Indústria Química

Abiquim: Indústrias químicas investem em produção a partir de matérias-primas renováveis para aumentar a competitividade

ABIQUIM
12 de fevereiro de 2016
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    Química e Derivados, Planta de eteno verde da Braskem, feito a partir de matéria-prima renovável, em Triunfo-RS

    Planta de eteno verde da Braskem, feito a partir de matéria-prima renovável, em Triunfo-RS

    Outro exemplo é o 1,3-propanodiol, usado para fazer polímeros. Até por volta de 2008, ele também era produzido de propeno de origem petroquímica. A mudança veio quando a DuPont desenvolveu um processo para produzir 1,3-propanodiol via fermentação de açúcar. “Em 2011 foi fechada a última planta da DuPont de produção de 1,3-propanodiol via petroquímica”, conta o coordenador da Comissão de Tecnologia da Abiquim. Segundo Coutinho, além da DuPont, várias outras empresas estão implementando esse mesmo processo.

    Ainda, para Paulo Coutinho, outro produto cuja produção deve crescer, por redução do custo de produção, é o ácido succínico, usado para produção de poliésteres, poliuretano, plastificantes, entre outros. Antes produzido por uma rota petroquímica de quatro etapas, hoje o ácido pode ser produzido diretamente pela fermentação do açúcar. “Isso barateia a produção de tal forma que um mercado que era de 40 mil toneladas por ano pode atingir até 1 milhão de toneladas no mesmo período, pois, com a redução do custo de produção, o produto começa a ganhar novas possibilidades de aplicação”, afirma.

    O especialista explica que o custo de produção do ácido succínico via fermentação do açúcar cai devido à diminuição do número de etapas do processo. “A redução do número de etapas significa diminuição de capex [capital expenditure – em português, despesas de capital ou investimento em bens de capital], e de opex [operational expenditure – custo operacional]. Além de deixar de usar uma matéria-prima que não é renovável, a produção em menos etapas diminui o consumo de energia”, acrescenta Coutinho.

    Com base nesses cases, o coordenador da Comissão de Tecnologia da Abiquim afirma que a tendência da indústria química é o desenvolvimento de novas ferramentas científicas e tecnológicas, principalmente na área de biotecnologia, a fim de permitir a produção de químicos a partir de matérias-primas renováveis de forma competitiva com os processos existentes hoje. “A biotecnologia tem um papel fundamental, pois permite a produção com rendimento superior, redução de uso de produtos secundários, e produtividade elevada. Além disso, na maior parte das vezes, quando se usa matéria-prima renovável para produzir um químico, as emissões de gases de efeito estufa também são reduzidas”, conclui Coutinho.

    Soluções da Química para a mudança do clima

    Esse é outro tema que será debatido no Seminário Abiquim de Tecnologia e Inovação. No dia 16 de outubro, o diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Jorge Soto, apresentará o painel “Mudanças climáticas e tecnologias de baixo carbono”. O debate acontece no contexto da proximidade da 21ª Conferência do Clima (CoP-21), que será realizada em dezembro, em Paris, na França.

    Nesse sentido, vale lembrar que a indústria química brasileira já vem fazendo seu dever de casa há anos, como mostram os dados publicados no relatório dos indicadores de desempenho do Programa Atuação Responsável® – iniciativa voluntária da indústria química mundial, gerida no Brasil pela Abiquim, destinada a demonstrar seu comprometimento na constante melhoria do desempenho em saúde, segurança, meio ambiente e sustentabilidade.

    De acordo com o levantamento, as ações de gestão da indústria química resultaram em uma redução da intensidade de emissão de gases de efeito estufa em 32,6% nos processos químicos entre 2006 e 2013, sendo que o valor da intensidade das emissões foi reduzido de 542 kg de CO2 equivalente por tonelada de produto para 256 kg nesse mesmo período. Segundo o diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Jorge Soto, esses números foram conquistados pela redução das emissões nos processos e pelo aumento da eficiência energética das fábricas, atualmente tão alta que um recente estudo conduzido pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), encomendado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, não identificou medidas de mitigação economicamente atrativas para o setor químico.

    No entanto, na opinião de Jorge Soto, como a tecnologia continua a evoluir, será sempre possível fazer mais. “A indústria química é inovadora e a competição incentiva a busca por novas alternativas”, lembra. Estudo promovido pelo Conselho Internacional de Associações da Indústria Química (ICCA) elencou algumas possiblidades nesse sentido, por meio da catálise. No entanto, sob a visão do diretor da Braskem, o levantamento também mostra que são necessários incentivos para que essas alternativas que podem aumentar ainda mais a eficiência energética da indústria química sejam viabilizadas. “No Brasil há possibilidades de redução de emissões na produção de energia térmica por meio do uso da biomassa, mas, mais uma vez, essa é uma fonte mais cara do que a energia fóssil. O uso dessa alternativa somente será possível com incentivos”, alega.



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