Química

15 de março de 2010

Válvulas – Carteira de pedidos ainda não reflete a avalanche de projetos anunciados

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    á mais de uma centena de projetos de investimento de grande porte anunciados para vários setores industriais brasileiros, desde o petróleo do pré-sal até usinas hidrelétricas na Amazônia, passando por refinarias e usinas sucroalcooleiras, todos eles potenciais consumidores de válvulas industriais. Porém, entre o anúncio e a concretização desses investimentos surge um hiato temporal que lança para o futuro a data de apresentação de pedidos. Enquanto não aparecem as megaencomendas alardeadas, os fabricantes de válvulas instalados no Brasil se esforçam para manter alguma competitividade e evitar que os clientes ainda ativos venham a se suprir de equipamentos feitos no exterior.

    Esses industriais conseguiram resistir aos movimentos de consolidação de negócios e internacionalização de companhias até há alguns anos. No panorama atual, essas tendências se reforçam e redesenham o perfil do setor, agora apontando para indústrias de porte significativo, muitas das quais controladas por grupos empresariais estrangeiros. O movimento mais recente nesse sentido foi a compra da conhecida fabricante nacional de válvulas de controle Hiter pelo grupo internacional Tyco Flow Control (dono das marcas Keystone, Yarway, Crosby, Hancock, entre outras), efetivada em dezembro de 2009. A aquisição envolveu a Hiter e a participação desta na Válvulas Crosby, uma joint venture com a própria Tyco, empresas que tiveram um faturamento consolidado de US$ 66 milhões em 2008, ano em que a Tyco somou US$ 17 bilhões em vendas mundiais.

    A compra era interessante por colocar a empresa internacional, mais conhecida no Brasil pelas suas linhas de elementos rotativos tipo borboleta, entre as líderes dos fornecimentos de válvulas de controle, com um parque invejável de equipamentos instalados em clientes como Petrobras, petroquímicas e usinas de açúcar e álcool. A Hiter era a única nacional a disputar encomendas desse porte com as conhecidas Dresser (Masoneilan), Emerson (Fisher) e Flowserve (Valtek).

    “A briga de hoje é com as válvulas chinesas”, afirmou Cláudio Makarovsky, gerente-geral da Dresser Flow Technologies, com fábrica em São José dos Campos-SP. A companhia possui fábricas em vários países, de equipamentos completos e componentes, distribuindo as ordens de produção conforme a maior competitividade de cada uma delas para atendê-las.

    No Brasil, a Dresser encerrou dezembro de 2009 com uma carteira de pedidos 12% superior à de dezembro de 2008, mantendo o foco nos grandes projetos industriais. Segundo Makarovsky, boa parte das encomendas está ligada à carteira de gasolina e diesel da Petrobras, em fase de instalação de unidades de aumento de qualidade (hidrotratamento e hidrodessulfurização). A companhia não atua nos segmentos de etanol e celulose.

    “O mercado brasileiro de válvulas teve grande crescimento nos últimos anos, mas a crise econômica mundial segurou um pouco o desempenho do ano passado”, comentou Frank Kwan, gerente-geral da divisão Fisher no Brasil, do grupo Emerson. Para ele, esse ajuste era até previsível, dada a ciclicidade dos mercados. Pelo menos o impacto da crise foi mais leve no Brasil do que em outros países da região. “Nossos planos para o país não foram alterados”, disse.

    A Emerson vai ampliar sua capacidade produtiva no Brasil, sediada em Sorocaba-SP, para atender à demanda gerada com os novos projetos de investimento anunciados. “Esperamos retomar os níveis de crescimento de antes da crise e vamos ampliar a fábrica para suprir os diferentes tipos e características de válvulas que serão solicitados”, avaliou Kwan.

    Para ele, movimentos de consolidação, como a compra da Hiter pela Tyco, são um desafio e um incentivo à concorrência, obrigando todos os concorrentes a aprimorar a qualidade dos produtos e serviços, com benefícios para os clientes. “Por sua vez, a Emerson está sempre aberta para avaliar aquisições que consigam complementar a sua linha de produtos”, salientou.

    A Emerson continuará a investir no desenvolvimento de novas tecnologias, posição coerente com o histórico de realizações. “Fomos os pioneiros em posicionadores digitais inteligentes e, agora, estamos liderando as aplicações de produtos wireless para válvulas de controle e também para os tipos on/off com indicador de posição wireless, que já estão disponíveis comercialmente há vários meses”, informou Kwan.

    Controle renovado – A Dresser está relançando a válvula de controle Camflex, com atuador de plugue excêntrico. Lançada há mais de dez anos, essa válvula conquistou adeptos, atraídos pela sua alta flexibilidade de aplicações, proporcionada pela curva de coeficiente de vazão (CV) muito ampla. “É um equipamento fácil de instalar, adapta-se perfeitamente aos posicionadores inteligentes e pode ser usada em serviço severo, sempre com alto desempenho”, explicou Carlos Augusto Alessandri, consultor da Dresser, com quase quarenta anos de experiência profissional no setor.


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