Equipamentos e Máquinas Industriais

Válvulas – Fabricantes nacionais investem para enfrentar importações

Hamilton Almeida
15 de abril de 2012
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    química e derivados, produção de válvulas especiais, Pedro Lúcio, presidente da Câmara Setorial de Válvulas Industriais (CSVI)

    Lúcio: produção de válvulas especiais segue competitiva

    Em meio a essa instabilidade, desencadeou-se um crescente movimento de fusão e aquisição de empresas. Nos últimos dois anos, multinacionais adquiriram cinco empresas com atuação no país: a Cameron comprou a Vescon; a GE adquiriu a Dresser; a Tyco ficou com a Hiter; a Circor incorporou a SF Válvulas; e a IMI absorveu a Interativa. Lúcio acredita que outros negócios semelhantes irão acontecer e vê com preocupação o avanço das poderosas transnacionais sobre as empresas de capital nacional: “Essas empresas não têm raízes aqui. Assim como estão chegando, podem resolver deixar o país de uma hora para outra se os negócios não forem muito bons”, apontou.

    Diante do dilema de fechar ou vender a fábrica ou se transformar em distribuidora de produtos importados, a Durcon optou por encarar os desafios do mercado. “Decidimos continuar como fabricante de válvulas e competir em qualidade com o produto americano ou alemão, porque entendemos que esta é a nossa vocação”, informa Hube. A crise desencadeou uma reação que resultou no fortalecimento da empresa. Este ano, a Durcon deve vender o equivalente a R$ 55 milhões, registrando um crescimento de 15%. “Acreditamos que poderemos manter esta taxa de crescimento nos próximos cinco anos e atingir o objetivo de faturar R$ 110 milhões em 2017”, afirma o executivo.

    Voz discordante, Rego declara que o mercado de válvulas industriais desfruta de uma fase de “relativa estabilidade”. A razão, para ele, é simples: “Como a Tyco atua em mercados já maduros, como petróleo e gás e processos industriais (indústria química, açúcar e álcool, alimentos e bebidas, papel e celulose, etc.), a nossa estratégia tem sido desenvolver novos mercados, como o de mineração, que tem vivido um momento de crescimento.” Machado, da Flowserve, tem ideia semelhante: “O mercado se manteve estável quando analisado com o crescimento geral da economia brasileira.”

    química e derivados, válvulas, KSB

    Válvula de esfera da KSB tem alto grau de nacionalização

    Já Bordignon considera que o mercado de válvulas no Brasil está comprador, com muitos investimentos em vários segmentos. Mas, com as importações, “perdemos mais de 70% do mercado para os fabricantes estrangeiros, na maioria asiáticos (China)”. Ele descreve o tom da situação: “Quando conseguimos fechar contratos, nossos preços são tão baixos que não deixam margens para os investimentos necessários. Estamos, portanto, no processo de desindustrialização do Brasil. E ficaremos totalmente dependentes de outros países industrializados.”

    Ele revela que a KSB acusou, no período 2008-2010, um crescimento da ordem de 20% anual, em comparação com 2005-2006. Em 2011, porém, “voltamos aos níveis de 2006, ou seja, houve uma queda de mais de 50% nas vendas, enquanto o volume de compras aumentou”. A divisão de válvulas da Flowserve fatura cerca de R$ 40 milhões por ano, segundo Machado. As perspectivas são otimistas: “Projetamos crescimentos anuais entre 10% e 15% para os próximos cinco anos.”

    Sobrevivendo – Também presidente da RTS Ind. e Com. de Válvulas Ltda., com três unidades fabris e sede em Guarulhos-SP, Lúcio revela o segredo da sobrevivência da sua empresa, fun-dada por ele há 28 anos: a produção de válvulas especiais, borboleta e gaveta, de até 80 polegadas de diâmetro. Na busca de caminhos diferenciados de produção, a RTS está investindo desde o ano passado cerca de R$ 3 milhões em máquinas, com recursos próprios, para a fabricação dessas válvulas. Entre as novidades tecnológicas, as válvulas triexcêntricas, duplo bloqueio, classe de pressão até 1.500 libras, e as de retenção com maior índice de vazão. A RTS está fabricando válvulas borboleta triexcêntricas de bronze para a Petrobras. É um produto de última geração que não se fabricava no país.

    química e derivados, válvulas, Alejandro Hube, diretor da Durcon

    Hube: impossível competir com asiáticos nos produtos seriados

    A KSB está investindo cerca de R$ 70 milhões na construção de uma planta industrial em Jundiaí-SP, com inauguração prevista para agosto deste ano. A nova fábrica de válvulas terá 10 mil m² e máquinas operatrizes modernas, para alta produção. Com matriz na Alemanha, a KSB adquiriu, em 2005, a IVC S.A. Indústria de Válvulas e Controles. Fundada em 1974, a IVC havia incorporado a Vanasa, em 1986. A KSB fabrica válvulas industriais do tipo esfera, gaveta, globo, borboleta, retenção e atuadores pneumáticos. Esses equipamentos são utilizados em vários segmentos industriais, incluindo todo o sistema Petrobras, atingindo índices superiores a 90% de conteúdo local.

    A Durcon realizará, este ano e no próximo, investimentos de R$ 10 milhões em uma fábrica nova de 10 mil m2 e em máquinas de comando numérico (CNC). Hube informa que o terreno de 40 mil m2 já foi adquirido, assim como as aprovações dos órgãos pertinentes. O objetivo é aumentar a capacidade de produção em 2014 para suprir a meta de R$ 100 milhões de faturamento. “Temos planos de investimentos para promoção de nossos produtos no mercado americano. Outros investimentos de pesquisa e desenvolvimento, aumento de produtividade e diminuições de custos permanecem”, adiciona.



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