Cosméticos: Ativos naturais fundamentam recorde de vendas

Tendências de mercado - Biotecnologia e ativos naturais fundamentam recorde de vendas

A idéia de criar exclusividades começou com os perfumes. Formulados sob encomenda por renomadas casas de fragrâncias francesas, incorporam buquês únicos e aromas personalizados, desenvolvidos por perfumistas em experiências tecnológicas, comportamentais e sensoriais.

A sofisticação de poder elaborar fragrâncias personalizadas se propagou, contudo, para as criações cosméticas, agregando a essa idéia ainda mais tecnologia e conhecimento científico.

Nos Estados Unidos, conforme constatado por especialistas, já se põe em prática a técnica que orienta a produção de cosméticos em função das características genéticas de cada indivíduo, e que resulta na formulação de cremes e loções especiais.

As novas criações cosméticas advêm de descobertas geradas com a decodificação do genoma humano.

A decodificação das células humanas já oferece grandes avanços para as novas criações cosméticas. “Basta aplicar um bastonete absorvente que vem embalado num pequeno tubo na mucosa oral do indivíduo para se conseguir colher seu material genético e depois enviá-lo para decodificação a um laboratório de genética aplicada para se obter pouco tempo depois um cosmético com propriedades específicas para tratar aquele indivíduo”, informou o farmacêutico Emiro Khury, diretor da EK Consulting Scientific Strategies in Cosmetics, empresa de consultoria especializada em cosméticos, com sede em São Paulo.

Atuante há 25 anos no setor, ele perdeu a conta de quantos desenvolvimentos cosméticos já fez, mas, mesmo assim, ainda se surpreende com os avanços alcançados nos últimos anos na área de cosmetologia, propiciados por inúmeras e exaustivas pesquisas.

“A decodificação do genoma humano agregou muitas informações importantes para a indústria cosmética que, antes, só eram conhecidas de forma relativamente empírica. Hoje, todos sabemos que um produto cosmético pode perfeitamente produzir efeitos sem que para isso seja preciso penetrar na pele.

Ao contrário, basta conectar uma molécula na superfície da pele para que seja enviada uma mensagem por meio de imunomoduladores até as camadas mais profundas da epiderme, produzindo-se, então, o efeito esperado.

O conhecimento científico atual também permite que os ingredientes sejam rastreados sobre a pele, utilizando-se uma técnica de engenharia genética, a PCR.

Assim, os extratos vegetais, por exemplo, são estudados sob o aspecto do que podem oferecer aos gens, produzindo modificações fisiológicas na pele e, a partir desse estágio, surge uma nova geração de ingredientes capazes de ativar os gens, baseados em conhecimentos adquiridos no sequenciamento e na decodificação do genoma”, informou Khury.

Além das ciências biológicas, como a medicina, que propiciou o desenvolvimento de novos métodos analíticos voltados ao estudo e ao tratamento de doenças, outras grandes responsáveis pelo desenvolvimento acelerado de ingredientes e aplicações cosméticas são as proteínas, tanto animais como vegetais e biossintéticas.

“As grandes respostas científicas para o desenvolvimento de novas formulações e os novos conceitos em cosméticos advêm das proteínas, ou seja, dos peptídeos”, considerou Khury.

No futuro próximo, de acordo com seu prognóstico, aos peptídeos deverão somar-se os carboidratos, isto é, os açúcares, que representam uma espécie de nova fronteira que já começa a ser transposta, mas que tem potencial para gerar grandes benefícios para o desenvolvimento de novas fórmulas.

“Há muitos anos elaborávamos xampus e cremes hidratantes com mucilagens de algas marinhas. Hoje, utilizamos praticamente as mesmas matérias- primas, compostas de associações de diversos açúcares como lactose, galactose, ramnose etc., e desenvolvemos novos produtos cuja principal propriedade é promover a renovação celular, estimulando os fibroblastos, e conduzindo à renovação das células”, comentou Khury.

A nova forma de compreender e aproveitar as propriedades dos ativos parece simples, mas muito tempo e investimento foram necessários para que os pesquisadores chegassem a essa conclusão:

Petróleo & Enegia, Emiro Khury, diretor da EK Consulting Scientific Strategies in Cosmetics, Cosméticos - Tendências de mercado - Biotecnologia e ativos naturais fundamentam recorde de vendas
Emiro Khury: engenharia genética para auxiliar na criação das formulações

“Descobriu-se que com a associação de carboidratos é possível produzir efeitos altamente benéficos nas camadas mais profundas da epiderme, fato que enriquece ainda mais a importância da cosmetologia, que tem por missão sempre propagar a verdade”, afirmou o diretor.

Assim, com base no conhecimento mais aprofundado sobre as propriedades dos peptídeos e dos carboidratos, surgiram as mais novas tendências em formulações cosméticas, entrelaçando a neurocosmética, a comunicação celular e a inibição das metaloproteinases.

Em se tratando de peptídeos, já é possível desenvolver cosméticos com pentapeptídeos. A dificuldade, contudo, segundo Khury, não está na produção de peptídeos – em apenas quatro horas, podem ser produzidas cem mil diferentes combinações deles – e sim na descoberta de quais peptídeos realmente possuem atividade biológica, quais são totalmente seguros e quais apresentam maior interesse para o setor.

“Para encontrar as respostas para todas essas questões, muitas vezes são necessários de cinco a sete anos”, acrescentou Khury. Isso explica porque o número de lançamentos e patentes requeridas no mundo todo é alto, aproximando- se de dez mil a quinze mil novas moléculas ao ano, enquanto o número de lançamentos é bem mais reduzido, pois apenas uma parcela dessas moléculas será efetivamente incorporada às fórmulas e dará origem a novos produtos.

O tempo e o dinheiro gastos para o lançamento de cosméticos realmente inovadores também explicam porque são poucas as empresas que investem em novos desenvolvimentos.

“As empresas do setor cosmético buscam racionalizar seus recursos e concentrá-los em corebusiness e na comercialização. Muitas delas terceirizam a competência de desenvolver novos produtos para núcleos universitários ou núcleos de fornecedores, porque sabem que precisam atender ao ritmo acelerado de lançamentos que devem ser feitos a cada temporada.”

Crescimento é o maior do mundo – Terceiro maior mercado cosmético do mundo, o Brasil contabiliza avanços muito significativos na comercialização de cosméticos e conta com perspectivas muito promissoras para ocupar posições ainda mais destacadas nos próximos anos.

Em 2007, as vendas de cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes, segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), movimentaram US$ 22,23 bilhões, registrando 22,6% de crescimento em relação a 2006.

Com esse resultado, o Brasil alcançou o mais alto nível de crescimento entre os dez maiores países em consumo do mundo, superando o percentual da também emergente China, que cresceu 17% em relação a 2006.

