Máquinas e Equipamentos

13 de fevereiro de 2000

Válvulas: Alta demanda de válvulas diversifica produção

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Válvula Tricentric / A&M

    Válvula Tricentric / A&M

    Fabricantes começam a recuperar as vendas e se preparam ainda para garantir presença nas concorrências dos setores de petróleo e energia

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    mercado nacional de válvulas industriais sobreviveu a uma de suas piores fases na história, a compreendida no primeiro semestre de 1999, e de carona no previsto crescimento do PIB inicia um período de grande recuperação. Já no segundo semestre os fabricantes sentiram o reavivamento de projetos de expansão ou modernização do setor químico e petroquímico, papel e celulose, têxtil, alimentos e de construção de usinas termoelétricas. Com isso, mesmo reduzido para 48 fabricantes, depois de haver englobado quase 90 empresas no início da década de 90, o segmento conseguiu no final das contas de 1999 crescer cerca de 15%, faturando R$ 270 milhões.

    Química e Derivados, Vieira: crescimento pode chegar a 30%

    Vieira: crescimento pode chegar a 30%

    O desempenho poderia ter sido ainda melhor, caso a desvalorização da moeda tivesse tido a influência esperada nas exportações. Mas o mau desempenho dos principais países compradores, notadamente os sul-americanos, inibiu qualquer tipo de compensação ao estagnado mercado interno. Outro fator ainda mais importante contribuiu para explicar as fracas exportações. Para o presidente do Sindicato dos Fabricantes de Válvulas (Sindival) José Roberto Vanordem Vieira, em cinco anos de sobrevalorização do real os fabricantes perderam todo o mercado externo.

    Só aproveitaram bem o novo câmbio algumas empresas mais mobilizadas, como a Spirax Sarco, presidida por Vanordem, que no dia seguinte ao da flexibilização fechava vendas na Europa. A maior parte das demais, sem estrutura transnacional facilitadora para intercâmbios comerciais, só conseguiu usufruir mais do mercado externo lá pelo final do ano, depois de muitas viagens internacionais para arregimentar novos clientes. Foi o caso da Ciwal, que depois de 16 meses de trabalho consegue agora exportar 15% de sua produção para países latinos, contra uma média de 3% dos anos anteriores.

    Política é importante – Caso o crescimento do PIB em 2000 atinja os esperados 5%, os cálculos do presidente do Sindival estimam um faturamento 30% maior. Mas para isso acontecer não basta a retomada de projetos. Continua sendo fundamental a participação política do setor para garantir a presença em alguns planos de investimentos, sobretudo em petróleo e energia, e na defesa da privatização do saneamento como única forma de se criar recursos para as obras necessárias.

    Para começar, o sindicato está conseguindo junto à Organização da Indústria do Petróleo (Onip), formada pelas concessionárias privadas de exploração e pela Petrobrás, o cadastramento dos fabricantes locais como fornecedores possíveis de participar das concorrências das novas bacias. Até então, apenas empresas estrangeiras constam desse cadastro.

    Química e Derivados, Petrobras investe US$ 32,9 Bi até 2005

    Petrobras investe US$ 32,9 Bi até 2005

    Quando se trata de Petrobrás, as reivindicações passam ainda pela questão de financiamento. Recentemente, como condição para participar de suas licitações a estatal passou a exigir dos fornecedores de bens e serviços a apresentação de planos de financiamento de longo prazo para pagar o contrato, com carência de pelo menos um ano. Isso, em uma primeira análise, beneficiaria os estrangeiros, que operam com agências de fomento de longo prazo e contam com os baixos juros internacionais.

    A bandeira dos brasileiros nessa questão, diz Vanordem, é lutar pela isonomia financeira, possível de ser conseguida em condições favoráveis com o BNDES. Posição já manifesta junto à Onip, a idéia é se utilizar do Regime Especial do Petróleo (Repetro), um sistema aduaneiro de exportação e importação de bens para a indústria petrolífera. Com o Repetro, os fornecedores locais simulariam, com o aval do governo, exportações à estatal. Isso porque apenas em vendas externas o BNDES pode oferecer financiamentos com prazos alongados em até dez anos e juros com taxa Libor mais 1%, pré-condições similares às obtidas pelos estrangeiros. Onip e BNDES negociam para possibilitar essa engenharia especial de aporte.

    Química e Derivados, Araújo: refino é a menina dos olhos

    Araújo: refino é a menina dos

    Criadas as condições isonômicas de competição, que ainda dependem da regulamentação dos mecanismos de fomentação à exportação do BNDES- Exim, o setor se fortaleceria não só contra a facilidade de financiamentos internacionais dos estrangeiros. Mas também contra a isenção de impostos concedida à importação de unidades produtivas, máquinas e equipamentos pelo regime de admissão temporária. “A empresa brasileira é penalizada por fabricar aqui”, desabafa Vanordem Vieira.

