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A biorrefinaria e a indústria química brasileira – Coluna ABEQ

Rodrigo Mantovani
14 de maio de 2020
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    Química e Derivados -

    Química e Derivados - A biorrefinaria e a indústria química brasileira

    Olá, leitoras e leitores. Espero que tenham tido Boas Festas e que o ano de 2020 lhes seja auspicioso. Retomando a minha colaboração em nome da ABEQ com a Química e Derivados, atualizo brevemente um assunto anteriormente tratado, além de arriscar alguns pitacos sobre o conceito de biorrefinaria.

    Ainda sobre geopolítica

    Sobre os impactos da geopolítica, uma pequena observação ou continuação. Na edição QD-606, comentei a decisão da Petrobrás de encerrar a produção de amônia e ureia nas unidades da Fafen em Camaçari-BA e Aracaju-SE. Sobre isso, uma notícia e uma entrevista. Depois, meu comentário.

    “A Petrobrás informou na quinta-feira, 21, que celebrou contratos de arrendamentos das suas fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe com a Proquigel Química, empresa integrante do Grupo Unigel. O acordo, que prevê o uso dos ativos por dez anos, prorrogáveis por igual período, foi firmado no valor total de R$ 177 milhões.” (Beth Moreira, OESP, 22/11/19)

    “O Brasil tem oportunidades maravilhosas de investimentos, com taxas de retorno imensas, de 6%-7%, para os próximos 30 anos. E o mundo está com taxas de juros negativas. O resto do mundo está à disposição do Brasil, se ele tiver o mínimo de inteligência. E mais do que isso: é visível a situação instável em que estão os outros países. Quem é que pode acreditar na estabilidade do Oriente Médio? Quem pode acreditar que os países ricos tenham um suprimento razoável de energia sem o controle do (presidente da Rússia, Vladimir) Putin?” (Delfim Netto, OESP, 25/11/19)

    Pegando carona na análise do ex-ministro Delfim Netto, quem pode acreditar na capacidade do Brasil como “celeiro do mundo” se os nossos custos e disponibilidade de fertilizantes dependem da estabilidade do Oriente Médio e da boa vontade do presidente da Rússia Vladimir Putin? O recente acirramento do conflito entre os EUA e o Irã reforça ainda mais a mensagem.

    Sobre nossa índole macunaímica

    Adoniran Barbosa tem uma música que em dado momento diz: “E eu que já fui uma brasa / Se assoprarem posso acender de novo”. Mas, no caso do Brasil, é melhor não assoprar muito. Notícia do O Estado de São Paulo de 07/01/20:

    “(…) [Luiz] Barata [diretor geral do ONS] garantiu que não será por falta de energia elétrica que a economia brasileira não crescerá. Informou ainda que, na reunião de quarta-feira, 8, do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), apresentará um estudo no qual considera a necessidade de geração para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 3,5% e 4%. Para a previsão atual, em torno dos 2,3% a 2,5%, a energia já está garantida, informou Barata.” (Denise Luna, OESP, 07/01/20)

    Ou seja, esperava-se que o Brasil crescesse 2,5% em 2019 – ficou em 1,1% – e, em 2020, estima-se novamente que o Brasil cresça 2,5%. Se este ano estiverem errando para baixo (é possível) e o Brasil crescer 3,5%, em 2021 vamos ter de pedir para parar.

    Biorrefinaria

    A desindustrialização (precoce) do Brasil é algo que está sempre permeando esses meus textos, e que me aflige por várias razões: por ser engenheiro e professor de engenharia (acho que só existe engenharia ligada à indústria), com a relevância do que faço e ensino, e com as perspectivas profissionais dos meus alunos; por ser pai de dois meninos (8 e 3 anos), com a provável falta de bons empregos (ocupações) em um país sem indústria.

    Quando se pensam em estratégias para recuperar a pujança da indústria química nacional, o artigo de Mas et al. (2015), da Bain & Company, Developing a National Chemicals Strategy for Brazil é uma referência importante. Lá os autores discorrem sobre estratégias para o desenvolvimento da indústria química brasileira, apontam oportunidades baseadas na atratividade do mercado local e em vantagens comparativas de matéria-prima local. As oportunidades baseadas na forte demanda local incluiriam agroquímicos, químicos para exploração e produção de petróleo e gás, e cosméticos. Já as oportunidades decorrentes das vantagens da matéria-prima local seriam derivados de celulose, aditivos alimentícios, aromas e fragrâncias, petroquímicos, oleoquímicos e produtos químicos provenientes de biomassa. Este último grupo se baseia na óbvia vantagem natural do Brasil para produção de biomassa, com destaque para a cana de açúcar, a soja e o eucalipto, e traz implícito o conceito de biorrefinaria.



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