Tintas e revestimentos: Clientes querem solventes mais eficientes para atender exigências ambientais

Como a indústria química nacional precisa de um balizamento para orientar seus investimentos, a Abiquim criou em 2016 a Comissão Setorial de Solventes de Uso Industrial, composta por players locais (Braskem, Oxiteno, Solvay, Elekeiroz e Eastman). “A indústria precisa ter uma proposta de consenso”, considerou. “É preciso ter uma regra do jogo, ainda que não seja perfeita, pois a falta de critérios definidos atrasa investimentos”. Segundo informou, a companhia estuda construir a próxima fábrica de Augeo fora do Brasil, cuja vantagem é a grande disponibilidade de glicerina.

Além desse tema, a comissão de solventes também se esforça para divulgar o uso correto e seguro desses produtos. “Queremos mostrar para a população em geral e para os consumidores de insumos que os solventes são seguros e eficientes quando são usados corretamente”, salientou a vice-líder da comissão da Abiquim, Fabiana Marra, líder global de negócios para tintas e revestimentos da Oxiteno. “É um esforço que precisa ser desenvolvido por toda a cadeia produtiva, cabe elogiar o trabalho da Abrafati que instituiu boas práticas e qualidade mínima para o setor de tintas, isso ajuda a profissionalizar todo o setor”, comentou.

A comissão setorial da Abiquim apresentará um seminário sobre o consumo e uso responsável de solventes durante a Abrafati 2017 (exposição e congresso internacional de tintas), de 3 a 5 de outubro, no São Paulo Expo, no Jabaquara.

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Ana Paula: mercado regional de solventes permanece estável

Evolução tecnológica – A indústria química considera a produção de solventes sintéticos como um segmento de mercado relevante e interessante para pesquisa e desenvolvimento. Alguns setores se revelam mais interessados em buscar inovações tecnológicas, caso dos domissanitários e produtos de higiene pessoal. “No setor de tintas, as mudanças são lentas, mas existem”, considerou Ana Paula Freire, gerente de marketing de Industrial Solutions da Dow.

Embora seja desejável, a substituição dos hidrocarbonetos implica esforços consideráveis. “São solventes de baixo custo, com bom desempenho na aplicação, e sua substituição por oxigenados exige ajustes na formulação das tintas, não é um drop in”, avaliou. Alguns casos dependem de mudanças mais intensas. Como apontou Ana Paula, uma indústria automotiva só faz mudanças tão profundas quando instala ou renova a linha de pintura. “Em geral, no Brasil, as instalações existentes passam para tintas com altos sólidos, enquanto as fábricas novas adotam tintas base água”, comentou.

Mayara Correa, especialista de tintas da Dow, considera que a tendência atual do mercado de tintas é migrar para sistemas com altos sólidos, mais do que adotar as formulações base água. “Ainda está longe o fim do uso dos solventes, mas eles estão mudando”, comentou.

Química e Derivados, Mayara: versáteis e eficientes, propionatos atraem atenções
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Fabiana Marra, da Oxiteno, concorda com a preferência pelos altos sólidos. “As formulações base água foram muito populares na década passada e tiveram um grande avanço, mas é preciso ressaltar que elas também usam solventes, em quantidade menor, como coalescentes”, disse. Segundo a especialista, análises de ciclo de vida mostraram que tintas base solvente, especialmente as de altos sólidos, não têm desempenho pior que as de base água. “Por isso, fica claro que o futuro dos solventes depende de alta eficiência técnica, baixo impacto ambiental e à saúde humana”.

Nesse sentido, Fabiana apontou que a redução da quantidade de solvente por galão de tinta depende da seleção de produtos mais eficientes, com alto poder de solvência. “Não se trata apenas de mudar de solvente, mas também de usar resinas e ingredientes mais adequados a esse tipo de produto”, recomendou.

O avanço tecnológico, tanto nas resinas, como nos solventes, permitiu melhorar as formulações. Como explicou Fabiana, antigamente era preciso diluir a tinta com muito solvente. “As formulações atuais são mais concentradas”, observou. Os solventes rápidos (de baixo ponto de evaporação) geralmente eram hidrocarbonetos, hoje são oxigenados sintéticos, presentes em menor quantidade e com baixo odor. “Temos portfólio amplo, com variedade de funções químicas, como éteres, cetonas e álcoois, para fornecer um conjunto de ingredientes para formar uma solução isenta de aromáticos, tanto para tintas como para adesivos”, informou.

Química e Derivados, Fabiana: futuro dos solventes depende do seu desempenho
Fabiana: futuro dos solventes depende do seu desempenho

Para tanto, a Oxiteno conta com moderno laboratório de tintas, instalado no Brasil. Aliás, a companhia só produz solventes no país, embora atue em vários países, aos quais exporta. “A internacionalização da companhia exigiu reforçar o quartel-general, pois a prestação de serviços aos clientes faz a diferença”, comentou. A operação nos Estados Unidos também conta com um bem equipado laboratório, atuando em parceria com a Universidade de Mississipi.

A Dow conta com um software próprio, desenvolvido para simular e formular sistemas de solventes, facilitando a elaboração de respostas adequadas às solicitações dos clientes. “O software é a base do nosso atendimento, ele considera tanto os solventes disponíveis quanto a resina que será usada na produção da tinta, por isso é muito eficiente”, explicou Ana Paula. O software aponta as melhores combinações de solventes para uma aplicação e, em seguida, essa proposta é levada para ensaios para comprovação.

A companhia, como as demais entrevistadas, não vende misturas de solventes, apenas as substâncias isoladamente. Quando um cliente decide elaborar um blend próprio, ou alterar algum detalhe da composição atual, a companhia estuda e apoia as modificações, além de suprir eventuais novos ingredientes.

A gerente de marketing da Dow considera que os formuladores de tintas buscam substituir solventes aromáticos, adotar sistemas de altos sólidos, otimizar custos e, em alguns casos, usar base água. “Clientes interessados em exportar seus produtos podem solicitar adequação de emissões a alguma regulamentação específica, a exemplo da limitação dos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP)”, afirmou.

Ela comentou que a Dow tem alguns de seus solventes na lista aprovada pelo programa Safer Choice Label, da EPA (agência de proteção ambiental dos EUA). Isso permite ao produto final apresentar no rótulo um selo que indica a presença de ingredientes menos tóxicos e que representam baixo risco ambiental. “O consumidor precisa identificar os produtos mais amigáveis para escolher melhor o que compra”, afirmou.

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