Ativos repelentes de insetos – ABC

– Ativos repelentes de insetos: Desenvolvidos com a finalidade de afastar os insetos, os repelentes são classificados como produtos cosméticos e apresentam-se no mercado nas mais variadas formas de loções, misturas líquidas, spray entre outras e são aplicados sobre a pele.

De acordo com a realização de estudos e testes de eficácia específicos, os repelentes devem ser aprovados pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

São indicados na prevenção de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, assim denominado em nomenclatura taxonômica, popularmente conhecido como mosquito-da-dengue ou pernilongo-rajado, sendo o principal vetor dos vírus da Dengue, Chicungunya e Zika.

Os vírus da dengue são transmitidos pela fêmea do mosquito Aedes aegypti, que quando também infectada, pode causar tanto a manifestação clássica da doença quanto a forma considerada hemorrágica.

Ativos dos repelentes de insetos

Várias matérias primas fazem parte das diferentes composições químicas dos repelentes de insetos encontrados no mercado. Segundo a Anvisa, as substâncias ativas aprovadas para a utilização em formulações de produtos repelentes são:

  • ICARIDIN: Também conhecida por, Icaridina®, Picaridina ou KBR 3023, é um princípio ativo sintético derivado da pimenta, com INCI name: Hydroxyethyl Isobutyl Piperidine Carboxylate.
©QD Foto: divulgação ABC
ICARIDIN

  • IR3535®: É um repelente de uso tópico, com amplo espectro, considerado não tóxico para humanos, incluindo lactantes, gestantes e crianças. INCI NAME: ethyl butylacetylaminopropionate. É efetivo contra diversos tipos de mosquitos (Anopheles gambiae, Anopheles funestus, Aedes aegypti, Aedes albopictus).

©QD Foto: divulgação ABC

  • DEET: Composto químico que atua como repelente de insetos. Nome químico: N,N-dimetil-meta-toluamida ou N,N-dimetil-3-metilbenzamida ou Benzamida, N,N-dietil-3-metil; No Brasil comercialmente indicado como Diethyl Toluamide.

    Desenvolvido pelo exército norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial, originalmente foi testado como pesticida em áreas rurais. Passou a ser utilizado pelos militares em 1946 e em 1957 para o uso civil.

    Foi produzido para ser aplicado diretamente na pele ou nas roupas, tendo como principal função proteger contra picadas de insetos, carrapatos e artrópodes.

©QD Foto: divulgação ABC

No Brasil os produtos que são vendidos como repelentes para uso na pele, tem o nome do princípio ativo indicado na embalagem como Diethyl Toluamide e sua concentração varia, geralmente, entre 5% a 15%.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo norte-americano a eficácia e a duração do DEET como repelente varia segundo os seguintes parâmetros:

  • Concentração do princípio ativo (concentrações inferiores a 10% duram até 2 horas)
  • Temperatura ambiente
  • Nível de atividade física do usuário
  • Quantidade de transpiração, exposição à água, remoção por atrito, entre outros

Princípios ativos dos repelentes recomendados

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os princípios ativos dos repelentes recomendados são:

  • Icaridin (KB3023): uso permitido no Brasil em crianças a partir de 2 anos de idade em concentração de 25%, cujo período de proteção chega de 8 a 10 horas.
  • DEET: Em concentração de até 10% pode ser utilizado em maiores de 2 anos, sendo que não deve ser aplicado mais que 3 vezes ao dia em crianças de 2 a 12 anos.
  • IR 3535: concentração de 30% é permitido pela Anvisa para crianças acima de 6 meses.
    Seu período de proteção conferido é de 4h.

Cuidados do consumidor na hora de comprar o repelente

O consumidor deverá ficar atento em observar a rotulagem do produto, verificando as instruções de uso, no que se refere ao modo de aplicação, às condições de armazenamento e precauções, bem como os seus cuidados no manuseio. É importante observar se o repelente é adequado para o uso em crianças.

Química e Derivados, ABC - Ativos repelentes de insetos

Precauções no uso de repelentes sobre a pele

  • Ler as instruções antes de usar
  • Escolher os produtos, de acordo com a idade do usuário
  • Não deverá ser utilizado sobre a pele irritada ou com apresentar lesões
  • Não usar nenhum tipo de pulverizador diretamente sobre o rosto
  • Em casos de transpiração intensa, reaplicar o produto
  • Não ingerir e não o inalar o produto
  • Aplique o produto de forma homogênea em todas as partes expostas da pele
  • Aplique primeiramente o produto nas mãos e a seguir leve ao rosto
  • Não aplique na região dos olhos, boca e mucosas

O uso de repelentes não dispensa nem substitui as demais medidas no combate às doenças transmitidas por mosquitos.

