Química

30 de novembro de 2007

Tubos Industriais – Demanda cresce e lota as fábricas, mas importações em alta preocupam

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    movimento é intenso nas indústrias brasileiras de tubos para aplicações industriais e de infra-estrutura. A demanda está aquecida e são vários os investimentos programados para ampliações da capacidade produtiva. Fabricantes estrangeiros, principalmente do segmento de tubos metálicos, também passaram a sondar oportunidades no País com mais intensidade. Ao mesmo tempo, consolida-se no setor a percepção de que os negócios caminham para se concentrar ainda mais entre poucos fornecedores. Seguindo a regra estabelecida pela globalização dos negócios, os eleitos deverão ser os fabricantes com grande escala e aqueles menores, mas com uma estratégia muito apurada em um nicho de mercado.

    Apesar da grande variedade de materiais e possibilidades de compósitos disponíveis para a produção de tubos, tradicionalmente, o setor é dividido em dois segmentos principais: metálicos e não-metálicos (ver boxe). No segmento de tubos metálicos, o setor cresce acima do PIB há dois anos, chegando a um patamar de 1,9 milhão de toneladas produzidas em 2006, representando um faturamento de R$ 6,08 bilhões. A expectativa é de um crescimento do mercado de 5% a 10% em 2007 e da manutenção deste ritmo de crescimento pelo menos nos próximos dois a três anos, informa José Adolfo Siqueira, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam).

    Segundo Siqueira, os mercados onde os negócios estão mais aquecidos são os de óleo e gás, responsáveis por quase 30% da demanda nacional de tubos; sucroalcooleiro, tanto para a construção de alcooldutos como para uso em usinas; nas indústrias naval e automobilística e na construção civil. Informações do mercado acrescentam ainda os setores de mineração, papel e celulose e petroquímico como outros grandes demandantes de tubos neste ano.

    O bom momento pelo qual passa a indústria de tubos também pode ser observado no balanço de algumas empresas do setor, como o da TenarisConfab. Os pedidos em carteira da empresa, no último dia do primeiro semestre de 2007, atingiram o valor de R$ 1,89 milhão, sendo que, deste total, R$ 1,58 milhão são de negócios originados na divisão de tubos. No final do primeiro semestre de2006, acarteira total de pedidos da empresa somava R$ 660,4 mil.

    Química e Derivados, José Adolfo Siqueira, Diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios Metal(Abitam) , Tubos Industriais - Demanda cresce e lota as fábricas, mas importações em alta preocupam

    Siqueira: competitividade global conduzirá setor à consolidação

    A direção da TenarisConfab, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que as principais encomendas foram decorrentes de projetos de expansão das redes de gás natural no Brasil e na Argentina, como o projeto Gascac, que faz a ligação entre Cacimbas-ES e Catu-BA; o projeto Loops, de ampliação da capacidade de transporte dos sistemas norte e sul da rede de gasodutos na Argentina; e o projeto Plangás, da Petrobrás, para gasodutos em diversas localidades.

    Em setembro, a TenarisConfab, em conjunto com a Siat, da Argentina, e a Marubeni-Itochu Steel, do Japão, praticamente acertaram o fornecimento de aproximadamente540 quilômetrosde tubos de aço soldados para o mineroduto Minas-Rio, da mineradora MMX.

    Por outro lado, os sinais não são animadores em relação à balança comercial do tubo metálico, relata Siqueira, da Abitam. As exportações do segmento, na casa de 400 mil toneladas/ano, estão sendo desestimuladas, em virtude da valorização do real. Enquanto que as importações, que se limitaram a 100 mil toneladas em 2006, tendem a aumentar significativamente nos próximos anos, principalmente para atender os projetos sob encomenda.

    Na TenarisConfab, por exemplo, as receitas com exportações recuaram 22% no ano. Mas a direção da empresa atribui o fato “principalmente aos ingressos de projetos no Brasil”. Os relatos de vários outros players do mercado, porém, confirmam que a valorização do real desestimula as exportações. Como diz Luiz Eduardo Franco de Abreu, presidente da Zamprogna: “Exportamos para a América do Sul, no entanto, o volume planejado para ser exportado ficou prejudicado pela valorização do real perante o dólar. Estamos participando do mercado externo, somente em alguns produtos para nos mantermos presentes.”

    O interesse dos estrangeiros no mercado brasileiro já pôde ser sentido na feira Tubotech 2007, ocorrida em outubro,em São Paulo, onde compareceram 70 fornecedores de fora do País. A delegação que causou mais preocupação aos fabricantes brasileiros, como não poderia deixar de ser, foi a chinesa, composta de dez empresas. O preço médio do tubo chinês chega ao Brasil a R$ 2,50 o quilo, enquanto que o preço médio do quilo similar brasileiro está na casa dos R$ 3,20. Além do preço, os fornecedores chineses também chamaram a atenção pela qualidade de seus produtos, principalmente nas linhas de aços especiais e tubos de precisão. “A concorrência com os chineses vai ser dura daqui para frente e devemos esperar o mesmo em relação aos produtores indianos”, diz Siqueira.

    Na opinião do executivo da Abitam, a exposição aos concorrentes estrangeiros vai obrigar as indústrias instaladas no País a buscar competitividade, por meio de investimentos em equipamentos mais eficientes e, principalmente, em maior escala de produção. Há cinco anos, relata Siqueira, uma indústria com produção de 5 mil toneladas mensais era considerada grande no Brasil. Hoje, grande é quem produz 20 mil toneladas/mês.

    A busca por maior escala, seguindo a avaliação de Siqueira, é o start para um movimento de consolidação dos negócios no setor. Atualmente, mais de 50 empresas produzem tubos metálicos no Brasil, sendo que apenas 12 concentram por volta de 75% dos negócios. A análise dos executivos da Abitam é de que umas dez companhias serão responsáveis por atender quase todo o mercado nacional, em um prazo de cinco a dez anos.


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