Outra boa novidade: no consumo de produtos para cabelos, cosméticos masculinos e produtos para higiene oral, o país passou a ocupar a segunda posição no ranking dos maiores consumidores mundiais, e se mantém firme na segunda colocação em produtos infantis, desodorantes e perfumes.

Para se ter uma idéia um pouco mais exata da grande expansão no consumo que ocorreu em alguns segmentos do mercado brasileiro, em 2006, o país ocupava a terceira posição entre os maiores consumidores de produtos para cabelos, compreendendo nessa categoria xampus, condicionadores, produtos para tratamento capilar, fixadores, modeladores, tinturas, descolorantes, produtos para permanentes e alisantes e, nesse mesmo ano, ocupava a quarta posição no consumo de cosméticos masculinos e produtos para higiene oral.

Outro resultado bastante significativo vem do consumo de protetores solares, segmento no qual o país saltou da sexta para a terceira posição em 2007.

E o aquecimento do mercado interno poderá ficar ainda melhor. Projeções indicam que o mercado brasileiro poderá vir a ocupar a liderança mundial na comercialização de desodorantes já em 2008, segmento no qual o desempenho atual já corresponde a 15% do mercado mundial.

Até 2010, especialistas observam que o Brasil tem a chance de se tornar o vice-líder mundial em consumo de cosméticos, posição atualmente ocupada pelo Japão, que respondeu em 2007 por um faturamento de US$ 30,50 bilhões, sendo apenas superado pela tradicional liderança dos Estados Unidos que, no último ano, registrou a megacifra de US$ 51,33 bilhões na comercialização de cosméticos.

Recentemente, panorama setorial divul gado pela empresa de consultoria Factor de Solução, pertencente ao grupo Kline, que atua globalmente, indicou que o mercado cosmético mundial movimentou US$ 270 bilhões em 2007, nas vendas do varejo, apresentando crescimento de 6,3% em relação a 2006. Assim, o crescimento mundial em 2007 alcançou seu ponto mais alto desde o início dessa década, apresentando, em média, taxa anual de crescimento de 5,5%, desde 2003.

A Europa continua sendo o maior mercado cosmético, mas, nos últimos anos, vem perdendo em participação para outras regiões do mundo. Em 2003, a Europa respondia por uma fatia de 39% do mercado mundial, enquanto Ásia, América do Norte e América Latina respondiam, respectivamente, por 25,5%, 22% e 10%.

Em 2007, o percentual de participação da Europa diminuiu para 37,3%, enquanto a Ásia respondeu por 25,9%, a América do Norte por 20,4% e a América Latina, com 12,9%, respondeu pelo nível de crescimento mais acelerado.

Enquanto França, Alemanha, Itália, Japão, Espanha e Estados Unidos respondem por níveis de crescimento inferiores a 5%, Brasil, Argentina, China, Índia e Rússia revelam taxas de crescimento superiores a dois dígitos.

Os Estados Unidos continuam a ocupar o topo no ranking dos maiores produtores mundiais em volume de mercado, mas o Brasil subiu da quinta para a quarta posição em volume, no comparativo entre 2006 e 2007.

Os franceses apresentam o maior gasto per capita ao ano em cosméticos do mundo: US$ 245,31 por habitante, enquanto os brasileiros gastam US$ 98,05, o que revela o quanto ainda o consumo poderá crescer.

De acordo com avaliações de consumo global realizadas pela Factor de Solução, são os cosméticos para cuidados e tratamento da pele que apresentam os maiores percentuais de participação no mercado global: 28,8%. Os cosméticos para cuidados com os cabelos respondem por 21%, maquiagens (14,9%), toaletes (14,9%), fragrâncias (11,6%) e  produtos para higiene bucal (8,8%).

O segmento que mais cresceu em vendas no mercado brasileiro em 2007 foi o de produtos masculinos para a pele (27,5%). Esse desempenho foi seguido pelos níveis de comercialização alcançados por batons e glosses (22,1%), maquiagens para olhos (21,4%), protetores solares (21%), maquiagens para o rosto (20,2%), anti-sépticos bucais (19,1%), produtos para coloração dos cabelos (18,2%), loções para mãos e corpo (16,3%), cosméticos para tratamentos faciais (15,6%), condicionadores (14,1%), perfumes femininos (13,1%), desodorantes e antitranspirantes (12,4%), xampus (12,3%), cosméticos para uso infantil (12,2%), perfumes masculinos (11,8%), entre outras categorias que também registraram crescimento positivo.

“O consumo nos países emergentes está crescendo em ritmo muito acelerado”, observou Sérgio Rebêlo, diretor da Factor de Solução. Especializada em estratégias de crescimento, a empresa elabora planos de desenvolvimento de produtos, orienta clientes a ingressar em novos mercados regionais e globais e promove análises de competitividade sob encomenda das empresas.

De acordo com uma das últimas avaliações da Factor de Solução, cujo conhecimento ajuda a melhor compreender porque o Brasil representa um dos mercados mais promissores em cosméticos do mundo, despontando no grupo dos países emergentes, é que, além do aumento do consumo interno, atribuído ao melhor poder aquisitivo das classes sociais C, D e E, as previsões para os próximos anos apontam queda nas vendas de cosméticos em países europeus e nos Estados Unidos, motivada por retrações no consumo.

“Com isso, poderemos contar com maior interesse das grandes corporações multinacionais pelos mercados emergentes, que têm padrão de consumo inferior ao dos países desenvolvidos, mas registram demandas crescentes por cosméticos básicos como xampus, sabonetes, cremes dentais e desodorantes”, avaliou Rebêlo.

Portanto, segundo acredita o diretor, os níveis de crescimento nos mercados emergentes serão maiores e deverão impulsionar as indústrias a desenvolver cada vez mais produtos básicos a custos compatíveis com a renda per capita observada em cada um desses países.

“A nosso ver, essa será a única maneira viável para que as multinacionais alcancem taxas de crescimento satisfatórias, já que o crescimento será menor nos países desenvolvidos”, aconselha.

Se confirmadas tais projeções, é provável que ocorra um certo arrefecimento no crescimento das empresas locais, pois, segundo Rebêlo, essas empresas passarão a enfrentar maior competição de gigantes do setor cosmético, interessados em mercados em expansão.

“A esse cenário, acrescente-se ainda as exigências do Reach (Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de Substâncias Químicas), a nova legislação da União Européia para substâncias químicas, implantada desde 1º de junho de 2007, que, entre outras conjunturas, deverá levar a algumas fusões e aquisições nos próximos anos”, disse Rebêlo.

Outras tendências observadas pelo consultor apontam para o crescimento no mercado de cosméticos funcionais, voltados à diminuição de rugas e da queda de cabelos.

