Química

A indústria química brasileira e a geopolítica atual – ABEQ

Quimica e Derivados
6 de dezembro de 2019
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    2. O postulado de Garrincha

    “Faltou combinar com os russos”. A ligação férrea entre a China e a Europa ainda não predomina em relação ao transporte por navios porque, para se viabilizar, os trens que levam produtos chineses (os produtos químicos nos interessam aqui) para a Europa devem voltar com produtos europeus para a China. O que a Europa tem a oferecer para a China, cada vez mais, são produtos agrícolas, mas estes também são os produtos russos para a China. Como a ferrovia passa pela Rússia, esta impôs a proibição tanto da importação como do transporte de alimentos europeus através do seu território.

    Desde 2014, a Rússia anexou parte do território da Ucrânia (a Criméia). A resposta do mundo foram sanções econômicas, que pouco significam para a Rússia e para a China, que mantém ativo comércio tanto com a Rússia, quanto com o Irã, também sujeito a sanções norte-americanas, mas ainda vendendo seu petróleo para a China.

    De acordo com a Agência Internacional de Energia, a Rússia detém as maiores reservas de gás natural do mundo. O país também é rico em petróleo, cuja produção só perde para a dos Estados Unidos e da Arábia Saudita. Toda essa riqueza natural e a distância relativamente pequena tornaram a Europa dependente das importações de combustíveis fósseis da Rússia. A União Europeia consome 70% do petróleo e 65% do gás exportados pela Rússia, e boa parte desses chega à Europa por dutos que passam pela Ucrânia.

    3. A guerra comercial entre EUA e China

    Durante muitos anos a relação a relação entre EUA e China foi simbiótica. Os EUA eram o maior mercado consumidor dos produtos chineses e a China, a maior financiadora da dívida soberana norte-americana, comprando Treasuries (títulos da dívida) e dólares. A globalização era a norma e o livre comércio de produtos permitiu ao mundo o consumo crescente de bens em um ambiente deflacionário. Com o tempo, ficou claro que o grande perdedor do jogo da globalização era a classe média dos países ricos. Trabalhadores ligados à indústria viam seus empregos substituídos pela automação ou pela transferência das fábricas para outros países – China principalmente. Aquela classe média se viu sem emprego ou com empregos mais precários (surgiu o termo ‘uberização’ dos empregos).

    A crise de 2008 tornou tudo mais visível. Cidades industriais norte-americanas se viram empobrecidas e formavam o rust belt (cinturão da ferrugem). O rust belt elegeu, em 2016, Donald Trump presidente dos EUA com a promessa de tornar a América grande novamente (Make America Great Again). Trump começou dando incentivos fiscais a empresas norte-americanas que reinstalassem suas fábricas em território norte-americano. Em seguida, passou a aumentar tarifas de importação. A China, maior exportador para os EUA é o alvo principal.

    A China já enfrentava um natural arrefecimento de suas taxas de crescimento. Em 2010, a China cresceu 12%, em 2016 (antes do Trumponomics) apenas 5%. A BRI surgiu também para manter ou recuperar o crescimento da economia chinesa. A guerra comercial atrapalha tudo e diminui ainda mais o fôlego chinês para financiar os investimentos em infraestrutura nos países por onde passa o BRI.



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