Calor Industrial

7 de dezembro de 2001

Trocadores de calor: Petrobrás vai às compras e esquenta o mercado

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Fabricação nacional, estimulada pelo câmbio favorável, supre a demanda da indústria do petróleo e outros setores

    Química e Derivados: Trocadores: Crescimento foi maior em todos os tipos da linha de casco e tubos.

    Crescimento foi maior em todos os tipos da linha de casco e tubos.

    O mercado de trocadores de calor opera a pleno vapor. Desde o ano passado, a demanda por esses equipamentos cresce em ritmo acelerado, principalmente por causa do plano de investimentos da Petrobrás. Historicamente a maior compradora de equipamentos do País, a estatal ficou por mais de cinco anos afastada das listas das grandes encomendas. Para tirar o atraso, foram anunciados investimentos da ordem de US$ 5 bilhões, de 2001 a 2005, na maior parte referentes a bens de capital mecânicos.

    Química e Derivados: Trocadores: Menezes espera que projetos das temoelétricas saiam do papel.

    Menezes espera que projetos das temoelétricas saiam do papel.

    “O plano da Petrobrás prevê a compra de mil trocadores de calor até 2005, entre outros equipamentos”, explicou Claudia Regina Bouman, gerente de marketing da Jaraguá Equipamentos Industriais (empresa do grupo Garcia), tradicional fabricante de equipamentos sob encomenda. Para ela, a partir dos investimentos efetivados pela estatal, as empresas consumidoras de seus produtos, como as petroquímicas, também devem ampliar investimentos.

    Comparadas com as do ano 2000, as vendas de trocadores da Jaraguá em 2001 apresentaram acréscimo de 298,19%. “Conseguimos aumentar nossa participação nesse mercado, representado em maioria pelas empresas petrolíferas e petroquímicas, passando de 8,1% para 36,34%”, comentou a gerente de marketing.

    O bom momento é compartilhado pela GEA do Brasil, que vendeu 40% a mais em 2001. “Esperamos crescer mais 30% em 2002 com a manutenção do ritmo de encomendas para a Petrobrás”, afirmou Victor Menezes, gerente da unidade de negócio resfriamento e aquecimento de processos. Ele afirmou ser pequeno o risco de haver mudanças no plano de investimento da estatal por força do processo eleitoral a se instalar neste ano.

    A GEA atua no segmento de trocadores de porte intermediário, muito empregados nos processos de refino de petróleo. Segundo estimativas de Menezes, dos mais de US$ 5 bilhões anunciados pela Petrobrás, de 3% a 5% devem ser aplicados em trocadores. “Parece pouco, mas é um volume enorme para o mercado local”, analisou.

    Além das compras da estatal petroleira, Menezes credita o bom desempenho de 2001 aos investimentos realizados por empresas de vários setores para instalar unidades de co-geração de eletricidade, estimulados pela crise de energia que marcou o ano. “Porém, os grandes projetos de termoeletricidade ficaram, em maioria, parados”, comentou.

    As abruptas variações cambiais ocorridas durante 2001 favoreceram a fabricação nacional de trocadores de calor do tipo casco e tubos. “Com o dólar caro, o espaço dos equipamentos importados foi reduzido, melhorando a competitividade do produto nacional”, explicou. Apesar disso, a proteção não pode ser considerada total. “Tem muito equipamento sendo feito no Leste Europeu, com custo muito baixo, que ainda disputa mercado no Brasil”, disse. Na sua opinião, as cotações na faixa de R$ 2,40 a R$ 2,50 por dólar são aceitáveis. “Elas não nos favorecem demais, mas também nos dão alguma condição de competir.” A GEA detém confortável carteira de pedidos para doze meses de operação, mas ainda conta com espaço na fábrica para absorver novos pedidos.

    Química e Derivados: Trocadores: Cibele - trocadores compactos ampliam participação nas vendas.

    Cibele – trocadores compactos ampliam participação nas vendas.

    Os expressivos percentuais de aumento de vendas precisam ser melhor explicados. Segundo Menezes, os indicadores são elevados porque os anos anteriores (2000 e 1999) foram muito fracos. Como o perfil de produção da GEA está voltada para tamanhos intermediários, ela pôde diversificar sua carteira, compensando parcialmente a ausência de grandes projetos. Até os serviços de manutenção e remanufatura de trocadores ganhou participação maior no faturamento da empresa nos anos de “vacas magras”. “Ainda atuamos nessas atividades, mas com outro enfoque”, disse Menezes. Segundo explicou, a Petrobrás, principal cliente, mudou o método de contratação de serviços. Em vez de cotar e licitar item por item a reparar, a companhia adotou o modelo de contrato amplo de fornecimento com número menor de prestadores de serviços. “Não é o nosso negócio, isso é mais para quem está acostumado a executar tarefas no campo”, afirmou.

    No caso da Jaraguá, mais voltada para equipamentos de grande porte, a volta dos grandes projetos explicaria o resultado mais exuberante. A empresa não verificou preferência significativa por nenhum dos quinze tipos usuais de trocadores de calor. “Apenas percebemos grande número de pedidos de equipamentos para serviços com gás sulfídrico (H2S), que exige materiais importados para a confecção”, explicou Claudia Bouman.

    A necessidade de importar materiais especiais, indisponíveis no mercado brasileiro, combinada com a desvalorização do real em 2001, implicou elevação de custos para a Jaraguá. “O impacto, porém, não foi muito grande e pudemos absorver alguns custos para ficarmos competitivos”, afirmou a gerente de marketing.

    Placas animadas – Nos campos dos trocadores de calor a placas, 2001 também mereceu comemoração, com os principais fornecedores de equipamentos industriais verificando incremento por volta de 15% nos negócios. Nem mesmo a desvalorização do real frente ao dólar, que encareceu a importação das placas estampadas, amenizou o resultado. “Não há produção local das placas, nós e os nossos clientes já nos acostumamos a lidar com isso”, disse Cibele David, gerente da área de processos da Alfa Laval. Desde 2001, o grupo sueco separou-se da Tetra, tradicional fabricante de embalagens, que deixou de ser acionista majoritária, papel assumido por um grupo de investidores suecos. “Isso provocou a reestruturação da companhia, de modo a buscar maior sinergia entre os diversos produtos da linha”, explicou.


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