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4 de abril de 2001

Tubos e Conexões: Indústria volta às compras

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Demanda aquecida faz esquecer uma década de estagnação e exige mudanças para enfrentar a maior oferta de materiais alternativos e concorrentes globais

    Química e Derivados: Tubos: Soldador completa costura longitudinal em tubo de aço de carbono.

    Soldador completa costura longitudinal em tubo de aço de carbono.

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    mercado brasileiro de tubos projeta aumento de vendas para este ano e seguintes, decorrência direta de investimentos em setores diversos, desde saneamento básico até petroquímica, passando pelo florescente ramo de celulose e papel. O bom momento contrasta com o período entre 1985 e 1995, quando houve redução drástica dos pedidos e redução de atividade setorial, provocando movimentos de fusão e o fechamento de empresas menos rentáveis.

    É possível afirmar, com certeza, que os fabricantes nacionais de tubos tornaram-se mais eficientes e competitivos em escala mundial. Apesar disso, importações diretas com origem na Ásia, somadas ao ingresso de tubos no mercado dentro de equipamentos comprados em regime de turn key ou build-operate-transfer (BOT) – a exemplo de caldeiras e trocadores de calor – causam preocupação no setor.

    Além da briga com concorrentes estrangeiros, agravada pela obesa tributação brasileira, o setor evidencia de forma ímpar o processo de substituição de materiais construtivos, orientado pela busca das melhores alternativas técnicas e econômicas para lidar com a condução de fluxos. Nesse ponto os materiais sintéticos revelam fôlego para ocupar espaços não só em aplicações singelas, como a condução de esgotos em regime de baixa pressão, mas também nas linhas de produtos altamente corrosivos, desbancando as caras e tormentosas ligas especiais. Até mesmo os tubos de vidro revelam-se imbatíveis em nichos de mercado como a síntese de fármacos de alta pureza.

    Aço em transformação – A evolução do mercado de tubos de aço no Brasil supera o desempenho do PIB, mas fica abaixo do PIB industrial por causa da importação de equipamentos, segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), José Adolfo Siqueira. Ele criticou o programa Repetro, criado para estimular investimentos de empresas estrangeiras e da Petrobrás para a exploração de petróleo em alto mar (off shore). Pelo Repetro, os investidores podem importar equipamentos sem recolher os impostos de importação, de produtos industrializados (IPI) e de circulação de mercadorias (ICMS).

    Química e Derivados: Tubos: Bernardes - tubo inoxidável nacional tem custo competitivo.

    Bernardes – tubo inoxidável nacional tem custo competitivo.

    Para compensar a vantagem tributária dessas importações, o governo criou o mecanismo de exportação ficta, pela qual os fabricantes nacionais venderiam equipamentos e serviços para as plataformas instaladas no Brasil, usando um regime igual ao da exportação. “Isso não está funcionando porque alguns governadores não aceitaram a eliminação do ICMS e impediram o benefício”, comentou Siqueira. “Vai ser difícil trabalhar com as petroleiras.”

    Além dos tributos excessivos, ele mencionou a dificuldade de relacionamento com os potenciais compradores estrangeiros, agravada pelo baixo índice de nacionalização exigido oficialmente, por volta de 20% do valor total, cumprido quase exclusivamente com serviços. “Nessas condições, tirar o imposto de importação é muito prejudicial aos fabricantes locais, até pior que a Alca, pois esta ainda permite alguma proteção local”, afirmou.

    Na opinião do dirigente, o Repetro seria excelente se contemplasse os produtos de uso realmente temporário, como plataformas de perfuração. “Admitir que um equipamento que fique funcionando por mais de 20 anos seja uma importação temporária é demais”, disse. A situação ainda pode piorar, pois os acordos permitem a importação favorecida também de componentes e peças adicionais. Siqueira ressalta que os tubos rígidos não foram incluídos no Repetro, mantendo negócios. Mas, no campo dos flexíveis a perda de mercado foi notável.

    Tirando a desvantagem tributária, a Abitam considera os tubos de aço brasileiro competitivos inclusive em âmbito internacional. “O preço do aço está compatível com o do mercado externo, apesar dos reajustes que foram feitos”, considerou. “Só não dá para comparar com o preço do aço de alguns países do Leste Europeu”, afirmou.

    Química e Derivados: Tubos: Tubos de aço inox com solda longitudinal sem adicionar material.

    Tubos de aço inox com solda longitudinal sem adicionar material.

    Enquanto trabalha com preços realistas, o setor pretende aprimorar o requisito qualidade. “A Abitam está desenvolvendo ações para estimular a qualidade dos tubos nacionais”, comentou o diretor-executivo. Essas ações começaram com a exigência de os fabricantes de tubos de aço imprimirem seu nome e identificação do produto nas paredes externas dos tubos. Além disso, os associados estão em processo de certificação de sistemas produtivos e de produtos nos requisitos da ABNT.

    Além das exigências técnicas, a associação se uniu às usinas siderúrgicas para desenvolver um programa de marketing junto aos escritórios de engenharia, projetistas e designers, com o intuito de divulgar as vantagens do uso do aço em várias situações. Além da condução de fluidos, existem aplicações estruturais e decorativas que representam interessante fatia de mercado.

    Essas iniciativas atendem à necessidade de responder ao avanço de materiais alternativos, sobretudo os sintéticos. “Nos últimos vinte anos, os tubos feitos de plásticos evoluíram muito em tecnologia e qualidade”, reconheceu. “Alguns aços especiais também evoluíram, mas não com tanta intensidade.” Apesar de notar o avanço desses materiais, Siqueira limita seu emprego a uma faixa restrita de aplicações. Nas linhas de condução de fluidos comuns, como instalações prediais de água, combate a incêndio e gás, os plásticos levam vantagem. Já nos diâmetros maiores que 20 polegadas, o aço permanece soberano. “Embora tenha vantagem de custo de instalação menor, os tubos de plástico perdem em resistência mecânica”, afirmou.


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