Tintas e Revestimentos

Abrafati 2015: Setor busca inovações tecnológicas para superar momento econômico difícil

Marcelo Fairbanks
10 de fevereiro de 2016
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    Automotiva encolheu – Um dos setores industriais mais afetados pela crise é o da fabricação de automóveis, cujos indicadores apontam uma queda entre 18% e 20% na produção de 2015, com elevada ociosidade nas montadoras. “Com isso, voltamos a ter uma produção de carros praticamente igual à de 2004, ou seja, retrocedemos 11 anos”, lamentou Lacerda.

    Essa retração afeta diretamente os fabricantes de tintas para carros zero quilômetro (OEM). Essas tintas são vendidas às montadoras mediante contratos de médio prazo, sendo uma parcela significativa negociada na modalidade de película seca aplicada. “Essa modalidade, na crise, é ainda mais gravosa porque o fornecedor da tinta também arca com os custos da aplicação e não pode dispensar o pessoal contratado sob risco de não conseguir recolocar o paint shop em marcha se a produção for reativada”, salientou.

    Lacerda também comentou o fato de a produção nacional desses bens ter pouca participação em outros mercados, ou seja, não poder contar com a exportação para minorar os problemas do mercado interno. “O panorama é ruim, em 2020 estaremos com produção de veículos cerca de 20% abaixo do pico verificado em 2013”, disse. Apesar disso, ainda há montadoras sendo instaladas no país, que devem puxar a venda de tintas em 1% a 2% em 2016. “É preciso lembrar que o uso de robôs de pintura está crescendo e eles reduzem o consumo de tinta aplicada por caro, por serem mais eficientes”, disse.

    O segmento de repintura automotiva geralmente apresenta comportamento descolado da pintura OEM. Neste ano, essa atividade de reparação e personalização de veículos está com resultado melhor, ou menos ruim, mas registrará crescimento igual a zero em 2015, com elevação da inadimplência. Dados da Abrafati indicam boas vendas de janeiro a abril no segmento, mas seguidos por uma queda abrupta nos meses seguintes. “Projetamos aumento de vendas de 2% a 3% em 2016, mas precisamos ver se isso será obtido com as linhas de alta ou baixa tecnologia”, afirmou Lacerda.

    O grande temor do dirigente setorial é de enfrentar um downgrade tecnológico. O padrão atual da reparação contempla o uso de máquinas de preparação de cores na loja ou na oficina, sistema que apresenta vantagens para redução de inventário e custos. “Não podemos voltar para as tintas prontas, isso seria muito ruim para a cadeia produtiva”, ressaltou.

    O cenário da repintura automotiva é influenciado pela atuação das companhias seguradoras, que exigem dos reparadores custos cada vez menores e rapidez na execução dos serviços. E, como na construção civil, qualificar os profissionais dos pontos de venda é fundamental, assim como acelerar a redução do conteúdo de compostos orgânicos voláteis (VOC) nesse segmento. “A Basf já reverteu toda a sua produção para low VOC ou no VOC”, informou.

    A questão do VOC nas tintas deverá ganhar um reforço inesperado, proveniente da análise das causas da explosão no Porto de Tianjin. A presença de grande quantidade de solventes inflamáveis no local ajudou a amplificar a catástrofe. “As autoridades chinesas aceleraram a discussão do uso de solventes orgânicos no país, questão que estava abandonada até então; isso terá reflexos em todo o mundo”, comentou.

    A indústria de tintas, em todas as suas ramificações, deve atentar para os aspectos ligados à sustentabilidade. Esse é um dos temas mais relevantes da Abrafati 2015. “Lembro a todos que o primeiro pilar da sustentabilidade é manter um negócio hígido, lucrativo”, disse Lacerda. A eliminação de rejeitos é uma iniciativa a ser explorada pelo setor, por exemplo. A plenária do segundo dia do congresso tratará desse tema de alcance mundial.

    Química e Derivados, Medrano: acrílico e derivados nacionais reforçam o portfólio

    Medrano: acrílico e derivados nacionais reforçam o portfólio

    Fornecedores – É inegável que a crise econômica esfria o ânimo dos participantes da exposição. Porém, há quem tenha conquistados reforços importantes de portfólio, capazes de garantir bons resultados. É o caso, por exemplo, da IMCD, distribuidora de origem holandesa que ingressou no país mediante a aquisição da Makeni Chemicals. A distribuidora mantém um longo relacionamento com a Basf e garantiu a distribuição exclusiva do ácido acrílico e dos monômeros dele derivados – acrilatos de butila e etil-hexila –, produzidos pela multinacional alemã em Camaçari-BA e Guaratinguetá-SP. “Em época de alta do dólar, ter produtos de fabricação local, com preços muito competitivos, é um diferencial importante”, avaliou Reinaldo Medrano, diretor-presidente da IMCD Brasil.

    Sem precisar importar esses insumos, a distribuidora pode oferecer preços livres de riscos cambiais, entrega em pequenos volumes, faturando os produtos por operação, na frequência desejada pela cliente. “A procura pelo ácido acrílico nacional está forte, substituindo importações, pois os fabricantes de resinas querem flexibilidade para formular seus produtos”, comentou.



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