O próximo ciclo de crescimento no mercado de fragrâncias, segundo o consultor, deverá ser liderado por produtores locais que possam apresentar preço menor em relação aos produtos importados. “Os produtos importados continuarão a crescer muito nos próximos anos.

Porém, com a desvalorização do dólar, é possível que haja um crescimento maior em unidades do que em valores.

Por outro lado, com a renda brasileiro aumentando, muitos consumidores irão ascender para a classe média, o que coloca novos consumidores no mercado, como aqueles que sequer imaginavam anos atrás gastar parte de sua renda com perfumes e que, agora, já o fazem, ingressando no mercado em busca de produtos mais baratos.”

“Outra forte tendência que, aliás, não é novidade, é o aumento de cosméticos com ingredientes naturais, que deverá dominar o mundo nos próximos anos”, informou Rebêlo. No mundo todo, o mercado de cosméticos naturais cresceu, em média, 14,1% ao ano, no período de 2002 até 2007, enquanto no Brasil o crescimento foi maior: alcançou no mesmo período 18% em média, ao ano.

No quesito ingredientes naturais e extratos botânicos, as exclusividades da Floresta Amazônica, de acordo com prognósticos, deverão continuar em alta, mas também as vendas dos cosméticos masculinos para a pele tendem a crescer, principalmente impulsionadas pela compra de consumidores mais maduros.

Até preocupações dos brasileiros em evitar problemas de saúde deverão reverter em maior demanda de cosméticos, principalmente relacionadas com o câncer de pele e o surgimento de rugas, elevando, por conseqüência, o consumo de cosméticos antiidade e de protetores solares.

“As vendas nos segmentos de batons e maquiagens para olhos também deverão ser impulsionadas pelo maior número de ações e campanhas de marketing dos líderes do setor cosmético, e as empresas brasileiras seguramente aumentaram sua participação no mercado em produtos para cuidados com os cabelos graças às estratégias bemsucedidas de focar seus produtos em mercados de baixa renda e na classe média”, considerou Rebêlo.

As indústrias cosméticas também passaram a estudar nos últimos anos novas possibilidades para a abertura de novos canais de vendas, para abranger um maior número de consumidores. Dentro dessa nova postura gerencial, não deve causar estranheza aos profissionais do setor se algumas empresas tradicionais resolverem atuar em salões de beleza, enquanto outras promovam a abertura de canais de vendas diretas ao consumidor.

Petróleo & Energia, Sérgio Rebêlo, diretor da Factor de Solução, Cosméticos - Tendências de mercado - Biotecnologia e ativos naturais fundamentam recorde de vendas
Sérgio Rebêlo: países emergentes atraem as grandes corporações globais

“Por muitos anos, as empresas do setor cosmético deram como estabelecidos os seus canais de vendas, mas o crescimento das vendas diretas e das vendas em salões de beleza, aliado à maior demanda dos consumidores por informação, está fazendo com que algumas empresas passem a rever seu posicionamento no varejo, para que seus produtos não sejam apenas mais alguns entre as centenas deles à mostra nas prateleiras”, comentou Rebêlo.

Ao observar o comportamento do consumidor brasileiro, a Factor de Solução também elaborou uma espécie de diagnóstico dos gastos feitos pela população com cosméticos, que já respondem por mais de 20% das despesas totais mensais realizadas em supermercados.

Outro fato que vem chamando a atenção dos consultores é que os consumidores brasileiros estão mais bem informados sobre os atributos e benefícios dos produtos, e atribuindo maior importância à qualidade dos cosméticos.

Como integrante do cenário global e receptivo a várias infl uências, o Brasil está muito longe de representar uma ilha quando o assunto é tendência.

A China, segundo comprovam estudos conduzidos pela Factor de Solução, também posicionou o uso de ingredientes naturais em cosméticos na ordem das preferências dos consumidores, e quanto mais aumenta o padrão de vida da população maior se torna a demanda por cosméticos de qualidade.

Dados da prosperidade econômica encontrados também na Índia indicam, além da maior disseminação de hábitos ocidentais, a preferência por produtos naturais e ayurvédicos e mudanças no comportamento do consumidor, que já começa a se interessar por cosméticos antienvelhecimento.

Porém, outro aspecto também chama a atenção na Índia: as embalagens contendo pequenas porções de cosméticos e produtos de higiene em sachês, especialmente xampus, condicionadores e itens para uso bucal, estão sendo cada vez mais difundidas entre os setores da população de baixo poder aquisitivo, encontrados em áreas rurais e nos subúrbios das cidades.

Mais sensíveis aos preços, eles também encontraram uma forma de consumir produtos cosméticos em pequenas porções.

Na Rússia, os cosméticos com ingredientes naturais também encontram demanda crescente. Observa-se ainda naquele país o aumento nas vendas de desodorantes sem fragrâncias e de itens considerados de maior valor agregado como cosméticos coloridos, produtos para o público masculino e para uso infantil, além de soluções antienvelhecimento e anticelulite.

Dois tipos de consumidores foram identificados no mercado russo: os mais velhos preferem cosméticos com ingredientes naturais, não aceitam produtos estrangeiros e não acreditam em propaganda, enquanto os mais jovens dão ouvidos aos conselhos dos vendedores e são bastante infl uenciados por propagandas ocidentais.

“Os mercados emergentes continuarão no futuro a oferecer boas oportunidades de crescimento para a indústria cosmética. A Europa e a América do Norte continuarão a perder participação de mercado, enquanto a América Latina deverá se aproximar mais dos níveis de participação da América do Norte”, prognosticou o consultor Rebêlo.

No cenário projetado para 2012 pela Factor de Solução, a participação da Europa no mercado global será de 35,8%. A Ásia terá uma fatia correspondente a 26,2%, enquanto a América do Norte e a América Latina participarão do mercado global, respectivamente, com 17,9% e 16,5%.

Laboratório a céu aberto para cabelos – Os consumidores brasileiros também estão propensos a alterar cada vez mais a estrutura dos cabelos e a fazer uso de colorações cada vez mais cedo, ainda quando jovens. Com isso, os cabelos podem sofrer agressões mais precocemente, aumentando também a demanda pelo uso de condicionadores.

Por isso, quanto maior for o conhecimento sobre as diferentes estruturas das fibras capilares, maiores serão as chances para se desenvolver produtos mais efetivos e que atendam aos diferentes apelos dos consumidores.

Em virtude da diversidade de etnias e tipologias de cabelos que compõem a população, o Brasil é quase um laboratório a céu aberto, terreno fértil para a realização de pesquisas para melhorar a estrutura dos fios e tornar os cabelos mais macios, sedosos e penteáveis.

Por isso, o estudo dos cabelos dos brasileiros tem despertado não só grande interesse das indústrias cosméticas, como também de instituições acadêmicas.

