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41st International Chemistry Olympiad – Delegação brasileira ganha destaque em evento na Inglaterra

Jose P. Sant Anna
16 de outubro de 2009
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    O torneio nacional passa por seis etapas. Começa reunindo os vencedores estaduais, que vão passando por seleções cada vez mais rigorosas. Na quarta etapa, dedicada a estudos em laboratórios, são escolhidos 40 competidores. Na quinta restam dezesseis alunos, para os quais é oferecido um curso de duas semanas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Na última são selecionados os quatro alunos enviados para os torneios internacionais.

    Atual pró-reitor de pesquisa, o professor Ronaldo Pilli dirigia o Instituto de Química da Unicamp em 2008, quando viajou a Teresina-PI para ministrar um curso preparatório para os finalistas da Olimpíada de Química. “Fiquei tão animado com a experiência que ofereci as nossas instalações e pessoal para o aperfeiçoamento deste ano”, comentou. Como avaliou, os exames teórico-práticos aplicados no certame mundial alcançam um nível de complexidade comparável aos do último ano de graduação em Química.

    Além disso, o interesse desses alunos pela ciência não se esgota nas competições. “No início deste ano letivo, recebemos quatro calouros que participaram das olimpíadas passadas e eles se mostram excelentes alunos”, informou Pilli. A presença desses calouros incentiva os colegas e até os professores a aprofundar as aulas, melhorando o nível geral do curso. “A função da universidade é estimular talentos; podemos oferecer muita coisa, mas os alunos precisam explorar todo esse conhecimento.” Pilli manifestou o desejo de a Unicamp sediar novamente a preparação final em 2010.

    A força do Ceará – Todos os estudantes premiados na Olimpíada Internacional deste ano e os representantes do país na versão Ibero-Americana de 2008 têm uma característica em comum. Eles representam o estado do Ceará. O fato consolida o forte predomínio do estado nordestino na competição e chega a incomodar o professor Melo. “Pode transparecer que pelo fato de a coordenação do concurso nacional ser feita no Ceará haja algum tipo de favorecimento”, explica. Ele garante a lisura do concurso e torce pela melhora do desempenho de representantes de outros estados. “São Paulo e Minas Gerais estão crescendo”, avalia.

    O sucesso cearense se deve muito ao ambiente propício presente em algumas escolas. “Temos muito apoio de instituições de ensino, elas dão aulas de reforço para os alunos, investiram na montagem de laboratórios e de bibliotecas com livros de química de qualidade”, exemplifica. Os prêmios conquistados pelos “atletas” locais também estimulam os estudantes da região. “Os ganhadores servem de exemplo para outros alunos se dedicarem ao estudo”, revela.

    O professor Pilli, da Unicamp, concorda com o colega e vai além. “Em São Paulo sentimos a falta de apoio da Secretaria de Educação, que precisa colocar as olimpíadas no calendário oficial de eventos das escolas”, recomendou. Ele comentou que a primeira fase de seleção é feita com mais de 160 mil alunos em todo o país. Essa fase inicial precisa de mais divulgação, principalmente entre os professores do ensino médio, que precisam apoiar a iniciativa. “Não adianta ficar só reclamando que o ensino é ruim, é preciso participar de programas desse tipo para melhorar o quadro”, afirmou Pilli. As empresas, especialmente do setor químico, deveriam ajudar a divulgar e patrocinar com mais ênfase as olimpíadas, porque elas têm repercussão direta na qualidade dos profissionais que nelas atuarão no futuro.

    Um fato lamentado pelo coordenador nacional do prêmio é a pífia participação dos alunos das escolas públicas. “O ensino público é um desastre, seus alunos estão sempre nas últimas colocações”, revela. O professor estuda encontrar alguma maneira de tentar reverter esse quadro. Outro problema se encontra na falta de apoio. “A partir de 2002 passamos a contar com a ajuda do CNPq. O Banco do Nordeste financia todos os anos a impressão de 15 mil exemplares de um livreto em que apresentamos as provas realizadas e suas resoluções, e comentários”, diz. Fora isso, o patrocínio é quase inexistente. Entidades ligadas à indústria, caso da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), mostram boa vontade, mas alegam falta de verba para ajudar de maneira mais consistente. “Este ano esperamos contar com algum auxílio da Petrobras”, acredita.

    Martim Afonso Penna, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor), admite que a contribuição financeira da indústria química para as olimpíadas é modesta. “A Abiclor patrocina há nove anos essa iniciativa, mas sua contribuição fica por volta de R$ 12 mil por ano”, comentou. A Abiquim divulga o certame por meio de banners em todos os encontros e cursos que promove, além de levar os vencedores do certame nacional para apresentá-los durante o seu encontro nacional realizado todos os anos em dezembro.

    Apoiador entusiasmado do certame, Penna elogia a dedicação e o trabalho dos coordenadores nacional e regionais, ressaltando o elevado grau de dificuldade das provas. “Nossa equipe é a melhor das Américas nessa faixa etária”, comentou. Ao mesmo tempo, ele se esforça para incentivar as empresas ligadas à Abiclor e à Abiquim a oferecer estágios e programas de treinamento para esses alunos. “Nossa indústria concorre com outros ramos pelas melhores cabeças entre os jovens e ainda sofre com mitos e preconceitos contra a Química”, disse.



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