1950 e com a construção dos polos petroquímicos.

    QD – Como o sr. vê o papel da Abiquim no desenvolvimento do setor?
    F.F. – A Abiquim teve um papel fundamental na construção dos polos petroquímicos. A entidade se reuniu para conversar com o governo federal sobre a criação dos três polos, oferecendo ideias e propostas. O papel da Abiquim foi muito ativo.

    QD – Qual é hoje a participação da indústria química no setor industrial total?
    F.F. – Está por volta de 10%. É o quarto PIB industrial do país, posição que ocupa desde 2008. No início da década de 1990 foi o maior PIB industrial. Fomos ultrapassados pelo setor automobilístico apenas recentemente. No ano passado, o faturamento líquido setorial foi de US$ 162,3 bilhões, uma expansão de 1,5% em relação ao exercício anterior. Ou de R$ 344,5 bilhões em 2013 (mais 10,7% em relação a 2012).

    QD – E a participação em relação ao mundo, de quanto é?
    F.F. – Temos hoje a sexta maior indústria química do mundo. O objetivo era ser a 5ª em 2020. Mas, provavelmente, vamos continuar em 6º lugar. Devemos ultrapassar a Coreia do Sul, mas a Índia vai nos ultrapassar. A China está em primeiro lugar no ranking, com um faturamento, em 2012, de US$ 1,4 trilhão. Logo abaixo estão os Estados Unidos, com US$ 769 bilhões.

    QD – A Abiquim teve uma atuação muito próxima do governo na definição de políticas setoriais. O sr. acha que o setor perdeu relevância junto ao Poder Executivo?
    F.F. – Não perdeu. Pelo contrário. Dentro do Plano Brasil Maior, criado pela presidente Dilma Rousseff, o conselho de competitividade da indústria química e petroquímica foi um dos mais efetivos. Todas as propostas que a indústria apresentou no Conselho se transformaram em realidade, incluindo o estudo de oportunidades de diversificação da indústria química. Esse estudo foi contratado pelo BNDES e realizado pela Bain & Company e pela GasEnergy. O estudo vai ser entregue no dia 26 de novembro, no Rio de Janeiro, na sede do BNDES. Foi uma tarefa de um ano e meio em que foram estudados muitos segmentos da indústria química para identificar oportunidades. A ideia é transformar em políticas públicas as conclusões do estudo. Mas esse já é um trabalho para 2015.

    QD – Qual é a importância atual da Abiquim?
    F.F. – Como todas as associações de classe, a Abiquim é o meio pelo qual o setor privado se comunica com o governo. A importância da indústria química é que, quando os polos foram construídos, o Brasil não tinha petróleo e nem gás. Se olharmos para o futuro, o Brasil será o quarto ou quinto maior produtor de petróleo do mundo e vai triplicar a produção de gás até 2030. Essas ainda são as duas matérias-primas principais para a petroquímica. Além disso, temos a maior biodiversidade do mundo e esta será a fonte mais importante da química para o século XXII. Temos uma sólida base de minerais para a utilização de produtos químicos – quartzo e terras raras, por exemplo. A Abiquim advoga um plano para agregar valor aos recursos naturais brasileiros dentro do país. Temos que parar de ser exportador de commodities para nos transformarmos em exportadores de produtos químicos industrializados. O déficit na balança comercial, de US$ 32 bilhões, é o maior do setor industrial. Na próxima década o setor químico vai ser o setor industrial mais brilhante do Brasil.


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