“O Brasil dita tendências em cosméticos para cabelos e poderá projetar- se bem mais lá fora nessa área em franco crescimento e que exige grande diversidade de formulações em virtude da grande miscigenação de etnias, e que resulta em diferentes tipos de cabelos”, considerou a professora doutora Maria Valéria Robles Velasco, da área de cosmetologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo.

Responsável pela orientação de inúmeras pesquisas, ela e seus alunos começaram recentemente a avaliar o comportamento de extratos e óleos em tinturas capilares, e também se envolveram com um trabalho de caracterização estrutural das fibras capilares, provenientes de cabelos afro-étnicos, via tomografia por coerência óptica (OCT), com o objetivo de obter imagens tomográficas de fibras capilares in vitro, uma técnica não-destrutiva e não-invasiva e com grande potencial de aplicação em cosmetologia.

“Os cabelos afro-étnicos são muito ondulados e mais suscetíveis à quebra. A composição de aminoácidos é similar à dos cabelos dos tipos caucasiano e asiático, mas a sua disposição é diferente, sendo responsável pelas variações estruturais que dão origem às diferentes aparências”, diz um dos estudos conduzidos pela professora.

Assim, o grau de curvatura das fibras capilares está diretamente relacionado com a forma do fio de cabelo, o que determina a aparência e a necessidade de condicionamento.

Enquanto os cabelos do tipo asiático têm espessura grossa, curvatura lisa a ondulada, forma arredondada a levemente oval, cor castanho escuro a preto amarronzado e diâmetro de 95 microns, os cabelos do tipo africano são grossos, têm curvatura ondulada a enovelada, forma levemente oval a elíptica, cor castanho escuro a preto e diâmetro correspondente a 90 microns.

Já os cabelos do tipo caucasiano são fi nos, lisos a ondulados, apresentam forma arredondada a levemente oval e cor loura a castanho escuro, além de diâmetro menor, de 70 microns.

Brilho, controle do frisado e redução de volume estão entre os atributos mais procurados por consumidores com cabelos cacheados e crespos, e que encontram solução, de acordo com estudos mais recentes, na escolha de ingredientes naturais derivados de componentes da soja que podem ser incorporados às fórmulas.

Estudos mais recentes também demonstraram que nanopartículas de sericina aplicadas em cosméticos para tratamento de cabelos danificados proporcionam mudanças muito positivas no sensorial dos cabelos.

Além de selar as cutículas, diminuem o volume e recuperam a aparência saudável, formando um filme-protetor protéico que confere homogeneidade ao relevo dos fios, eliminando o efeito “arrepiado”.

Esses, entre tantos outros estudos, comprovam que os consumidores de produtos para cabelos estão mais propensos a experimentações, mas também são muito exigentes quanto à eficácia das inovações em xampus, condicionadores, entre outros itens para cuidados e tratamento.

Entre as próximas pesquisas a serem empreendidas pela área de cosmetologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP está a descoberta do potencial de flavonóides encontrados em plantas, para maior aproveitamento pela indústria cosmética.

A química verde se propaga – O uso de extratos e óleos naturais em águas para perfumar e preparações para rejuvenescer, hidratar e relaxar a pele e os cabelos remonta à Antiguidade.

Mas somente no século passado, com o desenvolvimento da biotecnologia e da engenharia genética, foi viabilizado o cultivo de plantas aromatizadas fora de seu habitat natural, como alternativa ao extrativismo.

Para ser considerado natural, pelo menos 90% dos ingredientes de um produto cosmético precisam ter origem natural. As formulações cosméticas evoluíram tanto nessa direção que, hoje, 100% dos ingredientes podem ter origem natural, envolvendo desde as substâncias até as tecnologias utilizadas para sua extração, purifi cação e produção.

Outra condição a ser observada pelos fabricantes para que um cosmético possa ser considerado natural é não realizar testes em animais. Não recorrer ao uso de derivados de petróleo, nem corantes e fragrâncias artifi ciais também são prerrogativas.

A concepção de um cosmético natural parte do princípio de que o produto e seus processos de produção não irão agredir a saúde, nem o meio ambiente.

O grande mercado para os produtos naturais há muitos anos continua sendo a Europa, mas Estados Unidos, Brasil, entre vários outros países, também começaram a se interessar mais por cosméticos originados na natureza, tendo em vista o número crescente de lançamentos promovidos por indústrias cosméticas que, no passado, não davam tanta importância aos extratos, óleos e manteigas provenientes de fontes naturais.

Petróleo & Energia, Desodorante Bi-O, garantia de 48 horas de proteção, Cosméticos - Tendências de mercado - Biotecnologia e ativos naturais fundamentam recorde de vendas
Desodorante Bi-O, garantia de 48 horas de proteção

Por conter nutrientes e propriedades terapêuticas, as matérias-primas utilizadas na fabricação de cosméticos naturais são hoje muito demandadas por indústrias cosméticas nacionais e internacionais, sendo grande parte delas encontrada em território brasileiro, principalmente na Região Amazônica.

Esse é o caso dos óleos de sementes e manteigas de açaí, andiroba, buriti, castanha- do-pará, cacau, canela, copaíba, cupuaçu, pracaxi, maracujá, murumuru, ucuuba, entre muitos outros (ver tabela) cada vez mais utilizados nas formulações de sabonetes, xampus, condicionadores, cremes, loções, seruns etc.

Síntese de molécula da pele reforça desodorante

A maior eficácia de desodorantes parece também sinalizar tendência nesse segmento. Os laboratórios Garnier, do grupo L’Oréal sintetizaram a molécula acti-cuteíne, naturalmente existente na pele, e a adicionaram à fórmula do desodorante Bi-O, garantindo 48 horas de proteção. O novo desodorante conta com pidolato de zinco e seus sais minerais, ativo com ação antiinflamatória e regeneradora.

“A natureza nunca esteve distante das criações cosméticas. É nossa fonte de inspiração e de insumos desde a Antiguidade”, considerou o consultor Khury. Hoje, a preocupação dos especialistas do setor não se restringe apenas ao conhecimento e às aplicações dos insumos, fragrâncias e flavonóides de plantas encontrados na natureza, mas também envolve as agressões cometidas contra ela, abrangendo o âmbito da toxicidade das substâncias, as tecnologias e os processos que levaram à sua produção.

“Tempos atrás, uma molécula de petróleo era o suficiente para que pudéssemos produzir um emulsionante. Hoje, descobrimos novos caminhos e sabemos que é perfeitamente possível produzir com um mosto de sementes de gérmen de trigo um emulsionante tão eficiente quanto aquele e bem mais seguro para as formulações cosméticas”, exemplificou Khury.

