Calor Industrial

1 de outubro de 2000

Trocadores de calor: Compradores ativos reanimam setor

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Projetos de investimento de vários setores saem das gavetas e demandam grande volume de equipamentos casco e tubos, com novas normas, e também de placas

    Química e Derivados: Trocadores de Calor: Meneses - produto nacional sofre com o preço dos tubos de aço.

    Meneses – produto nacional sofre com o preço dos tubos de aço.

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    retomada dos investimentos produtivos no Brasil neste ano ampliou o volume de consultas e pedidos de trocadores de calor. A maior parte dos negócios mantém o destino de reposição de equipamentos em final de vida útil, aplicação que privilegia a construção de equipamentos iguais aos substituídos. Nos projetos inteiramente novos demandam trocadores construídos segundo as normas internacionais modernas, especialmente no caso dos modelos casco e tubos, que ficaram mais compactos e leves.

    Alguns projetos mais recentes também adotam trocadores a placas, cuja evolução tecnológica se mantém constante, atendendo a pressões até 40 bar. Já bem conhecidos e usados na indústria química, os equipamentos de placas se esforçam para superar uma barreira de aplicação, representada pelas refinarias de petróleo. Os fornecedores contam com um excelente argumento para dobrar a resistência desses clientes, pois estão presentes há anos nas plataformas de exploração de petróleo off shore, até mesmo em pontos críticos de operação.

    Negócios nos cascos – Maior fabricante nacional dedicado exclusivamente a trocadores de calor, a GEA verifica faturamento 30% maior neste ano do que em 1999. “Mesmo assim, o volume ainda é quase a metade do que foi em 1996/97”, comentou Victor Meneses, gerente da unidade de negócio resfriamento e aquecimento de processos. Na sua previsão, se os projetos de investimento pendentes em vários setores se efetivarem, será possível elevar em mais 30% as vendas em 2001.
    Atender o aumento de pedidos não é a maior precoupação da GEA. “Estamos com ociosidade de 30% a 40% quanto ao pessoal e de 60% quanto à utilização da capacidade produtiva”, explicou Meneses. Há dez anos, a empresa mantinha 300 profissionais por turno, contra os atuais cem funcionários em turno único. “Estamos muito mais produtivos”, comentou.

    Com a redução de investimentos no País, desde os anos 80, foi necessário reorganizar a atividade. “A empresa era muito verticalizada, hoje nós terceirizamos as partes que não são críticas”, disse. Mais enxuta e produtiva, a empresa só lamenta não ser ainda mais competitiva internacionalmente por culpa do fornecimento de materiais, como o aço. “Nos tubos de aço, por exemplo, há um monopólio que pratica preços ligeiramente inferiores aos dos importados acrescidos dos custos de importação”, criticou Meneses. Para driblar essa dificuldade, a GEA brasileira tem trazido tubos de aço da Índia, com vantagens.

    Em relação ao exterior, os preços locais dos trocadores podem ser considerados semelhantes. “Por exemplo, os equipamentos de tubos aletados estão ligeiramente acima dos praticados pela matriz alemã”, disse. A pequena diferença é atribuída à incidência em cascata de tributos como PIS/Cofins e pelas taxas de risco embutidas nos projetos sob encomenda. A garantia do pagamento ao fabricante é freqüentemente feita com base em carta de fiança bancária, cujo custo é elevado, bem como a taxa de juros embutida em financiamentos locais. Esses custos inibem a exportação de trocadores de calor brasileiros, hoje direcionada para a Argentina e Chile, com alguns negócios também para a Europa, como complemento à capacidade produtiva da matriz. “A venda ao exterior não tem sido o forte da GEA do Brasil”, disse Meneses. Há expectativa de ampliar essa participação, pela aproximação com a empresa de projetos e engenharia Lurgi, desde o ano passado integrante do grupo alemão Metalgesellchaft, como a GEA.

    A questão financeira pode se tornar mais relevante se houver uma possível avalanche de pedidos em 2001. “Todas as empresas precisarão de mais capital de giro, que pode ser um problema”, comentou. Para Meneses, bancar esse custo exige que as empresas tenham situação financeira sólida ou maior participação dos encomendantes nos adiantamentos, hoje inexistentes. “Alguns trocadores levam até dez meses para serem construídos”, explicou. A atuação da empresa está voltada para equipamentos engenheirados, tendo deixado de lado as produções seriadas de modelos pequenos. Quase 70% das vendas da filial dirigem-se à indústria química e petroquímica.

    Jaraguá volta à disputa – Comprada em fevereiro de 2000 pelo grupo Garcia, fornecedor de equipamentos com destaque para sistemas de transporte pneumático, a Jaraguá Equipamentos Industriais volta a freqüentar as disputas por grandes pedidos industriais. O faturamento do grupo em 1999 somou US$ 40 milhões, com previsão de dobrar nos próximos anos, dependendo do comportamento do mercado. “Só em agosto os compradores voltaram à atividade, tirando projetos da gaveta”, comentou o diretor comercial Sylvio Fonseca. Os trocadores de calor representam aproximadamente 25% das vendas da Jaraguá.

    “O mercado desses equipamentos ainda se limita a substituições e reformas”, disse Fonseca. Ele aponta várias dificuldades para o setor, a começar pelo preço do aço. “Deve haver uma acomodação no valor cobrado pelas siderúrgicas, que subiu muito acima da inflação”, criticou. Enquanto o aço sobe, o preço dos equipamentos não pode ser reajustado como era feito na década passada. Atualmente, os fabricantes de bens de capital só podem mudar suas tabelas de preços uma vez por ano, validade conferida também aos orçamentos. “É difícil renegociar um contrato”, disse. Além disso, a concorrência está apertada, mantendo baixas as cotações desses produtos.


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