Indústria Química

Abiquim: Indústrias químicas investem em produção a partir de matérias-primas renováveis para aumentar a competitividade

ABIQUIM
12 de fevereiro de 2016
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    Embora já não haja muito espaço para reduzir suas emissões em curto prazo, é importante lembrar que a indústria química é provedora de soluções para a diminuição das emissões gasosas de outras indústrias, por viabilizar a fabricação de peças mais leves para automóveis e de aviões, hélices de turbinas eólicas, além de embalagens também mais leves, que reduzem as emissões no transporte das mercadorias e o desgaste dos veículos, cujas peças devem ter, assim, maior durabilidade. Estudo de 2009 realizado pela consultoria McKinsey mostrou que, para cada tonelada de gases de efeito estufa emitida pela indústria química, são evitadas as emissões de 2,1 a 2,6 toneladas pelas demais indústrias da cadeia.

    Além da redução das emissões pela indústria química e da fabricação de insumos para produtos que geram reduções ao longo da cadeia industrial, há ainda um terceiro ponto em que o setor atua como solução para a mitigação da mudança do clima: processos inovadores podem participar da retirada de CO2 da atmosfera. O CCS (Carbon Capture and Storage – Captura e Armazenamento de Carbono) e o CCU (Carbon Capture and Utilization – Captura e Uso do Carbono) podem utilizar processos químicos, por exemplo, para separar o CO2 de correntes ricas nesse gás. Segundo Soto, no Brasil já foi desenvolvido um processo bioquímico para isso. “A produção do polietileno a partir de etanol de cana-de-açúcar captura 2,15 toneladas de CO2 equivalentes para cada tonelada de polietileno produzido. A vantagem desse processo em relação ao CCS é clara, pois enquanto o polietileno é um produto que tem utilidade para a sociedade, o CCS simplesmente armazena o CO2 no subsolo”, observa.

    Para o especialista, o principal papel da indústria química é apresentar propostas tanto para a mitigação como para a adaptação às mudanças climáticas. “Tenho certeza que nosso setor pode oferecer essas soluções com os produtos já desenvolvidos ou com os produtos que seguramente iremos desenvolver. A Braskem produz polietileno de origem renovável e já investiu na sua primeira fábrica. Também já concluiu o desenvolvimento de uma rota tecnológica para a produção do polipropileno de origem renovável e continua a investir no desenvolvimento de novos produtos, como o butadieno e o isopreno de origens renováveis”, afirma Soto.

    A gerente de Inovação e Sustentabilidade da Abiquim, Mariana Doria, que está coordenando a realização do Seminário Abiquim de Tecnologia e Inovação sob demanda da Comissão de Tecnologia da Abiquim, compartilha a mesma opinião. “Em tempos de CoP-21, o Brasil deve considerar que o investimento em inovação na química, especialmente na biotecnologia, pode trazer grandes benefícios para o atendimento aos compromissos que o país pretende assumir com relação às mudanças climáticas. Nesse sentido, a indústria química poderá oferecer grande contribuição”, afirma a gerente da Abiquim. Para Mariana, a biotecnologia industrial irá fomentar a inovação na química neste século e, especificamente no Brasil, as oportunidades que a bioeconomia traz demonstram as vantagens competitivas que o País poderá aproveitar se houver investimentos em ciência, tecnologia e inovação em biotecnologia.

    De acordo com a definição da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), “bioeconomia é uma economia sustentável, que reúne todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos (seres vivos), e que se destina a oferecer soluções coerentes, eficazes e concretas para os grandes desafios sociais, como a crise econômica, as mudanças climáticas, substituição de recursos fósseis, segurança alimentar e saúde da população”. Essa atividade econômica, para a Fiesp, “é dependente de pesquisa em biociências, tecnologias de informação, robótica e materiais, e visa transformar o conhecimento e novas tecnologias em inovação para indústria e sociedade”.

    Para o secretário de Políticas e Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Jailson de Andrade, a biotecnologia é a grande ferramenta da bioeconomia. Alinhado à visão da gerente da Abiquim sobre a importância do investimento nesse setor, o secretário Andrade, que em 15 de outubro será um dos debatedores no painel “O panorama 2015 das políticas públicas de incentivo à inovação e as perspectivas para 2016” do 3º Seminário Abiquim de Tecnologia e Inovação, afirma que a biotecnologia tem sido um foco prioritário no MCTI e que um dos pontos de maior ênfase do ministério é a potencialização da produção de biomassa no Brasil. “A indústria química é que vai transformar o novo conhecimento gerado pela biotecnologia em benefícios para a população e riquezas para o País, por meio dos bens de consumo. O objetivo agora é integrar os setores de pesquisa e inovação ligados ao governo, ao meio acadêmico e ao setor industrial, pois essa parceria será o grande vetor para o salto do país, não só na ciência, mas também na agregação de valor à nossa matéria-prima. A articulação entre esses setores é a chave para transformar inteligência em riqueza para o Brasil”, acredita o secretário.



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