Tintas e Revestimentos

11 de novembro de 2017

Tintas e revestimentos: Clientes querem solventes mais eficientes para atender exigências ambientais

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Tintas e revestimentos: Clientes querem solventes mais eficientes para atender exigências ambientais

    Pintura automotiva requer solventes de alto desempenho

    Os fabricantes de solventes aceleram desenvolvimentos de produtos para atender às novas exigências das tintas e vernizes. Além de demandar insumos cada vez menos agressivos à saúde humana e ao meio ambiente, esse setor industrial também requer custos compatíveis com a difícil situação econômica nacional, que se reflete na queda de vendas de imóveis e automóveis, os principais segmentos de mercado consumidores desses revestimentos.

    A indústria de tintas reportou ter registrado três anos consecutivos de queda de vendas, até 2016. Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati) Antonio Carlos Oliveira – que substituiu Dilson Ferreira, agora consultor da entidade – as vendas dos primeiros meses de 2017 ficaram no patamar do mesmo período do ano anterior. “Esperamos fechar 2017 com um crescimento de um ponto percentual acima da variação do PIB que é estimada pelos analistas de mercado em torno de 0,5%”, informou. “Crescer 1,5% não é maravilhoso, mas isso interrompe um longo período de queda de consumo de tintas no país”.

    Dados da Abrafati apontam que o setor vendeu 1,5 bilhão de litros de tintas e vernizes em 2016, dos quais a linha decorativa e imobiliária representou 84,7% e a automotiva original (OEM), 1,9%. A repintura automotiva absorveu 4% do volume total, enquanto a indústria em geral ficou com 9,3%.

    Apresentar essa divisão de mercado é importante porque o uso de solventes é menor nos produtos decorativos imobiliários, campo em que predominam as resinas de base água, como acrílicas, vinil-acrílicas e estireno-acrílicas, as mais consumidas para a pintura sobre alvenaria. A pintura sobre madeira e metais, usuária de vernizes ou dos chamados esmaltes sintéticos, ainda é uma importante consumidora de solventes, embora tenha aumentado a oferta de produtos de base aquosa. Como consolo, cabe lembrar que essa alternativa tecnológica não é totalmente isenta de solventes, mas ainda os consome no papel de coalescentes (insumos que colaboram para a formação adequada do filme sobre uma superfície), não mais como diluentes.

    Historicamente, o uso de hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos sempre teve um papel relevante na produção de tintas. Como os aromáticos foram colocados na berlinda por aspectos de saúde e segurança ocupacional, tendo alguns deles sido banidos ou severamente restringidos, a exemplo do tolueno, e aumentou a preocupação com a formação de ozônio em baixa camada (troposfera) para a qual contribuem os vapores orgânicos, esse grupo de solventes se tornou uma fonte de preocupação e segue sob intensas críticas.

    Saliente-se que o Brasil ainda não dispõe de uma regulamentação consolidada sobre o uso de solventes na fabricação de produtos, nem mesmo no setor de tintas e vernizes. Europa, Japão e Estados Unidos possuem seus sistemas de controle e regulação, nem sempre coincidentes quanto a objetivos e limites. Mas servem como indicativos para a indústria nacional.

    Química e Derivados, Leite: falta de regulamentação local atrapalha investimentos

    Leite: falta de regulamentação local atrapalha investimentos

    “Faz muita falta uma regulamentação nacional para os solventes, outros países têm as deles e isso os orienta a desenvolver novos produtos”, comentou Antonio Leite, vice-presidente global de marketing e estratégia do grupo Solvay Coatis (que atua no Brasil com a marca Rhodia). Ele citou como exemplos a norma dos Estados Unidos, que avalia as emissões voláteis orgânicas pelo grau de reatividade para a formação de ozônio, e a Europeia, que avalia os solventes pelo ponto de ebulição, vedando o uso de produtos abaixo de um limite. “Como nosso portfólio é muito amplo, temos produtos adequados para cada um desses mercados”, salientou. A linha Augeo, produzida em Paulínia-SP, que é formada a partir de acetona e glicerina, tem grande aceitação nos Estados Unidos, onde a demanda supera até mesmo a brasileira. “No conceito americano, a acetona é livre de VOC”, comentou.

    Leite apontou que as tintas e revestimentos consomem 32% do volume de solventes produzidos no mundo, seguidos pelos segmentos de agroquímicos (17%), farmacêuticos (9%) e adesivos (7%), segundo relatório da Markets and Markets, com dados de 2016. Verifica-se que o setor de tintas para impressão foi considerado à parte, mas agregaria outros 6% de volume consumido para a maior fatia do bolo, ampliando a participação setorial.


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