Nanotecnologia aplicada aos cosméticos – ABC Cosmetologia

Química e Derivados,

 

Em um mercado constantemente orientado para inovações, a nanotecnologia se apresenta como importante tendência na utilização de ativos e materiais encapsulados em aplicações cosméticas. Diversas metodologias têm sido desenvolvidas e os pesquisadores da cosmética moderna cada vez mais se propõem a investigar não só os componentes que proporcionam boas condições de tratamento à pele, mas também aqueles, que devido à maior penetrabilidade, agregam efeitos positivos aos demais níveis da organização cutânea, quando inseridos em minúsculas cápsulas.

Tecidos, células, orgânulos citoplasmáticos e moléculas são ativados, beneficiados e regenerados por meio das reações biológicas com estas novas composições de partículas de ínfimas dimensões, que atuam como transportadores de enzimas, proteínas, vitaminas e demais ingredientes ativos naturais e sintéticos.

A nanotecnologia é definida como o estudo da técnica de encapsular substâncias com diâmetro entre 100 nm e 500 nm. Para percebermos o tamanho da partícula consideramos que um nanômetro, milimícron ou um milionésimo de milímetro é uma unidade de comprimento que equivale à bilionésima parte de um metro, correspondente a 1×10-9 m.

A unidade é representada pela abreviação nm e pertence ao Sistema Internacional de medidas. É comumente usada para medição de comprimentos de ondas das radiações eletromagnéticas, tais como a radiação infravermelha, luz visível (400 nm a 700 nm), radiação ultravioleta, raios x, radiação gama, átomos, moléculas, etc..

Assim, os sistemas da nanotecnologia são formados de partículas de dimensão diametral menor que 1000 nm (FRONZA, 2007, p. 57). As nanopartículas têm propriedades únicas que, devido ao tamanho, se diferenciam quando comparadas com a forma a original das substâncias, as quais se encontram no interior de cápsulas ou vesículas, protegidas de possíveis alterações físico químicas.

Várias aplicações têm sido sugeridas na composição de diversos produtos da indústria cosmética, que busca aproveitar ao máximo as oportunidades apresentadas pela nanotecnologia, facilitando os mecanismos de entrega de ingredientes ativos cosméticos de forma gradativa e de liberação continua às camadas da pele.

Os nanomateriais tem a finalidade de proporcionar melhor desempenho à uma vasta gama de produtos cosméticos, desde cremes de ação hidratante a produtos específicos destinados ao antienvelhecimento da pele, aos cuidados com os cabelos, o cuidado oral e principalmente quando aplicados em produtos para a proteção solar. O uso de dióxido de titânio e óxido de zinco microencapsulados evitam os danos dos raios UV sobre a pele, cujo desempenho tem se demostrado muito mais eficaz que os produtos formulados com partículas maiores.

Poderíamos abordar vários produtos que atualmente estão disponíveis no mercado mundial, entretanto por uma questão de diversidade selecionado para este tema um breve estudo dos lipossomas.

Microscopicamente, os lipossomas são pequenas esferas gordurosas, descobertas em 1961 por Alec D. Bangham, no Institute for Minai Physiology, em Cambridge, Inglaterra.

Enquanto estudando a influência dos fosfolipídios na coagulação sanguínea, Bangham aplicou um filme formado de fosfolipídio com água sobre uma lâmina de vidro. Tempos depois ele verificou que pequenas vesículas fechadas de fosfolipídio contendo água se formaram, as quais podiam ser observadas através do microscópio.

Desde então, as propriedades destas esferas, bem como as possibilidades de utilização em diversos campos tem sido investigadas. Atualmente, são estudadas a aplicação na farmacologia, biologia e na medicina, no sentindo de aumentar a solubilidade de substâncias insolúveis e constituir um sistema de proteção para substâncias ativas.

Como definição mais ampla, os lipossomos são partículas compostas de duas ou múltiplas cadeias de fosfolipídios, contendo no seu interior solução aquosa. Correspondem assim ao modelo primitivo de membrana celular.

TIPOS DE LIPOSSOMAS

Os lipossomas possuem variações em seu tamanho, podendo ser vesículas unilamelares ou multilamelares.

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FIG. 1. – Lipossoma unilamelar e multilamelar

FORMAÇÃO DAS LIPOSSOMAS

É explicada pela da estrutura dos fosfolipídios.

Ex.: Estrutura dos fosfolipídios, como a lecitina

 

Suas moléculas atuam como um tensoativo, ou seja possuem regiões hidrofílicas e lipofílicas respectivamente na molécula.

Esquematicamente são representadas como se segue:

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Compostos com esta característica tendem a formar espontaneamente lipossomos, quando o diâmetro do grupo da cadeia hidrofílica (cabeça) corresponde à cauda da cadeia lipofílica. Estas condições atendem idealmente os fosfolipídios.

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FIG. 2 – Secção transversal de um lipossoma

a – Transportadoras de substâncias ativas: De acordo com o processo de fabricação, podem-se obter diferentes tipos de substâncias internas do lipossoma. Atuam como transportadores de enzimas, antibióticos, proteínas, vitaminas e outros tipos de ingredientes ativos.

A substância encapsulada pode ser hidrofílica ou lipofílica, dependendo de sua característica.

b – Protege as substâncias ativas sensíveis

A substância ativa não pode ser metabolizada isto é, são conservadas as funções fisico-químicas das substâncias ativas internas.

c – Prolonga o tempo de ação das substâncias ativas no organismo, aumentando o intervalo entre as aplicações.

MECANISMO DE AÇÃO

Os lipossomos libertam seus princípios ativos de três modos:

1. Difusão das substâncias ativas através das paredes intactas da vesícula.

2. A substância ativa é liberta após a decomposição do lipossoma

3. Fusão do lipossoma com adequada estrutura lipofílica libertando assim a substância ativa.

As interações entre as células e os lipossomas se dão através da absorção da membrana celular. São capazes de se acumular em cada tipo de célula (adsorção) e lentamente libertar seus conteúdos. Aumentam a barreira de permeabilização epitelial, a qual é composta de membranas lipídicas inseridas nos espaços intercelulares do extrato córneo.

As preparações comerciais dos lipossomas podem ser compostas de leticinas consideradas como fosfatidilcolina, obtidas da soja purificada ou da gema do ovo, por exemplo. São utilizadas nas formulações em dosagens compatíveis com a eficácia que se deseja, de acordo com estudos e pesquisas de desenvolvimento prévias, e são incorporadas na fase aquosa das emulsões em geral, a temperaturas menores que 40°C.

Como conclusão, podemos entender que existem vários tipos de opções de produtos nanoestruturados, como lipossomas, nanossomas, nanosoferas, fitossomas entre outros, de acordo com o tamanho das partículas, destinados a diferentes aplicações cosméticas, de acordo com o veículo interno e a função básica.

Contudo, há a preocupação com os possíveis riscos no uso dos nanomateriais, sendo que ainda há alguma controvérsia sobre a sua segurança. Por um lado, temos as partículas solúveis ou biodegradáveis e que se desintegram em seus componentes moleculares, os quais, por sua vez, são atóxicos. Essas são partículas muito utilizadas na área dos nanomedicamentos e nanocosméticos. (portal.anvisa.gov.br/…/Relatoriodoseminario de inovação).

De acordo com a Portaria Nº 1.358, de 20 de agosto de 2014, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, foi instituído em 2014 o Comitê Interno de Nanotecnologia da Anvisa. Entre as atribuições do comitê, está a elaboração de normas ou guias específicos para a avaliação e controle de produtos que utilizam nanotecnologia. A regulamentação da nanotecnologia em produtos cosméticos ainda não está propriamente definida tanto no âmbito internacional como local.

Texto: Engª. Enilce Maurano Oetterer

Referências bibliográficas:

1. http://www.azonano.com/article.aspx?ArticleID=3100

2. http://www.unifil.br/portal/arquivos/publicacoes/paginas/2012/8/485_759_publipg.pdf
Aline Barriquello Rosa; Mylena Cristina Dornellas da Costa

3. Nanocosméticos – Em direção ao estabelecimento de marcos regulatórios. Fronza, T.; Guterres, S.; Pohlmann, A.; Teixeira, H.

4. https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/93251/271072.pdf?sequence=1

5. Na Indústria do átomo a beleza é Inteligente, enquanto questões de governança são nanoestruturadas Autora: Denise Maria Nunes

6.http://home.uevora.pt/~ueline/quimica_para_todos/lipossomas_e_as_suas_aplicacoes_na_actualidade.pdf Célia Antunes

7. Fig1: https://pt.wikipedia.org/wiki/LipossomaLipossoma Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

8. Fig2. http://quimicaparatodosuevora.blogspot.com.br/2011/01/lipossomas-e-as-suas-aplicacoes-na.html

9 . ANVISA – Agência de Vigilância Sanitária http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/fb117d80436c3cacb1b5b72a042b41f5/Diagn%C3%B3stico+Institucional+de+Nanotecnologia+-+CIN+2014+-+Dicol.pdf?MOD=AJPERES.
http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/6daa1f0047ad4519a431af917d786298/Relatorio+do+SEMINARIO+DE+INOVACAO+TECNOLOGICA+EM+SAUDE.pdf?MOD=AJPERES

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Enilce Maurano Oetterer

10. Componentes Bioativos de Última geração – Material didático elaborado por Enilce Maurano Oetterer- Curso ministrado no Senac

Enilce Maurano Oetterer, diretora da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), é formada em Engenheira Química e especialista em Gestão de Negócios de Ingredientes Cosméticos e Cosmetologia Aplicada. Desenvolveu carreira em empresas nacionais e internacionais fabricantes e distribuidores de insumos para os segmentos de indústria de cosméticos. Atualmente, é sócia-diretora da Encosmética Consultoria Ltda. Contato: [email protected]

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