De acordo com o Center for Disease Control ( CDC), para os repelentes DEET, IR3535, Icaridin, OLE -Óleo de Eucalipto Citriodora, IR3535, a sua aplicação deve ser feita com os seguintes cuidados:

  • Aplicar apenas nas partes de pele descobertas e nas roupas conforme as indicações do fabricante, nunca devendo ser aplicado sobre a pele coberta por roupas
  • Não aplicar sobre ferimentos, alergias e irritações da pele
  • Nunca aplicar diretamente no rosto (aplique nas mãos e espalhe na face) nem aplicar nos lábios, olhos e mucosas
  • Lavar as mãos após aplicar para evitar contatos com os olhos e ingestão acidental
  • Crianças não devem manipular repelentes. Os adultos devem antes aplicar em suas próprias mãos e depois espalhar delicadamente na pele das crianças. Nunca aplique repelentes nas mãos das crianças, para evitar ingestão ou contato com os olhos, acidentalmente

Em tempos de crise econômica, é comum as pessoas buscarem soluções mais econômicas e caseiras, entretanto essa prática deve ser evitada, pois embora as receitas caseiras possam ter relativa propriedade de ação repelente, a composição normalmente não é submetida aos testes dermatológicos de alergenicidade, toxicidade, irritações cutâneas e aos testes de eficácia, relativo a dosagem e tempo de reaplicação. Dessa maneira, sem os testes apropriados, o usuário pode supor que está protegido, mas corre o risco de ser picado por mosquitos transmissores de doenças com consequências nocivas à saúde.

Óleos naturais


Estudos demonstraram que alguns os óleos essenciais apresentam poder de repelência de insetos eficaz. De acordo com a Anvisa, existem ainda produtos registrados contendo como substância ativa o extrato vegetal ou o óleo de plantas do gênero Cymbopogon nardus, conhecida como Citronela, sendo que esta propriedade está associada à presença de maiores teores de 3,8 paramentanodiol, derivado terpênico encontrado nos óleos essenciais de citronela e eucalipto citriodora, na razão de 0,5 a 1,0%.

Ativos repelentes: o avanço em tecnologias e pesquisas


Devido à crítica situação da saúde pública relacionada ao aumento das doenças decorrentes do mosquito transmissor da Dengue, Chikungunya e do Zika, o Brasil tem avançado no combate das doenças, através de estudos e pesquisas com foco no desenvolvimento de novas combinações de ativos derivados de mistura óleos essenciais de plantas como alecrim, cravo, citronela e andiroba e outras de ação repelente. As plantas compõem rica fonte de pesquisa e muitos dos exemplares estudados mostraram-se promissores.

Fatos divulgados revelam que têm sido desenvolvidos projetos cuja iniciativa propõe o incentivo ao cultivo das plantas de ação repelente como Citronela, Eucalipto, Lavanda, Gerânio, entre outras, como método natural de combate à dengue, para os espaços externos como jardins, praças e demais ambientes externos. A árvore Nim, de origem asiática, tem grande importância no combate dos insetos, inclusive o Aedes aegypti. Todas as partes da planta são usadas na medicina tradicional e na agricultura.

No entanto, para a inserção definitiva e segura de produtos botânicos no mercado de repelentes, estudos sobre mecanismos de ação, fitotoxidade, eficácia e a real segurança do consumidor ainda são necessários.

Concluindo, estudos e desenvolvimento de novas moléculas de ação repelente se fazem cada vez mais prioritários, devido à possibilidade de escassez das matérias primas de ação repelente, com o objetivo de evitar a proliferação das várias doenças associadas aos vetores transmissores e mencionamos aqui o parecer da Anvisa: “A melhor maneira de evitar os focos do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, combater a Dengue, a Chikungunya e a Zika, ainda é a prevenção”.

Referências

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Consultas Públicas. Área de Repelentes
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/perguntas-e-respostas-zika
http://www.visa.goias.gov.br/pagina/ver/12351/vetor-da-dengue-febre-amarela-e-febre-de-chikungunya http://www.jornaldosudoeste.com.br/noticia.php?codigo=3419
http://www.auepaisagismo.com/?id=Plantas-que-atuam-como-inseticidas&in=749
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-05722011000400016
http://www2.ib.unicamp.br/profs/eco_aplicada/arquivos/artigos_tecnicos/REPEL%20MOSQUITOS%20Base%20T%E9cnica%20fim%20fim.pdf
http://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_planta=373196
https://pt.wikipedia.org/wiki/

©QD Foto: divulgação ABCEnga Enilce Maurano Oetterer
e-mail: [email protected]
www.encosmetica.com.br

Texto: Engª. Enilce Maurano Oetterer

 

Leia Mais:

2 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.