Em concordância com Khury, Vânia Maria Pacchioni, diretora técnica da Croda do Brasil, afirmou: “Há um grande movimento global direcionado para o que denominamos ‘química verde’ hoje no mundo.”

“Hoje, já há consenso mundial em torno da definição da Organização das Nações Unidas, a ONU, sobre o que vem a ser produzir dentro de bases sustentáveis, sem comprometer a vida das gerações futuras, formulando-se em nosso caso específico cosméticos com o uso de substâncias da química verde, sem agredir a natureza, e utilizando também ‘tecnologias verdes’”, acrescentou Vânia, especialista da área de matérias-primas.

Segundo a doutora em química Raquel S. Angelo, pesquisadora da Croda do Brasil, não basta tratar resíduos e efl uentes, pois a química verde pressupõe o desenvolvimento de produtos e processos amigáveis com o meio ambiente.

“A forma de obtenção dos ativos é hoje tão relevante quanto o próprio ingrediente ativo”, considerou Raquel. Isso significa encontrar tecnologias alternativas e eficientes para gerar matérias- primas sem empregar solventes nas reações, por exemplo.

“Os solventes orgânicos utilizados nos processos de extração e purifi cação de ingredientes ativos de plantas para aplicações cosméticas podem ser perfeitamente substituídos por outras formas de extração e purifi cação de moléculas, conforme se tornou viável pelo emprego da tecnologia de fl uidos supercríticos”, informou Raquel.

Na Universidade de Campinas, a Unicamp, diversos compostos ativos de plantas estão sendo extraídos e purifi cados por intermédio dessa tecnologia.

“A própria Croda desde 1990 produz compostos químicos como ésteres com base na bioesterifi cação e os oferece ao mercado para que sejam empregados em cosméticos como emolientes e tensoativos, incluindo nessa oferta éteres para atuarem como solubilizantes, emulsifi – cantes e também emolientes. Os ésteres são obtidos por via enzimática por meio de lipases obtidas de microrganismos”, acrescentou a pesquisadora.

A denominada química verde, contudo, não inclui somente fontes vegetais. “A lanolina é um dos melhores exemplos: tem origem animal e se encaixa perfeitamente na concepção das tecnologias verdes”, afi rmou Raquel.

O conceito de química verde, de acordo com trabalho de revisão feito por ela, foi introduzido no mundo há cerca de uma década por pesquisadores da agência norte-americana de proteção ambiental, a EPA, e vem sofrendo evoluções constantes baseadas em estudos e aplicações de processos catalíticos, biotecnologias ‘brancas’, solventes ‘verdes’, incluindo também os fluidos supercríticos e os líquidos iônicos, novos ativadores de reações químicas como luz UV, microondas, ultra-som, intensificação de processos e novos materiais.

“Os novos processos de extração e separação formam um dos eixos centrais dos projetos de pesquisa em biorrefi no e as tecnologias dos fl uidos supercríticos e da energia de microondas consolidamse cada vez mais como ferramentas para o desenvolvimento de novos processos de extração de fi toquímicos e sínteses químicas”, informou a doutora Raquel.

A própria Croda, ao perceber a necessidade do mercado cosmético de melhor compreender os fundamentos da química verde, elaborou um catálogo denominado guia verde, abrangendo explicações sobre a origem e as propriedades de mais de cem substâncias como proteínas e seus derivados, polímeros, absorvedores UV inorgânicos, lanolina, frações de lanolina e derivados, óleos naturais da Amazônia, triglicérides, surfactantes, blendas emulsifi cantes, compostos catiônicos, ésteres emolientes, ácidos e álcoois, entre outros constantes de seu portfólio.

Além de reunir uma ampla linha de matérias-primas oferecidas ao mercado pela empresa, o propósito desse guia foi estabelecer parâmetros, demonstrando que os produtos da Croda se enquadram em uma das mais fortes tendências do momento: a preparação de cosméticos com matérias-primas naturais por intermédio de processos não-agressivos ao meio ambiente.

Como pré-requisitos, as matériasprimas incluídas no guia verde não contêm componentes baseados em óxidos de etileno e de propileno, nem ftalatos, parabenos e preservantes à base de formaldeídos, e ainda, não são provenientes de derivados de petróleo e não estão relacionadas a testes com animais.

A maior parte das matérias-primas são derivadas de cereais como trigo, soja e aveia, mas também há proteínas derivadas de leite e lanolina, em preparações abrangendo misturas em concentrações que vão desde 60% até 100% de ingredientes naturais.

Outros critérios estabelecidos pela companhia para caracterizar as substâncias constantes do guia envolvem radiações, sulfonação, processo considerado pela empresa como gerador de resíduos, além, é claro, de informações sobre os benefícios advindos das propriedades dos ingredientes para as fórmulas cosméticas.

“Hoje, já nos reportamos não só às tecnologias do genoma, mas também aos proteomas, de acordo com inovações realizadas pela Sederma (divisão da Croda), ao lançar por exemplo o complexo de peptídeos Renovage, que trata até seis sinais simultaneamente na pele, protegendo o DNA e cujo desenvolvimento se concretizou em função do conhecimento sobre o proteoma”, afirmou Sérgio Gonçalves, gerente de marketing da Croda do Brasil.

Outra tendência em cosméticos, segundo Gonçalves, focaliza produtos mais preventivos do que curativos; princípio, aliás, que oferece fundamentação a nutracêuticos e ao conceito de que a beleza começa de dentro para fora (Beauty from within).

Nessa direção, alguns concentrados de ômega-3, produzidos com tecnologia de refi no e purifi cação de óleos, desenvolvida pela própria empresa, vêm ganhando maior importância no mercado cosmético.

Petróleo & Energia, Raquel S. Angelo, pesquisadora da Croda do Brasil, Cosméticos - Tendências de mercado - Biotecnologia e ativos naturais fundamentam recorde de vendas
Raquel S. Angelo: química ‘verde’ demanda ativos ambientalmente corretos

“A linha nutricional, desenvolvida pela Croda, está centrada em ácidos graxos essenciais e tem por base diversos estudos clínicos que comprovam o efeito da suplementação em benefícios para a saúde, até mesmo para a pele, compreendendo o ácido gama-linolênico, de origem vegetal de óleos de prímula e borragens, o ácido eicosapentaenóico e docosahexaenóico, de origem animal de óleos de peixes, e o ácido estearidônico, de origem vegetal do óleo de Echium plantagineum”, acrescentou a doutora Raquel.

Avanços originados pela biotecnologia – A biotecnologia é outra área da ciência que vem propiciando avanços ao setor cosmético e sinalizando tendências para o desenvolvimento de ingredientes inovadores gerados por processos de bioengenharia, biofermentação e fermentação de leveduras. Há mais de dois séculos, usam-se leveduras para fermentar vinhos e pães.

