Química

15 de fevereiro de 2010

Tubos – Produção nacional pode suprir à demanda, mesmo com o pré-sal, mas teme importação subsidiada

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    ão será por falta de tubos que os investimentos anunciados pelo governo e pelo setor privado em vários segmentos da atividade econômica nacional deixarão de ser executados. A capacidade de produção de tubos de aço no Brasil vai além de 4,3 milhões de toneladas anuais, mas seu índice médio de ocupação em 2009 não passou de 65%. Isso garante o atendimento da demanda nacional, ainda que os vários projetos divulgados sejam ativados simultaneamente para formar o mutirão de obras característico dos anos de campanha eleitoral.

    “A capacidade hoje ociosa e as novas fábricas de tubos que estão em construção são suficientes para suprir a demanda, embora possa haver alguma dificuldade em obter alguns tipos especiais”, avaliou José Adolfo Siqueira, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam). As importações contribuirão para abastecer o mercado, principalmente nos produtos feitos com aços e processos especiais, como os feitos de ligas especiais ou os cladeados.

    Siqueira observa, porém, um aumento na importação de tubos com similar nacional. Essas operações decorrem de distorções criadas pela introdução de regimes tributários especiais, como o Repetro (Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e Gás Natural) e o Repenec (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infraestrutura da Indústria Petrolífera nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste). “O governo muitas vezes quer desonerar algum grande projeto de investimento, mas acaba por privilegiar importações que ficam isentas de tributos no país de origem e também aqui”, criticou. Essas distorções são perigosas porque desestimulam a implantação de fábricas no país onde, por força dos mesmos regimes especiais, a cadeia produtiva acumula créditos tributários para receber algum dia. Além disso, o fabricante local nem sempre consegue escapar de tributos estaduais e municipais e, por isso, ainda fica entre 7% e 10% mais caro. “Desse jeito, uma empresa internacional prefere montar uma fábrica nova no exterior e trazer de lá os tubos.”

    Representando o setor, a Abitam pleiteia a revisão desses regimes especiais, reconhecendo sua importância para a atração de capitais externos para grandes projetos em tempos de alta inflação e baixa credibilidade internacional do país. Em 2009, por exemplo, a participação dos importados no mercado local foi expressiva, principalmente porque houve uma retração de demanda. “Há um excesso de produção de tubos de aço no mundo, que se reflete nas ocorrências de subsídios, subfaturamento e dumping, com as quais temos de competir, além de suportar uma taxa cambial desfavorável”, afirmou Siqueira.

    A Abitam espera uma recuperação significativa do mercado nacional de tubos em 2010, que começou com os setores de construção civil e automotivo em forte atividade. A partir do segundo semestre, devem surgir encomendas ligadas ao saneamento básico e também às obras necessárias para a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e para a Olimpíada do Rio (2016). Além da condução de fluidos, os tubos de aço são muito usados como componentes estruturais de edifícios e de vários equipamentos urbanos. “Há muita fumaça, muitos projetos anunciados, mas poucos pedidos efetivamente colocados”, lamentou.

    Siqueira revela boas expectativas para 2010. Em 2008, um ano excepcional para os negócios, o faturamento setorial chegou a US$ 5 bilhões, com produção superior a 2,2 milhões de toneladas de tubos de aço. O diretor da Abitam comentou que 2009 mostrou os efeitos da crise, porém estes variaram de segmento para segmento de mercado. No total, ele apontou uma queda de aproximadamente 15% no movimento físico, que ficaria, portanto, perto de 1,87 milhão de toneladas. “É possível que voltemos ao patamar de mercado de 2008”, comentou.

    Com costura – O desempenho dos produtores de tubos de aço carbono e inox sem costura em 2009 ficou abaixo do alcançado em 2008, mas isso apenas comprova que este ano teve números excepcionais. Pelos resultados divulgados em fevereiro pela Confab Industrial S.A. (grupo TenarisConfab), verifica-se que a empresa obteve a receita líquida de R$ 1,76 bilhão, quase 11% inferior ao R$ 1,97 bilhão registrado em 2008. Porém, em relação a 2007, houve um aumento de quase 14% nesse item em 2009.

    Além disso, à queda de 11% na receita líquida correspondeu uma redução de 38,7% na tonelagem processada de aço em tubos, de 478,4 mil t para 293,3 mil t, no período de comparação. Segundo a companhia, isso deve ser interpretado considerando a redução da demanda nacional por dutos de gás por terem sido concluídos recentes projetos de grande envergadura, os gasodutos troncais do Plano Nacional de Gás Natural (Plangás). As exportações de tubos foram prejudicadas pela apreciação do real e pelo desinteresse na construção de novos gasodutos, justificada pela crise econômica mundial. Em compensação, a empresa vendeu, em 2009, 31,9 mil t de tubos especiais para prospecção de petróleo (OCGT – Oil Country Tubular Goods), quantidade 41,8% acima da vendida em 2008.


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