    Apesar de o setor hoje ter mais consciência do perigo de depender apenas de alguns grandes clientes, o que o levou a tornar suas vendas mais heterogêneas, a   preocupação com Petrobrás e seus parceiros na exploração é plenamente justificável.

    Afinal de contas, só a estatal pretende investir US$ 32,9 bilhões até 2005, sendo 70% provenientes de recursos próprios, 20% de project finance e 10% a definir. Já das companhias privadas, aguarda-se mais US$ 70 bilhões nos próximos anos.

    Do total de investimentos da estatal, 68% voltam-se às atividades de exploração e produção de petróleo, 17% para refino, transporte e comercialização, 10% para o segmento de gás e 5% para distribuição. Para os fabricantes de válvulas, como o diretor-superintendente da Ciwal e vice-presidente do Sindival, Newton Silva Araújo, a menina dos olhos é a área de refino, para a qual se destinam US$ 3 bilhões nos próximos cinco anos. “A prospecção não é tão alvissareira para válvulas”, afirma Araújo.

    Química e Derivados, Refino da Petrobras investirá US$ 3,084 Bi entre 200 e 2005

    Refino da Petrobras investirá US$ 3,084 Bi entre 200 e 2005

    Termoelétricas – Uma outra bandeira da categoria visa garantir participação no promissor mercado de gás, o qual, por sinal, faz parte dos grandes objetivos da Petrobrás, que pretende tornar-se até 2005 uma empresa de energia. O Sindival reivindica isonomia nas concorrências para fornecimento às 43 usinas termoelétricas, a maioria delas a partir de gás da Petrobrás. A preocupação é evitar o ocorrido com as usinas já montadas, nas quais a maior parte das unidades foi importada em regime de turn key com equipamentos e máquinas agregadas. “Pedimos à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que facilite nossa participação”, afirma Vanordem Vieira.

    De acordo com o gerente comercial e de desenvolvimento da divisão Masoneilan, da Dresser, Carlos Augusto Alessandri, a garantia de participação justa nessas concorrências privilegia não só os fabricantes como os clientes. “Quando se adquire uma planta turn key não se avalia a qualidade da válvula, já que esses fabricantes não precisam ser cadastrados nem inspecionados pelos grandes compradores”, diz. Já os brasileiros precisam passar por todas essas exigências para serem credenciados por autarquias, empresas e concessionárias privadas de energia, por exemplo.

    Alessandri sugere como alternativa para enfraquecer a participação estrangeira em licitações a obrigatoriedade em garantir assistência técnica local. Motivos para tomar atitudes como esta não faltam. O presidente do Sindival cita como exemplo o caso do gasoduto Brasil-Bolívia. A controladora do projeto, a Petrobrás, importou grande parte das válvulas, mas depois de um período, quando apareceram problemas de manutenção e reposição, precisou recorrer às nacionais.

    Química e Derivados, Alessandri: turn key prejudica cliente

    Alessandri: turn key prejudica cliente

    As termoelétricas demandam válvulas atuomatizadas, com nível de sofisticação tecnológica comparável ao das indústrias de petróleo e petroquímica, com baixas, médias e altas pressões. Segundo Carlos Augusto Alessandri, representam um mercado grande para todos os tipos de válvulas, sejam elas manuais, de controle e segurança, engenheiradas ou de prateleira.

    Nas termoelétricas (UTEs) já em operação, como as de Uruguaiana-RS, a de Cabiúnas-PR e outras, como as da Petroquímica União, de Mauá-SP, e a da Suzano Papel e Celulose, em Suzano-SP, várias empresas locais conseguiram fechar vendas. A Hiter, por exemplo, forneceu para Uruguaiana válvulas de controle de baixa e média pressão e válvulas de segurança da sua linha associada Crosby. Também a Dresser, em Cabiúnas, forneceu válvulas para altas pressões de controle e de segurança Consolidated, porém importadas de afiliadas.

    Há ainda casos como o da tradicional IVC, de São Paulo, que foi mais adiante e fornece estações de medição de vazão e regulação de pressão (city gates) aos licitantes responsáveis pela construção de termoelétricas e pela distribuição de gás natural. São chamadas também de CRMs (conjunto de redução e medição) e voltam-se para adequar ao consumo, reduzindo sua pressão, o gás proveniente da Bolívia. Toda a cidade ou grande consumidor industrial necessita de uma CRM para receber o gás.


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