Mas o conhecimento nesse campo avançou de fato a partir do século passado com o desenvolvimento da engenharia genética ou tecnologia do ácido desoxirribonucléico (DNA) recombinante, que propiciou produzir por biotecnologia insulina, hormônios do crescimento, plantas resistentes a vírus e insetos, bactérias empregadas na biodegradação de óleos e lixos tóxicos, entre inúmeros outros exemplos.

No setor de matérias-primas biotecnológicas para uso cosmético, uma das referências existentes no mercado brasileiro vem da Arch Chemicals por intermédio da área de Personal Care.

Petróleo & Energioa, Tatiana M. Kumayama, química sênior da Arch Química Brasil, Cosméticos - Tendências de mercado - Biotecnologia e ativos naturais fundamentam recorde de vendas
Cosméticos – Tendências de mercado – Biotecnologia e ativos naturais fundamentam recorde de vendas

“Na biofermentação de microrganismos como Saccharomyces cerevisiae, fornecemos meios nutrientes e aplicamos diferentes processos de estresse como calor, peróxido, radiação UV e ozônio, para fazer com que esse microrganismo produza biofermentados com propriedades específi cas e efi cácia potencializada tanto para cosméticos de tratamento quanto para cosméticos de prevenção”, informou a química sênior Tatiana M. Kumayama, da Arch Química Brasil.

Assim, a larga experiência da empresa nessa área tem propiciado o desenvolvimento de muitos ingredientes obtidos por biotecnologia como extratos, ácidos, biopolímeros, glicoproteínas, peptídeos e complexos protéicos.

“A Arch Chemicals desenvolveu complexos minerais glicoprotéicos por biofermentação da Saccharomyces cerevisiae em associação com oligoelementos para aplicações cosméticas, lisato de levedura biofermentado com aplicação de luz UV contendo vários ativos para estimulação metabólica e do ciclo de crescimento, e também para o estímulo da produção de fibroblastos”, relatou.

A empresa também é responsável por desenvolver o primeiro extrato de levedura para proteger a estrutura celular da pele contra os danos causados pelo ozônio, minimizar as linhas de expressão e as rugas, reduzir a perda de água transepidermal, aumentando a hidratação e a fi rmeza da pele.

“Outro desenvolvimento é representado por um sistema natural que reconhece e regula a taxa de variação de água na célula através de Aquaporinas- 3 e que também controla o balanço hídrico na membrana celular através da presença de três chaves osmolíticas e um açúcar, mantendo as células sempre hidratadas e que possui a habilidade de reconhecer as regiões que necessitam de maior hidratação em virtude de mudanças climáticas, potencializando o efeito da Aquaporina-3”, explicou a química da Arch.

A esse, acrescente-se também a biofermentação da Pueraria lobata, que garante propriedades anti-radicais livres, potencializa a síntese de pró-colágeno e elastina, melhorando também o tônus e a elasticidade da pele.

“Glicoproteínas, também conhecidas como mucinas, de alto peso biomolecular e com elevado teor de carboidratos comparativamente ao conteúdo de glicoproteínas comuns, têm estrutura que permite a formação de solução viscosa similar à das glicosaminoglicanas, protegendo as células e os tecidos.

Produzido por fermentação biotecnológica, e tendo por meio nutriente aminoácidos e fragmentos peptídicos de baixo peso molecular, o peptídeo Peptamide é submetido a processo de seqüenciamento para a obtenção de aminoácidos e para a composição de cadeia de peptídeos, envolvendo Fenilalanina (Phe), Valina (Val), Alanina (Ala) e Prolina (Pro), para ter propriedades antienvelhecimento, hidratante e fi rmadora”, incluiu Tatiana.

Outros ingredientes interessantes criados pela companhia abrangem betaglucanas enriquecidas com Aloe vera, com propriedades antiinfl amatórias e de proteção da estrutura capilar; peptonas manipuladas que promovem o crescimento de levedura contendo glicosaminoglicanas e estimulam a produção de elastina; complexo natural de trifosfato, obtido da associação de um açúcar – proteína – adenosina, enriquecido com potássio e magnésio, para reenergização da pele que sofreu fadiga e revitalização de cabelos danifi cados e sem brilho.

Um ingrediente composto por ácido pirrolidone carboxílico e seus sais, ácido lático, lactato de sódio, uréia e colágenos com aminoácidos foi desenhado para promover umectação da pele, reequilíbrio hídrico e regeneração das células.

Outra inovação interessante é um ingrediente composto de moléculas hidrolisadas de baixo peso molecular, fragmentos de ácido ribonucléico (RNA) e ácido desoxirribonucléico (DNA), ambos associados a açúcares para assegurar elevada hidratação à pele.

Um complexo queratolítico que associa os benefícios do ácido salicílico ao elevado poder de hidratação da trimetilglicina também integra outro desenvolvimento para a esfoliação suave da pele, umectação e hidratação.

“A associação de ceramidas e lipídeos promovida em outro ingrediente proporciona proteção da barreira hidrolipídica e produz efeito fi rmador, melhorando a oxigenação das células.

Outro ativo, baseado no isolamento e  extração de simbióticos de lótus, que possui propriedade de escaneamento do óxido nitroso, responsável por desencadear disfunções de pigmentação, também comprovou ser capaz de controlar a tonalidade e a cor da pele”, acrescentou Tatiana.

Por fim, um ativo obtido da biofermentação do lisado simbiótico originário da soja comprovou ter ação antiinfl amatória e anti-radicais livres, protegendo a pele também contra o fotoenvelhecimento em virtude da presença de Leghemoglobina em sua estrutura.

Óleos essenciais melhoram desempenho dos sabonetes

Os sabonetes líquidos também se renderam aos ingredientes naturais de acordo com a nova linha da marca Dove, pertencente ao grupo Unilever.

A marca chegou ao Brasil em 1992, inovando com a apresentação ao mercado de sabonetes em barra compostos com um quarto de creme hidratante.

A proposta, agora, é tornar o banho ainda mais prazeroso e relaxante e a pele bem mais hidratada, o que foi obtido com a adição de óleos essenciais à fórmula que está sendo oferecida ao público no Dove Cream Oil Shower.

O novo sabonete em creme possui dez vezes mais hidratantes do que um sabonete em barra comum. Com pH neutro, próximo ao da pele, sua fórmula contém óleos naturais e agentes emolientes, que ajudam a devolver a hidratação natural e a combater os sinais de ressecamento.

À textura cremosa dos sabonetes foram acrescentadas fragrâncias florais de cerejeira e amêndoas, rosas e cacau, jasmim e mel.

Pão de Açúcar lança marca própria de cosméticos

O setor cosmético brasileiro conta com um novo e forte aliado para a fabricação e a comercialização de produtos afinados com a tendência de uso de ingredientes naturais nas fórmulas.

