Tintas: Sistema tintométrico das tintas imobiliárias chegou há 25 anos

A maior dificuldade do mercado brasileiro está na baixa percepção da qualidade dos produtos e da sua durabilidade. “O preço não deveria ser determinante na venda, mas o poder de cobertura e a durabilidade”, afirmou Rácz. Os sistemas tintométricos usam entre 14 e 16 pigmentos universais concentrados, de altíssima qualidade, para formular milhares de cores diferentes com excelente reprodutibilidade. “As bases também precisam ser muito bem produzidas, com alta qualidade, para que se alcance o resultado desejado”, explicou. Dessa forma, a tinta formulada na loja é um produto superior em relação às tintas prontas, fabricadas em alta escala e com atenção especial ao custo final. “Está escrito nas latas: tem rendimento maior, dura mais, mas esses atributos são pouco valorizados”, lamentou.

Os consultores informaram que, segundo dados dos fabricantes dos equipamentos, há 15 mil desses sistemas em operação no Brasil, apenas na linha imobiliária, ou seja, praticamente todas as lojas especializadas em tintas possuem pelo menos um. “A mão-de-obra no ponto de venda também precisa evoluir para orientar melhor os consumidores, esse também é um fator limitante”, considerou Yamaga.

No entender dos consultores, sócios da Rácz, Yamaga & Associates, há uma demanda reprimida no segmento de tintas imobiliárias decorativas, explicada pela redução do poder aquisitivo da população e da baixa confiança do consumidor quanto ao futuro da economia. “Quando houver uma melhora significativa desses indicadores, a venda de tintas vai crescer e incentivar a evolução qualitativa do mercado”, afirmou Yamaga.

As tintas formuladas nos pontos de venda se beneficiarão do novo ambiente de negócios, agregando mais opções tecnológicas. “Já existem instrumentos muito bons para leitura de cores, com softwares ajustados aos sistemas, com isso, uma cliente pode mandar fazer uma tinta com a cor idêntica à da sua blusa ou bolsa, por exemplo”, comentou Rácz.

Ambos recomendam à indústria apostar no aumento do valor agregado aos produtos, pois o volume total previsto para ser vendido em 2021 ainda ficará abaixo do comercializado em 2013. Dessa forma, como os investimentos em equipamentos já foram feitos, é o momento para reforçar as vendas de tintas por meio dos sistemas tintométricos.

Aliás, Rácz aponta que o mesmo conceito está sendo aplicado internamente nas indústrias para a fabricação de cores prontas com elevado grau de automação. “O conceito é o mesmo, mas o tamanho dos equipamentos é muito maior”, explicou. “É a geração 4.0 da indústria de tintas.”

Mercado em adaptação – Apesar dos estrepitosos movimentos de fusões e aquisições no setor de tintas, os consultores apontam que o mercado não está em ritmo de concentração acelerada. “As três maiores fabricantes de titnas do mundo detém 25% do mercado global há 15 anos, isso não mudou”, comentou Yamaga. No Brasil, há 20 anos, as seis maiores companhias chegaram a dominar quase 75% do mercado local, mas esse percentual caiu para 45%. “Os fabricantes de médio porte cresceram muito”, afirmou. “A indústria opera sob forte pressão para gerar lucros no curto prazo, isso nem sempre é positivo”, avaliou.

Rácz e Yamaga preveem um aumento de vendas de tintas no Brasil de 2,2% em 2017, em comparação com 2016. As exportações de automóveis explicam a tendência de melhoria dos resultados do setor. A venda de tintas imobiliárias (com a maior participação volumétrica do setor) deve crescer apenas 1% no mesmo período. O crescimento apontado é animador, pois 2016 registrou queda de 6,8% em volume de vendas.

Apesar da boa perspectiva de negócios, os consultores apontam que o consumo per capita de tintas decorativas ainda é baixo no Brasil, próxima de 6,1 litros por habitante/ano. O melhor resultado do segmento foi obtido em 2013, passando de 7,0 l/hab/ano. “Na melhor das situações projetadas, só voltaremos a esse consumo per capita depois de 2021”, afirmou Yamaga.

As tintas de performance (incluindo automotivas) devem apresentar a partir deste ano um crescimento anual médio de 5,1%. Com isso, o volume previsto para vendas em 2021 já superará o alcançado em 2013, este e 463 milhões de litros. Considerando todos os segmentos, a venda total de tintas no Brasil deve retomar em 2020 o patamar alcançado em 2013, quando foram vendidos mais de 1,9 bilhão de litros, como esperam os consultores.

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