ABC Cosméticos: O uso das substâncias bioativas na prevenção do envelhecimento da pele

Química e Derivados, ABC Cosméticos: O uso das substâncias bioativas na prevenção do envelhecimento da pele
O estudo das substâncias bioativas está associado à composição bioquímica das células, que faz prever a existência de uma complexa organização estrutural envolvendo a citologia, histologia, anatomia e suas alterações morfológicas.

Texto: Engª. Enilce Maurano Oetterer

Química e Derivados, ABC Cosméticos: O uso das substâncias bioativas na prevenção do envelhecimento da peleA cosmetologia a ciência que estuda a interação e o efeito dos cosméticos no ser humano. Poderíamos retroceder às origens e constatar que a sua história se inicia com as primeiras manifestações artísticas da humanidade. Entre elas, o adorno do próprio corpo constituía uma prática que impulsionava a criação de expressões de beleza, associadas a um padrão social.

Provas dessas manifestações foram encontradas em gravuras, pinturas humanas e tumbas de antigas civilizações, como a egípcia, na qual era amplamente difundido o emprego de substâncias corantes e pigmentos naturais, pincéis, paletas e outros elementos, com o propósito de melhorar a aparência externa do corpo.

Avançando-se no tempo, essa prática se estendeu não só à decoração, como também aos cuidados e conservação da pele.

Inúmeras substâncias com propriedades cosméticas têm sido pesquisadas e desenvolvidas desde a antiguidade e atingem modernamente elevado grau de tecnologia e sofisticação. Hoje é possível realizar tratamentos cosméticos com resultados altamente satisfatórios, principalmente no que diz respeito à prevenção do envelhecimento cutâneo, graças ao avanço das ciências médicas, químicas, físicas e biológicas.

Estudos realizados em biologia demonstram que muitas substâncias são dotadas de particular atividade eutrófica e estimulante à pele. Assim, a partir de uma fórmula cosmética básica e satisfatória, podem ser atingidos melhores níveis de eficácia e qualidade dos produtos cosméticos acabados, com a incorporação de tais ingredientes.

Esse enfoque nos dá a diretriz para a abordagem do tema, destacando a relação entre o uso de componentes modernos, ativos de última geração, classificados no campo das substâncias de componentes bioativos, e a debatida questão da prevenção e conservação, estendendo-se até ao rejuvenescimento cutâneo.

A química da pele

A análise química da pele que constitui os seres vivos revela a presença constante de certas substâncias encontradas na epiderme, derme e hipoderme, que podem ser classificadas forma simplificada em dois grupos:

• Substâncias inorgânicas: água, sais minerais insolúveis e solúveis dissolvidos na forma iônica, como cálcio, magnésio, ferro, fosfatos, potássio, sódio e cloro.

• Substâncias orgânicas: carboidratos, lipídios, proteínas, ácidos nucleicos e vitaminas.

Assim, na tentativa de desenvolver novas moléculas ativas cosméticas destinadas ao tratamento de antienvelhecimento cutâneo, uma das diretrizes de pesquisa é identificar substâncias que se aproximam ao máximo à química dos componentes das células da pele.

A questão aqui se torna complexa, tendo em vista os vários grupos de elementos que apresentam propriedades bioativas e possuem características micro energéticas.

Podemos classificá-las de forma ampla, segundo a sua origem, nas seguintes categorias:

• Proteínas
• Vitaminas
• Enzimas
• Extratos hormonais
• Extratos de origem animal
• Extratos vegetais
• Oligoelementos
• Bio-polímeros
• Aminoácidos
• Carboidratos

Todas atuam sinergicamente e sua atividade será tanto maior quanto melhor for o grau de penetração na pele. Convém destacar que a utilização desses componentes bioativos nos cosméticos não é exatamente um novo conceito, uma vez que em épocas históricas distantes se costumava usar leite de origem animal, como o de cabra ou vaca, por exemplo, que foram considerados imprescindíveis para a beleza facial e corporal durante várias gerações.

Extratos orgânicos obtidos dos órgãos de animais – como fígado, glândulas mamárias, placentas, ovários etc. – foram utilizados na busca de uma especial ação biológica, sem se ter muito conhecimento do mecanismo de ação sobre a pele, contudo, seus benefícios eram reconhecidos.

Modernamente, essas fórmulas primitivas passaram praticamente para a história da cosmetologia e, atualmente, com os avanços tecnológicos, é possível isolar as substâncias dotadas de propriedades bioativas de modo eficiente, obedecendo às normas da metodologia específica, apoiadas na ciência.

A evolução tecnológica dos processos de fabricação e o desempenho industrial têm contribuído favoravelmente para com o trabalho dos técnicos no desenvolvimento de fórmulas eficazes, padronizadas quantitativa e qualitativamente, originando produtos altamente satisfatórios em termos de qualidade, assegurando a eficácia e a segurança dos produtos acabados.

Alguns exemplos de ingredientes utilizados no mercado pertencentes às categorias acima mencionadas:

Ácido hialurônico, substância do organismo humano, cuja função é preencher os espaços entre as células;

Vitamina E, Vitamina C de ação antioxidativa, atuam na organização do mecanismo de defesa antioxidante;

Vitamina A e seus derivados ácidos, como retinóico;

Dimetilaminoetanol (DMAE), substância encontrada nos peixes;

Alfa hidroxiácidos (AHA), presente nas frutas;

Sirtuínas, como enzimas proteicas;

Peptídios, biomoléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos;

Química e Derivados, Enilce Maurano Oetterer, diretora da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC)
Enilce Maurano Oetterer

O tratamento cosmético dentro da tendência moderna mundial admite que as causas do envelhecimento estejam relacionadas, além dos fatores intrínsecos decorrentes do tempo, com as alterações no nível celular e, mais precisamente, com a sua estrutura mais interna, o núcleo e suas codificações genéticas conhecidas como a molécula do DNA e suas alterações.

Com as várias hipóteses de origens genéticas, condições ambientais, falhas do sistema imunológico entre outras, torna-se interessante, cada vez mais, relacionarmos esses fatores à ação benéfica dos componentes com princípios bioativos, por serem naturais ao meio do maior órgão do corpo: a pele.

Enilce Maurano Oetterer, diretora da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), é formada em Engenheira Química e especialista em Gestão de Negócios de Ingredientes Cosméticos e Cosmetologia Aplicada. Desenvolveu carreira em empresas nacionais e internacionais fabricantes e distribuidores de insumos para os segmentos de indústria de cosméticos. Atualmente, é sócia-diretora da Encosmética Consultoria Ltda. Contato: [email protected]

Um Comentário

  1. Eu sou estudante de química e estou a procura de estágio, estou planejando um projeto justamente sobre a estética da pele, vocês poderiam me ajudar ?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.