Trata-se do grupo Pão de Açúcar, maior rede de supermercados do país, que lançou em agosto deste ano a linha Taeq Beleza de produtos diferenciados para banho e pós-banho, constituídas de extratos naturais e óleos essenciais com propriedades funcionais e terapêuticas.

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Produtos são formulados com ingredientes naturais

Composta de sabonetes líquidos e em barra, xampus, condicionadores, óleos de banho e manteiga hidratante, a linha resultou de pesquisas e análises de tendências, oferecendo aos consumidores composições de ingredientes naturais e exóticos, combinadas com fragrâncias exclusivas.

Os idealizadores da nova marca querem transformar hábitos de higiene pessoal em rituais de beleza e, por isso, as formulações foram agrupadas em quatro propostas de ritual: energizar, refrescar, relaxar e seduzir.

Os produtos associados ao ritual “energizar” foram formulados com extratos de bambu, ginseng, tangerina e canela-do-ceilão.

O extrato de bambu, rico em silício, é conhecido por suas propriedades hidratantes, além de ser considerado uma poderosa fonte de açúcares e minerais, como zinco e selênio, que ajudam a recuperar a elasticidade da pele e a protegê-la contra os radicais livres.

Já o ginseng, planta asiática, cultivada há séculos na China, tem propriedades estimulantes, tonificantes e vitaminas, enquanto a polpa da tangerina, por ser rica em vitaminas, açúcares e oligoelementos, apresenta – além de ser energizante, calmante e estimulante mental – o efeito bactericida.

Empregada tradicionalmente em fragrâncias, a canela-do-ceilão se caracteriza por ser adstringente, anti-séptica, aromática, digestiva, estimulante e vasodilatadora, conferindo brilho aos cosméticos para cabelos.

O ritual “refrescar” compreende produtos elaborados com verbena, hortelãpimenta, lima-da-pérsia e sândalo. O óleo essencial de verbena é reconhecido por ser purificante, refrescante e tonificante.

As folhas de hortelã-pimenta contêm vitaminas A, B e C, além de minerais como cálcio, fósforo, ferro e potássio, sendo também reconhecidas por suas propriedades anti-sépticas, calmantes e refrescantes.

Adstringente, refrescante e aromática, a lima-da-pérsia atua no combate à depressão e como estimulante mental, enquanto a madeira de sândalo, além de anti-séptica e aromática, proporciona efeitos suavizantes e harmonizadores.

Já o ritual “relaxar” traz produtos Pão de Açúcar lança marca própria de cosméticos elaborados com camomila azul, gengibre, melissa, anis-estrela, lavanda, manjericão, malva-da-índia e capimlimão.

A camomila azul é aromática, reequilibrante, anti-séptica e antimicrobiana, sendo capaz de reduzir o estresse, a insônia, a ansiedade e a irritabilidade.

O gengibre, planta também originária da China, é estimulante, descongestionante e reestruturante.

A melissa produz efeitos relaxantes e revitalizantes, enquanto o óleo essencial de anis-estrela é anti-séptico, expectorante e estimulante. Restaurador e refrescante, o óleo essencial de lavanda possui propriedades anti-sépticas e antiinflamatórias, enquanto o manjericão produz efeito hidratante e aromático.

Por conter mucilagens, antocianina e tanino, a malva-da-índia, além de hidratar e relaxar, produz efeito anti-rugas, enquanto o óleo essencial de capim-limão, considerado precursor natural de vitamina A, contém citral e confere às fórmulas efeito aromático e relaxante.

Por último, o ritual de higiene e beleza “seduzir” traz produtos com lichia, baunilha, ylang-ylang e pimenta- rosa. O primeiro ingrediente contém vitamina C, sódio e potássio e produz efeito refrescante.

O segundo tonifica e é anti-séptico. O terceiro é aromático, emoliente, antioxidante, e estimula o sistema linfático. O óleo essencial de pimenta-rosa favorece a regeneração dos tecidos e tem ação antimicrobiana.

Tecnologia verde – A tecnologia de extração supercrítica (Supercritical Fluid Extraction – SFE) já serviu para denominar processos prevendo o emprego de gases pressurizados como solventes de extração. A primeira patente concedida nessa área foi para o petróleo, em 1936.

Com o passar dos anos, as motivações para seu uso foram ampliadas e respaldadas pela possibilidade de se obter produtos de maior qualidade e pela escolha de processo não agressivo ao meio ambiente.

Para a professora Maria Meirelles, diretora do Laboratório de Tecnologia Supercrítica da Faculdade de Engenharia de Alimentos (Lasefi ), pertencente à Unicamp, que já orientou e coordenou muitos estudos de extração, fracionamento e identifi cação de extratos vegetais por meio dessa tecnologia, existem várias vantagens para se optar pelo uso da extração supercrítica na indústria cosmética em substituição ao uso de solventes como hexano, éter de petróleo e metanol.

“Mesmo quando o solvente de extração é benigno, como o etanol, misturas de etanol e água, ou de solventes similares, há vantagens.

Esses fatos fi cam aparentes quando se considera o processo de produção de um extrato botânico de maneira sistêmica, considerando- se todas as etapas de processo como preparo da matriz botânica, extração, remoção do solvente, padronização do extrato, destinação dos co-produtos etc,” afi rmou Meirelles.

Um dos exemplos mais contundentes, segundo ela, relaciona-se à obtenção do extrato de vetiver, cujo tempo de extração por essa tecnologia é de cerca de 1 hora a 200 bar e 40ºC e com rendimento de 3,2% (base planta seca –b.s.).

“Em comparação com o processo de hidrodestilação, após vários tratamentos das raízes de vetiver, como o uso de N2, NaOH e enzimas, o rendimento do processo foi de 1,8% (b.s.), e o tempo demandado foi de 16 horas”, informou.

Linha para público masculino ganha base fitocosmética

Cosméticos formulados com ativos naturais, baseados nos conceitos de fitocosméticos e talassocosméticos, entraram definitivamente no rol das prioridades das indústrias cosméticas focadas no público masculino. Presente no mercado brasileiro desde 1986, a marca Ecologie, hoje pertencente ao grupo Harty Cosméticos, considerada a primeira a importar proteínas vegetais para adicioná-las aos seus produtos, acaba de lançar a linha Ecologie Homem.

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Pomada elaborada com óleo de oliva hidrata e lubrifica os cabelos

Integrada por vários itens para higiene e tratamento, a nova linha abrange xampu, condicionador, gel e pomada.

Formulados com complexo de algas, tanto o xampu como o condicionador trazem uma combinação de aminoácidos, oligoelementos e vitaminas, que proporciona brilho e restabelece as características de maciez e sedosidade aos cabelos.

