Tintas e revestimentos: Clientes querem solventes mais eficientes para atender exigências ambientais

A linha de solventes inclui éteres de glicol (séries E e P, derivadas de etileno e propileno respectivamente), ésteres (acetatos), álcoois, cetonas e propionatos. Para a Abrafati 2017, a Dow apresentará três novidades, a começar por surfactantes livres de alquilfenóis etoxilados (APEO), seguida por novos coalescentes da linha Ucarfilm, com alto ponto de ebulição (HBP) e solventes de alquilpropionato para vários sistemas poliméricos.

Mayara Correa comentou que os novos alquipropionatos serão oferecidos em três diferentes taxas de evoporação e não são HAP. “O interesse do mercado pelos propionatos é crescente, explicado pelo aumento das formulações de altos sólidos, pois ele é um solvente eficiente e versátil, resolve vários problemas dos formuladores, dá uma secagem adequada à película e não é HAP”, salientou.

A especialista considerou que a adoção de propionatos nas formulações de tintas exige adequação, mas a produtividade alcançada por essa opção compensa o esforço. “Sempre que se quer migrar para altos sólidos é preciso reformular o sistema”, afirmou. Os propionatos apresentam elevada resistividade elétrica naturalmente e isso é vantajoso para pintura por spray eletrostático, usada na indústria automotiva, principalmente.

O alto ponto de ebulição dos novos coalescentes garante que eles não sejam enquadrados como VOC pelos critérios dos EUA, sem que isso afete seu desempenho técnico.

A Oxiteno está definindo as novidades a apresentar na Abrafati 2017. “De dez anos para cá, a companhia se dedicou a vender soluções para seus clientes e não produtos, não vendemos número CAS”, salientou Fabiana Marra. Ela mencionou que a oferta de coalescentes precisa evoluir. “Lançamos o Ultrafilm 260 LV para atender clientes que desejam produzir tintas de baixo odor e VOC, trata-se de uma substância pura que funciona bem em toda a linha de decorativas imobiliárias”, comentou, ressaltando que o mercado é ávido por produtos especiais e isso norteia os investimentos.

Conteúdo renovável – O uso de insumos de origem natural e renovável tem sido incentivado nos últimos anos, em oposição aos derivados de petróleo. Fabiana Marra aponta que a opção por esse grupo de solventes precisa respeitar os três pilares do desenvolvimento sustentável: reduzir o impacto ambiental, oferecer desempenho técnico melhor ou igual ao existente, e ser comercialmente competitivo. “Quando um produto renovável apresenta essas características, ele é preferido”, afirmou, salientando que a Oxiteno também conta derivados de etanol em sua linha de solventes, como o álcool isoamílico e o acetato de isoamila.

A Solvay possui uma antiga relação com o etanol, origem do seu principal solvente, o acetato de etila. “Antes fazíamos o ácido acético no Brasil, a partir do etanol, mas atualmente estamos importando o ácido dos EUA, cujo custo de produção está muito baixo, favorecido pelo shale gas, e produzimos aqui o acetato, usando o álcool local”, explicou Antonio Leite.

O etanol segue sendo um insumo viável, tanto que a produção de acetato de etila em Paulínia abastece o mercado nacional e o argentino – a Atanor parou a produção no país vizinho, que também perdeu a fabricação local de isopropanol. “Estamos avaliando o aumento de capacidade desse álcool no Brasil”, disse.

Do etanol também são produzidos a diacetona álcool (DAA) e o hexileno glicol (HG), ambos com grande mercado no exterior, assim como a linha Augeo. “Os produtos Augeo encontraram demanda mais atrativa em fragrâncias e domissanitários do que nas tintas”, comentou. Os produtos com alto conteúdo de ingredientes naturais são referidos pela companhia como biosolventes e sua capacidade de produção no Brasil deverá ser duplicada até 2018.

Na sua avaliação, o mercado de coatings tende às formulações com altos sólidos e isso exige solventes mais poderosos. “Nós oferecemos solubilizantes oxigenados para essas aplicações”, informou. Para isso, conta com o Solsis, plataforma de desenvolvimento de produtos com pesquisa e desenvolvimento da companhia. Com ele, é possível formular soluções mais econômicas que atendam exigências de toxicidade e desempenho. “O setor de tintas evoluiu muito, não vejo sinais de regressão em termos de qualidade apesar da crise econômica”, salientou.

O etanol é apontado como um solvente rápido muito econômico, porém capaz de gerar alguns inconvenientes na formação da película seca. “Ele é muito rápido, pode ser usado como complemento de formulação de solventes, mas com cautela”, advertiu Mayara Correa, da Dow.

Mercado ativo – A crise econômica brasileira parece estar chegando ao fim, depois de três anos consecutivos de redução do PIB. O setor de solventes sintéticos, no entanto, reporta uma situação bem melhor. A fabricação de tintas é o mercado mais relevante para esses produtos, mas também há grandes consumos em adesivos, domissanitários, farmacêuticos e agroquímicos, cujos desempenhos compensaram, em parte, a retração das vendas de tintas.

“Mesmo no setor de tintas, a queda da linha decorativa imobiliária não impactou muito a venda de solventes, porque elas consomem pouco solvente, ao contrário da linha automobilística”, comentou Antonio Leite, da Solvay. Mesmo assim, a queda de vendas para as tintas automotivas originais não se verificou nos produtos para repintura.

Ao todo, ele estima ter havido uma queda de 15% no volume consumido de solventes sintéticos no Brasil nos últimos anos. Isso motivou A Solvay a exportar mais. “Estamos exportando perto de 30% da produção local para a América Latina, Europa, Estados Unidos e Ásia, regiões onde contamos com estrutura logística e pessoal para desenvolver mercados.”

No Brasil, a companhia vende seus solventes puros ou, em alguns casos, em misturas para grandes clientes – em geral, estes operam instalações próprias para isso. “Usamos a estrutura dos nossos distribuidores nacionais, a Bandeirante Brazmo e a MCassab para fazer essa blendagem, sob nossa orientação, em regime de tolling”, comentou. A rede de distribuidores inclui também empresas de alcance regional. Ao todo, a rede de distribuição da Solvay atende a 20% das vendas de seus solventes no Brasil.

Nos negócios da Oxiteno, os solventes oxigenados perderam importância nos últimos anos para os surfactantes, estes com evolução impressionante em vários mercados e aplicações. “Os solventes foram produtos pioneiros na companhia, temos um grande interesse por eles, mas só os fabricamos no Brasil”, comentou Fabiana Marra. A rede de distribuição da Oxiteno integra a estratégia de negócios da companhia e foi remodelada para melhor suprir os clientes. “Os distribuidores recebem treinamento e apoio, para que os pequenos clientes recebam as mesmas inovações e serviços que os grandes”, salientou.

O desempenho das vendas de solventes no país registrou queda em 2015, agravada em 2016. “Temos uma expectativa de melhora para 2017, mas as vendas estão variando muito mês a mês; de qualquer forma, já está melhor que 2016, registramos no primeiro semestre uma recuperação de negócios de 10%”, avaliou. As tintas são o maior mercado para os solventes da Oxiteno.

“Ainda sofremos com os efeitos da guerra dos portos, as diferenças entre impostos cobrados em estados diferentes para o desembaraço de produtos importados, isso atrapalha a competição”, apontou. Para ela, também é uma atribuição da comissão de solventes da Abiquim mostrar esse problema ao mercado e buscar uma solução.

Página anterior 1 2 3 4Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios