Tintas e Revestimentos

Tintas: Sistema tintométrico das tintas imobiliárias chegou há 25 anos

Marcelo Fairbanks
19 de novembro de 2017
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    Química e Derivados, Yamaga e Rácz (dir.): sistema ainda tem potencial para crescer

    Yamaga e Rácz (dir.): sistema ainda tem potencial para crescer

    Há exatos 25 anos, a indústria brasileira de tintas decorativas imobiliárias apresentou os sistemas tintométricos (as tais mix machines) para as cadeias de varejo. As linhas para repintura automotiva já contavam com essa opção um ano antes, mas são produtos e estratégias de mercado diferentes, como explicam os pioneiros do conceito no país.

    “Apresentamos o sistema tintométrico para as tintas imobiliárias brasileiras em 1992, durante a Feira da Habitação, Fehab”, ressaltou o consultor Washigton Yamaga, na época diretor comercial da Akzo, detentora das marcas Wanda e Ypiranga. A tecnologia já era usada no exterior e o Brasil vivia um período de modernização acelerada, iniciada pela abertura comercial promovida pelo governo Collor de Mello. “A Ypiranga e a Coral eram, respectivamente, a terceira e a segunda força do mercado de tintas imobiliárias, perdendo para a líder Suvinil”, comentou. A intenção era melhorar a posição nas vendas das tintas para paredes (látex), pois a Coral tinha boa presença nos esmaltes e a Ypiranga nos vernizes. “Apostamos que a inovação nos levaria a dar um salto à frente da concorrência, permitindo formular tintas de alta qualidade com uma paleta muito ampla de cores, até então inacessível aos consumidores.”

    A Ypiranga apresentou o conceito na Fehab, mas quem primeiro levou o sistema para a rede de lojas foi a Coral, como explicou o consultor Francisco Zoltán Rácz, na época líder de desenvolvimento da tecnologia da Akzo. “Nós demoramos a apresentar um sistema comercial, enquanto a Coral, que também estava desenvolvendo a tecnologia, entrou forte no varejo”, salientou Rácz. O sistema não depende apenas do equipamento de dosagem e mistura e das bases de tintas, mas precisa ter estoques, organização comercial, treinamento e marketing adequado.

    A resposta dos concorrentes demorou um ano, no caso da Sherwin-Willims, e dois anos, para a Basf/Suvinil. “A Sherwin já contava com esse sistema implantado nos Estados Unidos, por isso respondeu mais rapidamente”, disse Rácz. Na época, como salientou, máquinas computadorizadas eram novidades muito caras. “A parte eletrônica, o computador, representava um investimento muito alto, mesmo no exterior, e no Brasil tínhamos impostos de importação elevados”, apontou. Um equipamento controlado por computador podia custar de US$ 5 mil a US$ 7 mil, valor hoje estimado em US$ 2 mil. A manutenção desses conjuntos também rendeu algumas dores de cabeça, hoje totalmente superadas.

    Sistemas manuais similares já existiam, mas ofereciam recursos limitados. “O usuário precisava ter as bases e os colorantes, mas também um livro de fórmulas para acertar a cor e expertise na operação”, comentou.

    A introdução dos sistemas tintométricos na repintura automotiva foi diferente. Yamaga comentou que a Akzo/Wanda introduziu no Brasil esses produtos em 1991, com boa receptividade. “Era uma resposta à globalização dos automóveis, as oficinas precisavam ter as cores certas para reparar as Mercedes, os Audis e outros carros importados que começaram a entrar no país depois do Collor”, comentou. Como explicou, quem define a cor do carro é a montadora e a repintura precisa ser feita com a cor idêntica à original. “Esse é o valor agregado no caso: reparo rápido e preciso.” Era uma necessidade urgente de mercado e, por isso, foi rapidamente adotada.

    No caso das tintas imobiliárias, o foco era diferente. “O conceito era oferecer mais opções de cores para os clientes dentro dos pontos de venda; não era preciso esperar que a fábrica produzisse um lote especial, mas o cliente levaria na hora a cor desejada”, ressaltou Yamaga. Nesse caso, era preciso convencer toda a cadeia comercial sobre as vantagens da inovação. E isso demorou a acontecer.

    Ainda hoje, a venda de tintas misturadas nos pontos de vendas no Brasil representa perto de 15% do total, uma participação muito abaixo da projetada há 25 anos. No lançamento, além da oferta ampliada de cores, dois outros argumentos foram apontados para alavancar o sistema: a redução de inventário nas lojas de tintas (bastaria ter as bases, as demais cores seriam misturadas na hora) e o aumento da produtividade na fabricação das tintas (que poderia se restringir às bases). “Porém, em 1992, a rapidez no atendimento aos clientes não era um valor percebido pelo mercado, mas era uma oportunidade real”, comentou.

    Rácz comentou que a participação das tintas formuladas nas lojas fica entre 80% e 90% nos Estados Unidos e na Europa. “No Chile, por exemplo, quase não se vende cor pronta, só o branco, as demais saem de sistemas tintométricos”, disse Rácz.



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