Abiquim 50 anos: Êxitos estimulam a preparar o futuro

Êxitos do passado estimulam a preparar o futuro do setor

A história do desenvolvimento recente da indústria química no Brasil se confunde com a trajetória da Associação Brasileira da Indústria Química. A Abiquim nasceu há 50 anos para representar a categoria em fóruns internacionais e ser o seu interlocutor junto aos governos federal e estaduais.

Nesse período, uma grande expansão aconteceu com a construção de polos petroquímicos, maciços investimentos – cerca de US$ 40 bilhões somente nos últimos 20 anos – e novas tecnologias de produção. O perfil da indústria mudou com as privatizações, nos anos 1990. No início do século XXI, o setor se reestruturou e o crescimento continuou.

Com a participação da Abiquim, fundada em junho de 1964, ergueu-se a sexta maior indústria química do planeta, com um faturamento líquido de US$ 162,3 bilhões no ano passado. O país está atrás apenas da China, Estados Unidos, Japão, Alemanha e Coréia do Sul. A 7ª economia do mundo possui 976 fábricas de produtos químicos de uso industrial cadastradas no Guia da Indústria Química Brasileira.

Mas, nem tudo são flores. As importações crescentes causam um grande desequilíbrio na balança comercial, que é responsável pela retração de investimentos no mercado interno, pelo menor nível de emprego etc. Por outro lado, o custo Brasil corrói a competitividade setorial.

Mesmo navegando em meio hostil, não faltam razões para apostar num futuro promissor. A disponibilidade cada vez maior de matérias-primas, como petróleo e gás natural, deverá servir de base para o crescimento da indústria petroquímica. Dados da Petrobras e do Ministério das Minas e Energia indicam que o país tem potencial para subir do 11º lugar na produção mundial de petróleo, em 2013, com 2 milhões de barris/dia, para a sexta posição, em 2030, com 6 milhões de barris/dia. Em 2013, as reservas brasileiras totalizavam 25,2 bilhões de barris. A produção de gás natural, que foi de 77 milhões de m3/dia, no ano passado, poderá atingir 143 milhões m3/dia em 2022. Com os investimentos previstos, é possível chegar a 250 milhões m3/dia em 2030.

A era do pré-sal e do gás natural está logo à frente. E o Brasil, que possui a maior biodiversidade do mundo, está muito bem posicionado também diante da “onda verde”, que está apenas começando. Na produção de químicos com base em matérias-primas renováveis, utilizam-se como insumos a celulose, o açúcar, os óleos vegetais e o amido; no caso de produtos de origem animal, o sebo bovino. Outras matérias-primas também disponíveis são as de origem mineral, como o quartzo, utilizado na produção de silicones; o lítio, na fabricação de baterias; e as terras raras, na produção de catalisadores e outros. Todos esses insumos estão disponíveis no Brasil em condições competitivas. Segundo a Abiquim, cabe ao governo estabelecer uma política industrial para agregar valor aos recursos naturais do país.

Comissões – As ações da Abiquim estão alicerçadas no trabalho de dez comissões setoriais e 19 temáticas, estruturadas para atender as demandas das 179 empresas associadas, entre sócias-efetivas (132 indústrias) e sócias-colaboradoras (47). Setoriais: Colas, adesivos e selantes; Corantes e pigmentos; EPS (poliestireno expandido); Insumos para borracha; Poliuretanos; Produtos químicos para couros; Resina poliéster insaturada; Resinas termoplásticas (Coplast); Saneamento e tratamento de água; e Silicones.

Temáticas: Assuntos aduaneiros e de facilitação de comércio exterior; Assuntos jurídicos e tributários; Atendimento a emergências; Comércio exterior; Consultiva do Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade (Sassmaq); Diálogo com a comunidade; Economia; Gerenciamento de produto; Gestão do Atuação Responsável; Imagem e comunicação; Logística; Meio ambiente e sustentabilidade; Parceiros do Atuação Responsável; Proteção empresarial; Recursos humanos; Segurança de processos; Segurança, higiene e saúde do trabalhador; Suprimentos; e Tecnologia.

Em plena maturidade, a Abiquim elabora desde estatísticas do setor a estudos específicos sobre atividades e produtos. Também acompanha as mudanças na legislação e assessora as empresas associadas em assuntos econômicos, técnicos e de comércio exterior. Em nível nacional, é responsável pela coordenação do Programa Atuação Responsável e pela operação do Pró-Química, além de administrar o CB-10 – Comitê Brasileiro de Normas Técnicas da ABNT.

A entidade integra diversos fóruns nacionais e internacionais, como o Conselho da Indústria Química do Mercosul (Ciquim) e o Conselho Internacional das Associações da Indústria Química (ICCA). Tem assento nos grupos de Liderança e de Advocacy de Energia e Mudanças Climáticas e de Política de Segurança Química e Saúde Humana do ICCA.