O gel para fixação dos cabelos masculinos também agrega à sua fórmula o complexo de algas, resultando em produto não-oleoso e formulado sem álcool etílico, que não deixa resíduos e nem resseca os fios, formando um filme protetor sobre os cabelos, que inclui filtro solar para protegê-los do ressecamento e das agressões ambientais.

A pomada, elaborada com óleo de oliva, reconhecido pelo seu alto poder hidratante e lubrificante, proporciona brilho e maciez aos cabelos, permitindo esculpir e definir mechas e penteados sem deixar resíduos.

Os últimoslançamentos da Ecologie também contemplam o público feminino. Uma linha completa de fluidos com ação instantânea acaba de ser lançada em quatro versões específicas para cada tipo de problema apresentado pelos fios.

O fluido revitalizante para cabelos coloridos hidrata e revitaliza os cabelos, proporcionando ação antifrizz de controle de fios arrepiados. O fluido reparador de cabelos danificados e com pontas duplas age sobre os fios, proporcionando hidratação profunda. Formulado com extrato de coco, poderoso hidratante natural, o fluido defrizante para cabelos cacheados define e controla os cachos, reduzindo o volume dos cabelos, enquanto o fluido restaurador de cabelos quimicamente estressados, preparado com extrato de abacate, fortalece e nutre, ajudando a recuperar a vitalidade dos fios.

A empresa também desenvolveu recentemente três novos cremes para pentear com ativos de banana, romã e abacate.

O extrato de banana, rico em vitamina A e oligoelementos como magnésio, manganês e polissacarídeos, adicionado ao creme para pentear reparador, nutre e repara os fios danificados. A nova fórmula também inclui folhas de menta e proteína vegetal.

As folhas de menta possuem alto teor de óleos essenciais e atuam como adstringente e anti-séptico natural, ativando a microcirculação capilar, enquanto a proteína vegetal é rica em aminoácidos, tendo por propriedade restaurar as estruturas danificadas dos cabelos.

Com extrato de romã, rico em vitaminas B1, B2 e B5, proteínas do trigo e flores de hibisco, a empresa também desenvolveu o creme para pentear revitalizante, para proporcionar brilho e maciez aos cabelos coloridos ou com mechas.

Os extratos de abacate, compostos por lipídios, pró-vitamina A, vitamina E, proteínas e aminoácidos, e de mel, além de nutrir e hidratar, suavizam a textura ressecada dos cabelos.

“Atualmente, a extração supercrítica pode designar uma variedade de processos nos quais o solvente de extração é um gás, quando em condições normais de temperatura e pressão, como o dióxido de carbono por suas características de ser inerte ao corpo humano e à matriz biológica e ter condições críticas amenas (31ºC e 73,8 bar), mas outros gases como o propano, etano e NO2 também podem ser utilizados.

Quando o solvente selecionado for o dióxido de carbono, deve-se, no entanto, excluir a obtenção de extratos ricos em proteínas e carboidratos, uma vez que esses são insolúveis em dióxido de carbono”, completou a professora.

Entre as plantas já estudadas com a aplicação da tecnologia de extração supercrítica no Lasefi estão: alecrim, alfavaca, artemísia, camomila, capim- limão, citronela, cravo-da-índia, estévia, eucalipto, gengibre, macela, manga, manjericão, palmarosa, vetiver, entre várias outras.

Além de extrações vegetais, os fluidos supercríticos possibilitam aplicações em diferentes áreas de processamento de materiais biológicos e químicos, como polímeros, cerâmicas, espumas, aerogéis, desenho de partículas, esterilização e ruptura celular, microencapsulamento, reações etc.

Gigante do setor focada na química verde – O grupo L’Oréal, responsável por 19 marcas globais e por mais de 120 moléculas patenteadas para o tratamento da pele e dos cabelos, também está incrementando vários estudos que revelam sua adesão à química verde.

Prova disso está na nova molécula antiidade, desenvolvida por uma de suas marcas, a Vichy Laboratories, e denominada Pro-Xylane, que comprovou aumentar a síntese de glicoaminoglicanos (Gag), favorecendo a fi xação de água na derme e atuando no combate ao envelhecimento.

Pro- Xylane é obtida da xilose, açúcar natural extraído da madeira de faia por meio de síntese direta, processo que não agride o meio ambiente e torna a molécula biodegradável.

Com Pro-Xylane, o Vichy Laboratories lançou recentemente Neovadiol.

Considerado o primeiro dermocosmético densifi cador intensivo da pele, o produto combate a perda da densidade e da fi rmeza da pele, inovando no tratamento de peles em fase de desaceleração hormonal.

Além de Pro- Xylane, Neovadiol contém: isobioline e endoline. Isobioline é considerado o primeiro ativo cosmético lipoestruturante que estimula a síntese dos adipócitos, e fortalece a estrutura da pele.

Endoline, substância ativa que integra a versão “noite” de Neovadiol, é um extrato vegetal de Fagus sylvática que, além de reforçar a ação dos outros ingredientes, acelera a renovação epidérmica e propicia o redesenho das formas do rosto.

Estudos sobre a cicatrização da pele também levaram ao desenvolvimento de outra inovação do grupo L’Oréal. Trata-se de Redermic, creme que contém em sua fórmula três substâncias reconhecidas por sua efi cácia no combate aos sinais do envelhecimento da cútis: madecassoside, ácido L-ascórbico e ácido hialurônico, atuando no preenchimento das rugas profundas por meio da reconstrução dos tecidos cutâneos.

Madecassoside é uma molécula que intensifi ca a síntese das fi bras de preenchimento na derme, e compõe uma das estruturas ativas da Centella asiática, agindo na cicatrização e na regeneração dos tecidos, reorganizando as fi bras de colágeno.

As pesquisas com Centella asiática não são recentes. Em 1938, algumas estruturas ativas desse vegetal já eram identifi cadas como o ácido madecassico, o ácido asiático e asiaticoside.

A partir de 1959, a combinação dessas três substâncias deu origem a um produto com grande efeito cicatrizante, mas só em 1973 foi descoberto um novo extrato da Centella asiática: o madecassoside.

Contudo, só com o passar de uma década foi possível isolar e purifi car essa substância por meio de técnicas de separação e purifi cação por cromatografia.

Já o ácido L-ascórbico ou vitamina C pura é também há muito tempo reconhecido por neutralizar os radicais livres, atuando na junção entre a derme e a epiderme.

A importância de reposição diária de vitamina C assumiu proporções mais signifi cativas desde que pesquisas na área médica comprovaram a redução de 35% dessa substância entre as populações enquadradas nas faixas etárias dos vinte até os cinqüenta anos.

Já o ácido hialurônico é uma macromolécula higroscópica, naturalmente presente na epiderme e na derme, e que tem por função reter a água e seus nutrientes na pele.

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