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24 de fevereiro de 2016

Tubotech: Encontro discute saídas para a crise

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Tubotech: Encontro discute saídas para a crise

    Texto: Marcia Mariano

    Caso prossigam os leilões da Agência Nacional do Petróleo para a venda dos cinco blocos exploratórios restantes no pré-sal da Bacia de Santos, será possível não apenas reativar a economia nacional, como também estabelecer um novo ciclo virtuoso de investimentos no setor de petróleo. Em 2013, com a venda do primeiro bloco do campo de Libra em regime de partilha, da qual participaram a Petrobras e quatro empresas estrangeiras, foram pagos à União bônus de R$ 15 bilhões, valor importante para o país, carente de recursos para cumprir o ajuste fiscal prometido. A observação foi feita pelo secretário executivo de Exploração e Produção (E&P) do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Antônio Guimarães, um dos participantes da cerimônia de abertura da 8 ª Tubotech – Feira Internacional de Tubos, Válvulas, Bombas, Conexões e Componentes, realizada de 5 a 8 de outubro no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, junto com a 2ª edição da Wire South America International Wire and Cable Fair.

    Paralelo à feira, foi lançado o I Congresso Brasileiro do Setor de Tubos. O evento reuniu especialistas das áreas do governo e do setor privado que apresentaram um panorama atual da economia brasileira e os desafios para superar. Os temas discutidos levaram em consideração a importância da produção de tubos, válvulas, bombas e conexões, indispensáveis em instalações mecânicas e industriais, tais como na indústria química, naval, petrolífera, automotiva, entre outras. Devido à participação de 13% no PIB nacional, o setor de petróleo e gás foi o principal destaque das palestras apresentadas no congresso. Ainda que a Petrobrás tenha reduzido em 37% seu plano de investimentos em comparação ao anterior – a companhia deverá investir US$ 103,3 bilhões entre 2015 e 2019, menos da metade dos US$ 220 bilhões inicialmente previstos –, a estatal é considerada vital para os negócios de milhares de fabricantes e fornecedores de peças e equipamentos.

    Conteúdo local – Substituindo o secretário Marco Antônio Almeida, Lauro Doniseti Bogniotti, gerente de projetos da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis, defendeu a Política de Conteúdo Local vigente no Brasil. Idealizada pelo governo federal a partir do Prominp – Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural, instituído pelo Decreto nº 4.924 de 2003, a medida prevê que em setores considerados estratégicos como o petrolífero e o naval, as encomendas públicas exijam um percentual mínimo de produção local de 20% a 50%, que pode subir, em casos específicos, como a exploração de petróleo, até 37% a 50% e 53% a 65%, caso as operações sejam realizadas em águas profundas.

    “A política foi pensada para incentivar a engenharia nacional, a inovação dos produtos e o desenvolvimento de novos fornecedores”, argumenta Doniseti. Desde a implantação da Política de Conteúdo Local, o número de pequenas e microempresas cadastradas como fornecedoras de suprimentos para a Petrobras, segundo dados do Sebrae, passou de 14 mil para 19 mil.

    O executivo, entretanto, disse que está sendo criado um grupo de trabalho, em nível ministerial, para apresentar propostas de atualização da lei. Dentre as sugestões, está a criação de um programa para definição de modelos de incentivos e bonificações para os fornecedores. Segundo Doniseti, a ideia é valorizar a livre iniciativa do concessionário em realizar percentuais de conteúdo local, sem restrições.

    Edival Dan Junior, gerente de conteúdo local da Petrobrás, por sua vez, garante que a política tem gerado renda e emprego na indústria, aumentado arrecadação e contribuído para o desenvolvimento da capacidade produtiva local. “A maior garantia que as operadoras têm é contar um fornecimento de peças e equipamentos que cumpram seu cronograma, sem riscos ligados a fatores externos”, defende o executivo, acrescentando que uma das vantagens do conteúdo local é a redução de estoques e custos para a Petrobras. Mas ele adverte: “É necessário contar com fornecedores capacitados, que atendam nossas exigências de qualidade, custo e eficiência”.

    Investimentos – O executivo da Petrobras ressaltou que a legislação não engessa a concorrência e permite à estatal importar o que não tiver fabricação nacional. Segundo ele, a empresa tem planos de investimentos futuros da ordem de US$ 180 bilhões que correspondem a mil projetos. Dan Junior destacou que os tubos são imprescindíveis às operações da companhia. Ele informou que, em tubos para condução, a demanda atual da Petrobrás exige 930 mil toneladas de aços carbono, inox e ligas. “O segmento de tubulações é estratégico para Petrobrás. Temos poucos fabricantes no Brasil, por isso estamos realizando estudos de competitividade dos fornecedores nacionais para diversificar e aumentar a oferta”.


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