Máquinas e Equipamentos

19 de julho de 2013

Válvulas: Concorrência global e custos elevados provocam mudanças profundas na indústria nacional

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Válvulas: Concorrência global e custos elevados provocam mudanças profundas na indústria nacional

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    indústria nacional de válvulas está em reorganização. Pressionada pelo acirramento da concorrência global e também pelo aumento dos custos no país, a fabricação local procura novas maneiras para se manter relevante, até recorrendo à importação de componentes. É perceptível a presença crescente de válvulas produzidas no exterior, em especial nas linhas padronizadas, as commodities. Mas, até nos complexos modelos para controle de fluxos, a desnacionalização se manifesta.

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    Esse quadro pode ser interpretado de maneira sombria, comprovando os vaticínios apocalípticos de morte setorial. Mas também permite enxergar um setor em plena remodelação, a ponto de algumas empresas investirem para conquistar espaços no mercado. É o caso, por exemplo, da KSB Válvulas, que inaugurou em abril sua fábrica em Jundiaí-SP, para onde transferiu a linha de produção de Barueri-SP, fruto da compra da IVC-Vanasa. Investir também está nos planos da Triple M, fabricante local que também atua como importadora, interessada em transferir-se de Sorocaba-SP para Boituva-SP e, com isso, aumentar sua capacidade operacional.

    “Os números do setor de válvulas industriais estão abaixo do esperado. A relação cambial favorece a importação e não a produção local, um fenômeno que está afetando toda a indústria de bens de capital aqui no Brasil”, comentou Pedro Ariovaldo Lúcio, presidente da Câmara Setorial de Válvulas Industriais (CSVI), da Abimaq, e também proprietário da RTS Válvulas.

    Ele explicou que nem mesmo a exigência de conteúdo local mínimo em projetos ligados ao governo federal (como os da Petrobras) é suficiente para proteger o setor contra a invasão de produtos importados. “As regras de conteúdo local admitem uma diferença máxima de 25% de preço entre o nacional e o importado, isso é insuficiente para compensar os custos mais elevados que temos em mão de obra e matérias-primas”, explicou Lúcio. Ele aponta o exemplo das peças forjadas que custam € 1 por kg na Itália, contra R$ 16/kg no Brasil. “Até o Japão, com a recente desvalorização da sua moeda, está ganhando espaço por aqui”, informou.

    Lúcio atribui a falta de competitividade da produção nacional a fatores estruturais fora do controle dos fabricantes. Na lista, os culpados habituais: impostos elevados e cumulativos, infraestrutura deficiente, leis trabalhistas anacrônicas e moeda valorizada demais. A conjuntura também não ajuda. A lenta recuperação americana, somada à baixa atividade produtiva europeia, derrubou preços e fez os grandes produtores mundiais buscarem mercados alternativos. O Brasil é um deles.

    A CSVI e a Abimaq, em atuação conjunta, conseguiram instituir um mecanismo de licença não automática para a importação de válvulas dos tipos borboleta e solenoides. “Esses produtos estavam ingressando no nosso mercado com preços aviltados demais”, explicou Lúcio. Outra medida defensiva obtida pela entidade foi o aumento que o governo federal concedeu para a alíquota do imposto de importação para os modelos de esfera, de 14% para 30%. “Mesmo assim, em muitos casos, ainda compensa importar”, lamentou.

    O número de interessados em válvulas industriais no Brasil é relevante. A CSVI conta com 68 associados, mas existem outros dez em atividade (não participantes da entidade). Além deles, Lúcio estima em 150 o número de revendedores e de 300 o de distribuidores atuantes.

    Nesse ambiente, Lúcio considera que a indústria brasileira está vivendo das sobras de seus concorrentes. “Às vezes, um pedido de válvulas não contempla todas as necessidades de um projeto e se torna inviável comprar lá fora o pequeno número de peças faltantes, que acaba sendo suprido pela indústria local”, explicou. A reposição de válvulas também se firma como um campo de operações para quem tiver presença local.

    O presidente da CSVI calcula ser mais vantajoso, nas condições atuais, substituir válvulas antigas a investir na sua reforma. “Uma válvula de dez anos de uso já é obsoleta; como o custo de um equipamento novo caiu muito, vale mais a pena comprar uma válvula nova, construída de acordo com as normas atuais, para colocar no seu lugar”, salientou. Ele também comentou que a atividade de empresas de recuperação causa preocupações para os fabricantes. “Eles nem sempre usam a melhor tecnologia para executar os reparos necessários e o equipamento pode falhar, prejudicando a imagem do fabricante original, cujo nome está estampado no corpo”, alertou.


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