Tintas e Revestimentos

Abrafati 2015: Setor busca inovações tecnológicas para superar momento econômico difícil

Marcelo Fairbanks
10 de fevereiro de 2016
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    Química e Derivados, Setor busca inovações tecnológicas para superar momento econômico difícilConz citou o exemplo do setor agropecuário, que iniciou um trabalho na esfera parlamentar há oito anos, com reuniões semanais para discutir assuntos de seu interesse. “Eles estão conseguindo resultados expressivos”, avaliou. Para ele, associações e sindicatos patronais precisam ser mais atuantes na esfera política, para que as instituições existentes funcionem melhor.

    A atuação política mais incisiva poderia evitar dissabores, a exemplo da eliminação da cota de 120 mil t/ano para importação de dióxido de titânio com apenas 2% de imposto de importação, anunciada para 2016. “O governo federal alega que precisa de mais receitas para cobrir o déficit fiscal, mas não percebe que isso vai encarecer as tintas, com reflexo na inflação”, criticou Lacerda. A Abrafati estima em US$ 30 milhões/ano o impacto do imposto majorado para os fabricantes de tintas.

    Além do impacto tributário nesse insumo, cabe ressaltar o efeito da desvalorização do real, acelerada neste ano, levando o dólar a superar a cotação emblemática de R$ 4,00. “Quase 65% de todos os insumos usados na fabricação de tintas são importados ou cotados na moeda americana”, informou Lacerda. “Quando os estoques acabarem, a elevação do custo terá de ser repassada para os segmentos a jusante, até chegar à ponta do consumo.”

    Isso também se aplica à produção de ácido acrílico e acrilatos, cuja produção nacional começou neste ano, em Camaçari-BA, após investimento de € 500 milhões pela Basf. “A fabricação local garante disponibilidade maior desses itens e redundará em aumento de divisas, pela redução das importações”, comentou Lacerda.

    Oportunidades – Quando a maré baixa é que se enxergam as pedras antes submersas. Essa frase por demais conhecida aponta para uma realidade de qualquer atividade econômica: a crise revela as deficiências das cadeias produtivas e é preciso estar pronto para aproveitar as oportunidades que sempre surgem.

    Lacerda avalia que o aumento do desemprego e a redução da massa salarial pela inflação causarão um aperto nas finanças das famílias das classes C e D, exatamente as mesmas que foram o motor do crescimento nacional nos últimos dez anos. Para ele, a indústria precisa aproveitar o momento para rever seus processos e procedimentos internos para ganhar mais eficiência e reduzir custos. “A automação precisa avançar, já há tecnologias disponíveis para isso com elevada segurança e confiabilidade”, comentou. O custo do fator trabalho subiu acima da inflação e do aumento da produtividade, exigindo adaptação por parte dos empregadores. “Venho alertando há mais de dois anos que os aumentos verificados nos dissídios da categoria estavam acima do razoável e acredito que, na próxima negociação, não será possível ir além da reposição da inflação passada, se tanto.”

    A inovação e diversificação dos produtos oferecidos ao mercado também se revestem de elevado grau de relevância. “O volume vendido de tintas não deve crescer em tempo de crise, mas é possível vender produtos de maior valor, contendo inovações que levem ao consumidor benefícios palpáveis”, comentou. Lacerda aposta nas linhas superpremium, de alto valor e indicadas para consumidores de elevado poder aquisitivo.

    O conceito de superpremium não é preciso, pode se referir a itens com uso específico, ou tintas de elevada resistência e durabilidade. “Como o mercado de tintas está normalizado pela ABNT, o consumidor já espera que um superpremium terá desempenho superior ao de um produto premium”, explicou Ferreira.

    A cadeia setorial, incluindo lojas e distribuidores, pode se esforçar para incentivar o consumo de tintas. Uma das medidas possíveis consiste no treinamento técnico dos vendedores nos pontos de venda. “Uma rede de material de construção investiu para treinar 2 mil vendedores e verificou aumento de 22% do mix vendido depois dessa qualificação”, revelou Cláudio Conz, da Anamaco. As tintas representam o carro-chefe de vendas nesses lojas, especialmente no comércio de pequeno e médio porte.

    Embora aponte redução do volume vendido no varejo de materiais em geral da ordem de 3,2% no acumulado de doze meses (base em junho), com aumento de faturamento de 1,9%, Conz rejeita prognósticos muito catastrofistas. “Talvez até tenhamos um ligeiro aumento de vendas em 2015”, afirmou.

    Ele aponta uma forte razão para ser otimista quanto ao futuro da demanda por itens de construção e reforma de residências. “De 2000 a 2015, foram ocupados mais de 20 milhões de novos domicílios e, até 2020, teremos mais 4,4 milhões de novas unidades habitacionais sendo entregues aos compradores em todo o país”, salientou. “Isso é demanda adicional.”

    O segmento das grandes construtoras de imóveis, no entanto, passa por graves dificuldades. Eduardo Zaidan, presidente do Sinduscon-SP, aponta a existência de um descompasso de dois a três anos entre o momento econômico e a situação dos empreendimentos do setor, explicada pelo tempo requerido para a execução dos projetos. “Há uma falta generalizada de novos projetos, por isso o nível de emprego no setor poderá cair 14,3% neste ano, ou seja, com o fechamento de 475 mil postos de trabalho”, apontou.

    Com base em estudo conduzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele informou que, caso o PIB caia 2%, a retração da construção civil chegará a 7%. A produção de cimento no primeiro semestre deste ano teve retração de 9,64%, atestando a estimativa do sindicato setorial. “O índice de confiança dos empresários do setor é o mais baixo dos últimos cinco anos, a grande crise que temos hoje é de confiança”, salientou, comentando que o Brasil já atravessou pelo menos oito recessões desde 1980, nunca de forma tão dramática como a atual.



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