Tintas e Revestimentos

Abrafati 2015: Setor busca inovações tecnológicas para superar momento econômico difícil

Marcelo Fairbanks
10 de fevereiro de 2016
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    Embora tenha um portfólio alentado, com linha de solventes sintéticos fornecidos pela Oxea, LyondellBasel e Eastman; aditivos de sílica, silanos e silicones da Evonik, com o reforço recente (contratado em junho com distribuidor exclusivo e operador logístico) do amplo leque de tipos de dióxido de titânio da Huntsman, a IMCD não pretende destacar produtos em seu estande. “Neste ano, nosso foco será apresentar nossa especialização técnica em coatings para os clientes, com o objetivo de oferecer a eles suporte técnico para resolver problemas e criar novas soluções”, resumiu Medrano.

    Como explicou, a IMCD mantém sete laboratórios de revestimentos ao redor do mundo, todos eles interligados e operados por um software de gestão para novos desenvolvimentos. “É uma rede mundial com troca constante de informações; quando alguma coisa nova surge, ela é imediatamente compartilhada com todos os integrantes”, explicou. O laboratório brasileiro do grupo fica em Diadema-SP, ocupando parte da área na qual ficavam os escritórios de administração e vendas, atualmente instalados em moderno edifício em São Paulo. Isso reflete o posicionamento estratégico da distribuidora mundial, mais interessada nas especialidades químicas.

    O estande da IMCD abrigará treinamentos e demonstrações para clientes, contando com a participação de especialistas internacionais do grupo, entre eles o diretor técnico global da área. Segundo Medrano, em tempos de crise, como o atual, os clientes se mostram receptivos para adotar modificações que resultem em redução de custos, melhoria de desempenho e inovações que resultem em diferenciação de produtos finais.

    A análise do comportamento de mercado deste ano, porém, é decepcionante. “As vendas físicas de produtos para tintas estão entre 20% e 30% abaixo do nível verificado em 2014, mas estamos mantendo o faturamento em moeda local, o que reflete a variação cambial”, comentou. Nos últimos três anos, já se percebia uma redução de atividade nas tintas, mas o resultado anual sempre foi positivo. Em 2015, o corte foi abrupto. “Acho que será o primeiro ano de retração geral nesse setor”, disse.

    Desde os tempos da Makeni, a exposição da distribuidora no país ao setor de tintas era significativa, representando quase 60% do faturamento. “Atuamos em outros setores industriais, como nos domissanitários e cosméticos, que estão com desempenho bem melhor e, por isso, estão conquistando maior participação nos resultados”, explicou. Dessa forma, a área de coatings deverá representar perto de 50% das vendas da distribuidora neste ano.

    Química e Derivados,Maranho: clientes aceitam bem as novidades, apesar da crise

    Maranho: clientes aceitam bem as novidades, apesar da crise

    Preparando o futuro – Embora os resultados do setor não sejam animadores, a quantiQ, maior distribuidora nacional, terá participação notável na Abrafati 2015. “É o maior encontro do setor na América Latina, vem muita gente de fora do país e há grande troca de informações e contatos”, justificou Luiz Maranho, gerente da unidade de negócios de tintas da quantiQ.

    Ele aponta que a venda de tintas imobiliárias deve fechar 2015 com queda de 5% a 6%, em volume, no país, enquanto os produtos para as linhas industriais e automobilística seguirã em queda mesmo em 2016. E 2014 já foi um ano fraco para o setor. “Estamos no meio de uma crise de natureza política e econômica, para qual a desvalorização do real traz mais preocupações”, disse Maranho. “Apesar disso, os clientes estão receptivos para testar novidades, isso é bom.”

    Ele identifica grandes oportunidades de negócios para introdução de insumos de baixo conteúdo de VOC e com foco em sustentabilidade, principalmente com o uso de fontes renováveis. “Estamos operando com três novos parceiros, fabricantes que buscaram no Brasil um distribuidor com o caixa robusto, porque a atividade demanda muito capital de giro”, salientou.

    A primeira nova parceria foi estabelecida com a Shin-Etsu, do Japão, que fornecerá hidróxi-etil celulose, modificador reológico que dispensa aditivação pesada suplementar, proporcionando mais possibilidades de formulação. O HEC já teve produção nacional, que foi descontinuada, motivo que tornou o HEC menos popular do que o CMC (nacional) e os espessantes associativos sintéticos. “A Shin-Etsu está partindo uma fábrica nova nos EUA e poderá suprir o Brasil com preços competitivos, lembrando que já existe um mercado próprio do HEC por aqui e que poderemos ampliá-lo”, comentou.

    Outra novidade no estande da quantiQ será a linha de opacificantes especiais da FP-Pigments, dos EUA, que reduzem o uso de dióxido de titânio nas formulações. “Eles são muito diferentes dos extensores tradicionais, podemos dizer que eles são cargas especiais encapsuladas, com um segredo tecnológico, que procporciona melhor poder de cobertura”, informou.



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