Indústria Química

Abiquim: Indústrias químicas investem em produção a partir de matérias-primas renováveis para aumentar a competitividade

ABIQUIM
12 de fevereiro de 2016
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    Química e Derivados, Laboratório de Biotecnologia Industrial: pesquisa de moléculas a partir da biomassa

    Laboratório de Biotecnologia Industrial: pesquisa de moléculas a partir da biomassa

    Texto: Adriana Nakamura*

    A indústria química brasileira passa por seu pior momento. Além da crise econômica, a elevação dos custos de produção no mercado interno, especialmente os ligados à energia (elétrica e gás natural), e das matérias-primas, bem como as deficiências logísticas e a alta carga tributária têm impactado o segmento de químicos de uso industrial, e as empresas nacionais não têm conseguido competir com suas congêneres localizadas em regiões com custos mais baixos. “A falta de competitividade e isonomia dos segmentos mais expostos ao mercado internacional é evidente e vem se acentuando nos últimos meses. A melhora da demanda, advinda da elevação do poder de compra da população brasileira nos últimos dez anos, não se refletiu em aumento da produção da indústria nacional, que está estagnada. As importações é que se beneficiaram”, lamenta Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

    O registro do menor índice de utilização da capacidade instalada desde o início da série retrata a situação de baixa competitividade do setor perante os produtos importados: em 2014, a média desse índice foi de 79%, sendo que deveria estar entre 87% e 90%. No período de 1990 a 2012, conforme levantamento feito pela Abiquim, foram fechadas 1.710 unidades industriais e, consequentemente, 447 produtos deixaram de ser fabricados no país.

    Nesse cenário, exemplos mostram que algumas empresas têm buscado soluções para o aumento da competitividade na inovação em biotecnologia. O assunto será aprofundado no 3º Seminário Abiquim de Tecnologia e Inovação, a ser realizado no Sheraton Rio Hotel & Resort, no Rio de Janeiro-RJ, de 14 a 16 de outubro, com o objetivo de abordar temas relativos a políticas públicas para inovação, incentivo ao desenvolvimento industrial, ampliação de tecnologias para química de renováveis, mudanças climáticas e tecnologias de baixo carbono.

    Química e Derivados, Área de solventes da fábrica da Rhodia/Solvay, em Paulínia-SP

    Área de solventes da fábrica da Rhodia/Solvay, em Paulínia-SP

    Dentre os exemplos de empresas que optaram pelo uso da biotecnologia a fim de aumentar a competitividade está a Solvay, cujo diretor de Pesquisa e Inovação, Thomas Canova, participará do painel “Desafios no desenvolvimento de tecnologias emergentes”. A empresa desenvolveu em seu Centro de Pesquisas e Inovação, instalado dentro do complexo industrial de Paulínia-SP, uma linha de solventes oxigenados com base em glicerina, que é obtida como subproduto da produção de biodiesel. Caracterizados pela empresa como “solventes oxigenados sustentáveis”, são utilizados em mercados ligados a tintas, revestimentos, couro e madeira.

    Na linha de produtos bioquímicos, a Solvay também mantém parceria com a Granbio, por meio da joint venture SGBio, para a futura de produção no Brasil de bio n-butanol derivado de biomassa, a ser utilizado como solvente para tintas e revestimentos e intermediário químico na fabricação de resinas.

    O coordenador da Comissão de Tecnologia da Abiquim e gerente de Inovação da Braskem, Paulo Luiz de Andrade Coutinho, que será moderador do painel “Perspectivas tecnológicas para o desenvolvimento de químicos de renováveis” no 3º Seminário Abiquim de Tecnologia e Inovação lembra também que há três anos a Solvay produz na Tailândia epicloridrina (usada para a produção de resinas epóxi) também a partir de fonte renovável.

    Segundo Coutinho, a epicloridrina, ordinariamente fabricada a partir do propeno (derivado do petróleo), quando feita com base na glicerina tem menor custo de produção e igual desempenho. De acordo com o coordenador da Comissão de Tecnologia da Abiquim, o mercado de epicloridrina no mundo é de 1,2 milhão de toneladas e a capacidade instalada para sua produção a partir do propeno é de 2 milhões de toneladas. “Mesmo com esse execedente [de 800 mil toneladas], a planta da Solvay teve sucesso imediato, porque o custo de produção era muito menor. O resultado foi a entrada de mais três plantas similares nesse mercado nos últimos dois anos. E, em menos de três anos, 300 mil toneladas do mercado de epicloridrina do mundo já foram substituídas pelo produto feito de glicerina. A evolução foi rápida porque foi um processo competitivo”, comenta Coutinho.



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