A pele da mulher na menopausa – ABC

Em 2019, a Organização das Nações Unidas (ONU) noticiou que pela primeira vez na história o número de idosos havia ultrapassado o número de crianças no mundo.

Estima-se que em 2030 o Brasil será um país idoso, com o número de pessoas acima de 60 anos maior do que os abaixo dessa idade (o que já acontece em algumas cidades de maneira mais isolada).

O envelhecimento é um processo biológico natural, dinâmico, progressivo e irreversível que chega tanto para os homens como para as mulheres.

Entretanto, para algumas mulheres, mais temido do que o processo de envelhecimento é a chegada da menopausa.

A menopausa é a fase da vida da mulher, em geral, entre os 45 e os 55 anos, na qual ocorre o último ciclo menstrual, ou seja, o marco do cessamento da sua capacidade reprodutiva.

Durante o climatério, fase que antecede a menopausa, iniciam-se as alterações hormonais, e a mulher passa a ter sintomas como irregularidade do sono, fadiga, ansiedade, sensação de calor, menstruação irregular, ganho de peso, mudança de humor, queda de cabelos e secura na pele, entre outros.

Aos poucos, com o declínio da produção de estrogênio e progesterona, diminui também a produção de fibras de elastina e colágeno.

Isso gera um aumento da flacidez, perda de elasticidade e tônus. A pele fica mais fina, frágil e ressecada.

O envelhecimento cutâneo

O envelhecimento cutâneo é um processo biológico complexo, influenciado por uma combinação de fatores intrínsecos e extrínsecos, sendo definido como o acúmulo de dano molecular produzido por radicais livres.

Química e Derivados - A pele da mulher na menopausa - ABC ©QD Foto: iStockPhoto
Ana Carolina Ribeiro – Diretora Técnica da ABC – Associação Brasileira de Cosmetologia

Ao contrário dos órgãos internos que não deixam visivelmente perceptíveis os efeitos da idade, o envelhecimento cutâneo tem grande importância social.

Dentre os fatores externos que aceleram o processo do envelhecimento cutâneo estão os fatores ambientais, também chamados de expossomas, principalmente: radiações solares (ultravioleta, luz visível e infravermelho), poluição do ar, tabagismo, má nutrição e uso inadequado de produtos cosméticos.

Esses expossomas produzem radicais livres, que danificam os telômeros, enzimas e membranas celulares do DNA.

Intrinsicamente, as mulheres, que antes eram protegidas pelos efeitos antioxidantes que os estrogênios desempenhavam, com a menopausa ficam mais susceptíveis aos radicais livres e aos produtos de glicação.

A epiderme é um tecido que se autorrenova ao longo de toda a vida.

As células são capazes de se dividir apenas por um número restrito de vezes, antes de sofrerem a parada permanente da divisão celular que durará até a morte.

A desaceleração da renovação epidérmica e do ciclo celular, durante o processo de envelhecimento, resulta numa barreira cutânea menos efetiva.

Os fibroblastos dérmicos são altamente prolíficos durante o desenvolvimento embrionário; na pele adulta, ao contrário, são normalmente células quiescentes.

Na derme, alterações na estrutura da fibrilina, bem como a ação de metaloproteinases e outras proteases, geram uma diminuição do conteúdo de colágeno.

Soma-se o fato de que na matriz extracelular da pele envelhecida as glicosaminoglicanas podem estar associadas a material elastótico anormal, funcionando de forma ineficaz, além da diminuição acentuada do ácido hialurônico.

Esse comprometimento dos constituintes da derme é a alteração mais importante da pele na menopausa e se caracteriza pelo seu afinamento, fragilidade, formação de linhas de expressão e de rugas, resultando em uma perda da arquitetura estrutural da pele.

Prevenção e tratamento

Como já foi dito, o envelhecimento é um processo irreversível, entretanto as tecnologias cosméticas atuais proporcionam que a mulher tenha uma pele macia, hidratada e cheia de vitalidade, mesmo na menopausa.

O primeiro passo para esse bom funcionamento da pele vem de um estilo de vida adequado, com a ingestão de alimentos saudáveis e de água, a prática de atividade física e uma boa saúde mental.

Tudo isso associado a cosméticos que tenham uma ação:

* Hidratante: manter a pele sempre hidratada, desenvolvendo adequadamente sua função de barreira, é o primeiro passo para a prevenção do envelhecimento.

A hidratação não se restringe apenas à utilização de produtos hidratantes adequados, mas também à utilização de higienizantes suaves, com pH fisiológico, que não retirem o manto hidrolipídico da pele.

A hidratação adequada deve ser realizada a vida toda, desde a infância, e em todos os tipos de pele.

* Regulação da microbiota: a nossa pele é repleta de microrganismos que auxiliam na regulação das atividades metabólicas da pele e agem protegendo contra agentes externos.

A utilização de ativos pré e pós-bióticos auxiliam na manutenção dessa microbiota, o que resulta em uma pele com menor inflamação, maior capacidade de barreira cutânea e ação antioxidante.

* Proteção solar: os raios ultravioleta são os maiores vilões para o envelhecimento cutâneo, geram uma degradação intensa das fibras de colágeno e elastina.

A partir dos seis meses de idade, é indicado o uso de fotoprotetores quando há a exposição solar.

Os produtos mais modernos incluem a proteção contra a luz visível, que também intensifica o processo de envelhecimento cutâneo.

É importante escolher um protetor solar que melhor se adequa ao tipo de pele e lembrar sempre que tão importante quanto a aplicação é a reaplicação do longo do dia.

* Antioxidante e antiglicante: o corpo naturalmente produz substâncias, como enzimas e vitaminas, que combatem os radicais livres e os produtos de glicação.

Essa proteção natural é diminuída ao longo dos anos, o que aumenta a necessidade dessa proteção através da aplicação tópica de cosméticos com ativos que apresentem essa atividade.

* Redensificação: com o passar dos anos e a chegada da menopausa, a degradação da derme leva a uma perda do volume cutâneo.

Nesse caso, torna-se interessante incluir no tratamento os produtos que têm a capacidade de melhorar a densidade da matriz extracelular na derme e, com isso, resultar numa redensificação da pele.

E, para finalizar, quero voltar ao parágrafo inicial, onde menciono que a população mundial está envelhecendo graças ao aumento da expectativa de vida.

Com isso fica aqui o desejo de que a menopausa e as alterações que ela traz para a mulher deixem de ser um momento doloroso na vida das mulheres e que a próxima geração traga uma atitude positiva para esse o envelhecimento hormonal, com cuidados in e out que tornem esse ciclo saudável e natural.

Texto: Ana Carolina Ribeiro – Diretora Técnica da ABC – Associação Brasileira de Cosmetologia

Química e Derivados -

ABC Cosmetologia

A Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC Cosmetologia), é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 10 de abril de 1973, com objetivo de promover o desenvolvimento da cosmetologia nacional.
Formada por um grupo de profissionais das áreas de Farmácia, Química e afins, ligados a universidades e empresas de produto acabado e matérias-primas para a indústria de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, a ABC promove atividades tecnológicas, científicas e de regulamentação em prol do setor.
Mais informações: https://www.cosmetologiabrasil.com/

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