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41st International Chemistry Olympiad – Delegação brasileira ganha destaque em evento na Inglaterra

Jose P. Sant Anna
16 de outubro de 2009
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    Uma equipe muito esforçada

    Os “atletas” brasileiros vencedores de medalhas na Olimpíada Internacional não pouparam esforço para representar o Brasil de forma digna. A preparação exige a participação de cursos fora do currículo escolar e muito estudo nas horas vagas. Algo em torno de oito horas por dia na véspera da competição. O amor pela química é sentimento comum. Com duas medalhas de prata no torneio em sua estante de prêmios, conquistadas em 2007 e 2008, a aluna cearense Thaís Jorge tem o melhor desempenho entre os participantes nacionais até hoje. Com apenas dezessete anos, ela conseguiu outra façanha este ano. Acaba de ser admitida no Massachusetts Institute of Technology (MIT), centro mundial de excelência em estudos de química. Foi aprovada depois de passar por rigoroso processo de seleção.

    O interesse de Thaís pela ciência começou cedo. Aos nove anos, ela se encantou com as experiências realizadas no Clube de Ciências de sua escola, o Colégio 7 de Setembro. “Quando eu era pequena queria ser paleontóloga, depois quis fazer medicina. Em 2004, decidi fazer Química. Minha família ficou triste. Meu avô chegou a dizer que eu morreria de fome porque não arrumaria emprego”, conta Thaís.

    Levindo José Garcia Quarto, vencedor de prata em 2009, não era um bom estudante de química. Por causa da deficiência, quando cursava a oitava série, resolveu participar da competição. A ideia era aproveitar a chance de frequentar aulas de reforço. “Comecei a estudar mais, a me aprofundar, a gostar da matéria”, diz. Ele não acreditava que chegaria tão longe. “Nunca imaginei que iria ganhar uma medalha de prata”, conta. No final do ano, vai se dedicar ao vestibular. Quer cursar Química na Universidade Federal do Ceará ou na Unicamp, ou na USP.

    Uma simpatia especial pela matéria levou Arthur Braga Reis a se inscrever nas Olimpíadas. Ele também foi influenciado pelos colegas que conquistaram prêmios. “Eles foram um espelho, queria ser igual”, conta. Conseguiu seu objetivo, ganhou uma medalha de bronze em julho, na competição realizada na Inglaterra. “O esforço é grande, estudamos até altas horas, mas dá para levar”, explica.

    Situação semelhante vive João Victor Rocha Magalhães. Desde pequeno, quando ganhou um livro de ciências, ele tomou gosto pela Química. Quando chegou à oitava série, não teve dúvidas de se inscrever nas Olimpíadas. Muitas e muitas horas de estudo depois, também “beliscou” um bronze na Inglaterra. “O clima entre os participantes é muito legal, um incentiva o outro”, diz. Ele garante que ainda sobra tempo para outras coisas. “Participo de um grupo de teatro, outra coisa que gosto muito”, diz. O futuro, no entanto, pertence à Química. “Vou prestar vestibular este ano”, ressalta.

    Cearenses, Levindo, Arthur e João Victor fazem parte da delegação brasileira que neste mês de outubro vai participar das Olimpíadas Ibero-Americanas, que serão realizadas em Cuba. O quarto elemento será o paulista Daniel Kakiuthi, único representante a quebrar a hegemonia do estado nordestino. Daniel é paulista. “Meu gosto pela Química começou no primeiro ano do ensino secundário, quando entrei no Colégio Etapa”, conta. Com a esperança de trazer uma medalha de Cuba, ele já definiu sua carreira. “Quero fazer química ou engenharia química”, conta.

    São Paulo promete melhorar

    O Estado de São Paulo, o mais populoso e líder na economia nacional, promete reagir ao domínio cearense na Olimpíada de Química. Para isso, conta com a colaboração de algumas escolas que nos últimos anos se mostraram interessadas em melhorar o preparo de seus alunos. “Algumas escolas agora estão dando suporte adicional aos alunos”, diz Ivano Gutz, coordenador da Olimpíada no Estado de São Paulo, professor titular do Instituto de Química da USP e diretor da Academia de Ciência do Estado de São Paulo.

    Mais do que gerar vencedores para a competição, Gutz diz ser importante incentivar jovens para a ciência. “O Brasil conta com número muito reduzido de cientistas”, destaca. Ele ressalta que nenhum país pode se desenvolver com esse perfil e lembra do progresso alcançado pelos países asiáticos, fortes investidores em educação. “Essa competição é uma forma de chamar a atenção dos estudantes”, avalia.

    O concurso realizado em São Paulo conta com algumas particularidades. A primeira aparece no filtro inicial da competição. “Nossa seleção se inicia com uma redação sobre um tema ligado à Química”, conta Gutz. O coordenador acredita que dessa forma é possível alcançar alunos pouco interessados na matéria. “O tema é discutido em sala de aula e a redação pode ser desenvolvida em grupo. Depois é escolhido o aluno do grupo com maior facilidade para entender a matéria”, diz. Em 2010, o tema do prêmio será “Química Verde: Rumo a Produtos e Processos sem Impacto Ambiental”.

    Os aprovados passam por atividades como cursos, palestras e visitas a laboratórios. No final são selecionados quarenta estudantes, indicados ao estágio nacional. O concurso paulista conta com patrocinadores exclusivos: Conselho Regional de Química, Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor), Basf, Universidade Mackenzie e Quattor.

     



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