Máquinas e Equipamentos

9 de agosto de 2013

Válvulas: controle mantém produção local

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Fairbanks
+(reset)-
Compartilhe esta página

    C

    onsideradas o coração das linhas de processos, as válvulas de controle apresentam um panorama de mercado diferente dos demais segmentos de aplicação. São equipamentos fabricados para situações muito específicas encontradas em cada caso, de forma quase artesanal e de altíssima precisão. Dessa forma, manter a produção local, com serviço de engenharia e assistência pós-venda faz sentido, ainda que as válvulas custem mais caro em relação a outros países.

    Química e Derivados, Frank Kwan (dir.) com válvula globo de alta pressão

    Kwan (dir.) com válvula globo de alta pressão

    A Emerson Process Management, detentora da marca Fisher (fundada em 1880), concluiu em março do ano passado a duplicação da capacidade de produção da fábrica de Sorocaba-SP e aposta no aumento do conteúdo nacional. “As regras de conteúdo local estimulam a produzir no Brasil, embora os custos sejam mais altos, além da dificuldade para qualificar fornecedores”, salientou Frank Kwan, diretor e gerente geral da Fisher no Brasil. Na sua estimativa, uma válvula feita no Brasil custa cerca de 30% a mais do que em outras unidades da companhia.

    Em geral, componentes pequenos e simples são comprados no Brasil, enquanto itens mais complexos e grandes apresentam mais vantagens quando importados, até mesmo com prazos mais curtos de entrega. A parte eletrônica embarcada nas válvulas é totalmente importada. Kwan avalia o conteúdo local de uma válvula de controle entre 30% e 40%, em média. “Isso varia muito, dependendo do modelo, tamanho, classe de pressão, material construtivo e até do peso do equipamento”, informou.

    A política interna da Emerson não contempla a verticalização da produção das válvulas na direção de operar fundições próprias. “Preferimos desenvolver parceiros locais para fundir os corpos com a qualidade que desejamos”, afirmou. Para ele, no caso das válvulas de controle, como lida com desenhos específicos, a importação de fundidos não é tão marcante quanto nas demais válvulas, com maior grau de padronização.

    O mercado brasileiro de válvulas de controle apresentou forte crescimento há dois ou três anos, para depois se estabilizar. “Ganhamos o contrato para fornecer 1,5 mil válvulas de controle para a refinaria do Comperj e, por isso, estamos com uma boa carteira”, comentou.

    As válvulas Fisher foram bem demandadas no país até o início dos anos 1980. Com o início da política de nacionalização de suprimentos, que exigiu a implantação de fábricas, a marca deixou de atuar diretamente no país. Há quinze anos, ela montou fábrica local e passou a disputar o mercado com mais força. “Somos líderes no segmento de controle no país desde 2011”, afirmou Kwan.

    A meta da divisão de válvulas da Emerson é duplicar as suas vendas no país no prazo de cinco anos. Kwan entende que será preciso aumentar a capacidade de produção local, mas principalmente aproximar-se mais dos clientes. “Nossos engenheiros e canais de venda devem ficar mais perto deles para que entendam as suas necessidades e também para dar mais suporte local”, explicou.

    A companhia conta com uma ampla rede de canais de venda e está reforçando a área de serviços. Em novembro, abriu o centro de entregas rápidas de válvulas em Sorocaba. Até o final deste ano, iniciará as operações de um centro de assistência técnica completo na região de Camaçari-BA. “A ideia é ter mais profissionais em contato com os clientes”, afirmou. Kwan, porém, salienta que esses esforços de nada adiantarão se a confiabilidade, a performance e a qualidade das válvulas não for preservada. “Não sacrificaremos de forma alguma esses aspectos”, reiterou.

    As válvulas de controle chegaram a um estágio tão elevado de precisão que é difícil melhorar seu desempenho. Mas não é impossível. Kwan apontou a eletrônica embarcada como fonte de avanços recentes, pela capacidade de gerar dados e permitir diagnósticos precisos, que auxiliam a prever falhas e evitar perdas. “Também na parte mecânica das válvulas ainda é possível obter melhorias”, afirmou.

    Há avanços surgindo em materiais construtivos, por exemplo, para suportar condições mais severas. A engenharia também evolui. “Foi inaugurado, com investimento de US$ 30 milhões, um laboratório com área de 12,6 mil m² na nossa matriz para estudar e aprimorar as válvulas, aumentando sua confiabilidade, tempo de serviço e performance”, comentou Kwan. O laboratório consegue testar válvulas até 36 polegadas a 3.500 psi, enquanto o anterior só ia até 16 polegadas. Ele também está equipado para avaliar tecnologias para abatimento de ruídos nas válvulas, uma preocupação recente.

    “Esse laboratório permite obter as curvas de vazão na prática, com maior volume de dados, dispensando estimativas, isso melhora o controle”, comentou. O laboratório está disponível para clientes de todo o mundo, sendo capaz de simular as mais diversas e críticas condições de operação, como as do pré-sal. Segundo Kwan, um estudo recente lá realizado teve por objeto válvulas para instalações nucleares.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next