Representa o ICCA e a indústria química brasileira no Strategic Approach to International Chemicals Management/Grupo Latino-Americano e Caribe (SAICM/Grulac); participa da Organização para Proibição de Armas Químicas (OPCW/Opaq); é membro do Conselho Nacional de Segurança Química (Conasq) e da Comissão Técnica do Plano Indústria (CTPIn) sobre Mudanças Climáticas, coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior e pelo Ministério do Meio Ambiente, além de integrar conselhos e grupos de trabalho junto a organismos e entidades privados, como o Conselho Temático de Meio Ambiente da CNI (Coema), o Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), a Coalizão Empresarial para Patrimônio Genético, o GT Intersetorial sobre Produção e Consumo Sustentáveis, entre outros.

Química e Derivados, Faturamento líquido da indústria química mundial (2012)
Faturamento líquido da indústria química mundial (2012)

Atuação Responsável – O Programa Atuação Responsável é uma iniciativa da Abiquim destinada a apoiar a indústria química na gestão de suas atividades em saúde, segurança e meio ambiente, considerando os processos, produtos, instalações e serviços. Contribui para a promoção da competitividade e do desenvolvimento sustentável. O sistema reafirma o compromisso assumido pela indústria química brasileira, em abril de 1992, de atender os elementos-chave do Responsible Care Global Charter do ICCA.

O programa Olho Vivo na Estrada, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor), tem por meta reduzir o número de acidentes nas estradas com produtos químicos. O conceito básico é de que, antes de um grande acidente, ocorrem várias pequenas falhas nos equipamentos ou nas operações de transporte que não foram comunicadas à empresa. O Olho Vivo na Estrada incentiva o motorista a relatar essas ocorrências, possibilitando a adoção de ações preventivas ou corretivas. O treinamento é dado pelo Sest/Senat (Serviço social do Transporte e Serviço nacional de Aprendizagem do Transporte).

Criado em 2001, o Sassmaq tem o objetivo de reduzir ao mínimo os riscos inerentes das operações de transporte, estocagem e distribuição de produtos químicos. As prestadoras de serviços logísticos para produtos químicos são avaliadas por organismos certificadores independentes, para garantir o atendimento aos padrões técnicos estabelecidos pela indústria química. A avaliação pelo Sassmaq não é obrigatória, mas se considera que a sua aplicação gera um importante diferencial para as empresas certificadas, pela comprovação de que oferecem serviços qualificados nas operações de logística.

Para reduzir o risco de acidentes envolvendo o processo de descontaminação de tanques, a Abiquim publicou, em agosto de 2007, o Módulo Estação de Limpeza, desenvolvido para assegurar os melhores padrões nas operações de limpeza e descontaminação de tanques, isotanques, vagões-tanque e embalagens utilizados no transporte ou armazenagem de produtos químicos.

O Pró-Química, serviço de utilidade pública mantido desde 1989, opera 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Oferece orientações sobre precauções e ações de socorro em casos de emergência com produtos químicos e pode acionar, na ocorrência de acidentes graves, órgãos de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Rodoviária em qualquer parte do país. Fornece também informações relacionadas ao transporte, manuseio e armazenamento de produtos químicos. O telefone de discagem direta gratuita é 0800-11-8270.

A associação também organiza cursos, palestras, seminários e workshops com conteúdo prático, para atualização dos profissionais. O programa abrange as áreas técnica, jurídica, de comércio exterior e de economia, além de temas ligados ao Programa Atuação Responsável, como análise de riscos e segurança de processos. Entre os serviços especializados que a entidade oferece, destacam-se: acompanhamento legislativo; acordos internacionais de comércio; assessoria em comércio exterior; assessoramento jurídico; e assuntos regulatórios e sustentabilidade.

Química e Derivados, Investimentos concluídos e planejados de 1995 a 2018
Investimentos concluídos e planejados de 1995 a 2018

A entidade possui um cadastro com mais de 800 empresas químicas e vem acompanhando o perfil da produção dessas companhias, com informações sobre produtos fabricados, matérias-primas utilizadas, segmentos de aplicação, localização de fábricas, dados econômicos etc. É possível saber o que se produz e onde, em cada Estado da Federação. Entre os estudos especiais já desenvolvidos, destaque para “O futuro da indústria química no Brasil”, realizado em parceria com a Booz Allen Hamilton, o “Pacto Nacional da Indústria Química”, a “Demanda de matérias-primas petroquímicas e provável origem até 2025”, o “Estudo sobre logística”, a “Produtividade da mão de obra”, o “Uso do gás natural como matéria-prima” e “Energia elétrica”.

As principais publicações da Abiquim são as seguintes: Análise de balanços, Anuário da Indústria Química Brasileira, Guia da Indústria Química Brasileira, Relatório de Acompanhamento Conjuntural, Manual para emergências, Relatório de Estatísticas de Comércio Exterior, Relatório do SDI (reúne dados consolidados por semestre da produção, vendas internas, exportações e capacidade de produção por produtos e grupo de produtos químicos de uso industrial), Valor adicionado: setor químico brasileiro, Projetos de investimentos: produtos químicos de uso industrial, Custo da mão de obra na indústria química brasileira, Índice de quantum das vendas internas e índice de preços reais por grupos de produtos e Utilização da capacidade instalada por grupo de produtos.

  • Texto de Hamilton Almeida e fotos do arquivo da Abiquim

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