Máquinas e Equipamentos

26 de junho de 2003

Tratamento de superfície: Recessão faz setor vender fórmulas para reduzir custos

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Mercado se retrai com o desempenho negativo dos principais clientes, os setores automotivo e eletroeletrônico. A saída é tentar comercializar processos econômicos.

    Química e Derivados: Superfície: Moraes - margem de lucro reduzida.

    Moraes – margem de lucro reduzida.

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    e fosse possível, o mercado de tratamento de superfícies gostaria de esquecer o último ano. Dependente de importações e de matérias-primas com preços cotados em dólar, cuja valorização impactou de maneira assombrosa o seu custo de produção, o setor ainda não se acostumou a conviver com uma queda brutal no consumo dos produtos de seus principais clientes, como a indústria automotiva e a de eletrodomésticos.

    No caso dos carros, considerados os principais consumidores de peças tratadas, a retração nas vendas dos últimos seis anos foi de 21% e o setor, assim como o de eletroeletrônicos, opera hoje com ociosidade próxima dos 50%. Alie-se à conjuntura desfavorável dos clientes a crescente importação de produtos metálicos acabados da Ásia, de qualidade duvidosa mas extremamente baratos, e não faltarão motivos para as empresas de processos químicos para eletrodeposição, galvanoplastias e demais participantes do mercado se esforçarem para apagar o período da memória.

    O pior para o setor, nesse momento de crise, é a sua fragilidade dentro da cadeia produtiva, em termos de poder de negociação. Pressionadas por clientes peso pesado, como montadoras e grandes grupos de eletroeletrônicos, as empresas ou limitam ao máximo os repasses dos aumentos de matéria-prima, na maior parte do tempo justificáveis, ou deixam de fornecer. Levando em consideração a forte concorrência do setor, em que cerca de 5 mil empresas de todo o País se engalfinham por negócios, a solução adotada pela maioria foi ceder às pressões.

    Isso não significa, porém, que os fornecedores não tenham conseguido fazer nenhum repasse. Apenas eles precisaram ser bem aquém do necessário, segundo informa a maior parte das empresas. Em média, só foram possíveis aumentos entre 10% e 20%, inferiores à pressão cambial acumulada no período, de até 60%.

    “Tivemos que reduzir drasticamente as margens de lucro”, explicou Milton Moraes Silveira Jr., diretor-superintendente da Atotech do Brasil, uma das principais empresas de processo para tratamento de superfícies. Segundo ele, o repasse máximo a alguns clientes, depois de muito esforço de negociação, não ultrapassou o limite de 20%.

    A queda do dólar, neste fim de semestre, e a prometida recuperação da economia, a partir do último trimestre de 2003, traz um pouco de alento para os produtores, mas ainda não suficiente para provocar euforia. Avaliado em US$ 500 milhões, contando galvanoplastias, empresas de processos, fabricantes com tratamento de superfície próprio e fornecedores de matérias-primas, o mercado ainda prevê um período longo de retração nas vendas. Primeiro porque as perdas oriundas do choque da variação cambial não têm muitas chances de serem ressarcidas. “Depois que aceitamos absorver os aumentos, os clientes não vão admitir que voltemos a trabalhar com as margens de lucro do passado”, ressalta o diretor da Atotech.

    O outro motivo para não se prever uma recuperação tão rápida tem a ver com a própria dinâmica da macroeconomia. Após períodos de retração do consumo, e de conseqüente ociosidade na indústria, os investimentos, responsáveis pelo crescimento de fato, demoram para surgir de novo. Analistas estimam que a possível recuperação no segundo semestre deve ser apenas para compensar o fundo do poço dos primeiros meses do ano e fazer o crescimento anual do PIB chegar próximo da meta do governo de 1,8%. Um pouco mais de otimismo só pode ser considerado sensato se for para embasar previsões relativas a 2004. Se nenhum acidente de percurso ocorrer, e o governo mantiver a estabilidade e promover a queda lenta nos juros, no próximo ano a classe média pode voltar a comprar carros, televisões e outros produtos que movimentam o mercado de tratamento de superfície, cujo crescimento anual historicamente é cerca de 20% a 30% maior do que o do PIB nacional.

    Química e Derivados: Superfície: Zanini - nacionalização com americanos.

    Zanini – nacionalização com americanos.

    Estagnação tecnológica – A recessão dos últimos meses, bem como o ritmo lento da economia nos anos anteriores, não afetou apenas o faturamento das empresas de tratamento de superfície. A evolução tecnológica do setor foi muito prejudicada em virtude da pressão exercida pelos grandes clientes para reduzir custos produtivos. Esse fenômeno fica nítido ao se observar algumas tentativas malsucedidas de introdução de novos materiais químicos de eletrodeposição.

    No final da década de 90, havia a forte convicção de que as montadoras de automóveis passariam a exigir o uso de ligas de zinco para peças instaladas em ambientes de alta corrosão. A tentativa de repadronização dos revestimentos de zinco, cuja aditivação com níquel, ferro ou cobalto aumenta em muito a resistência anticorrosiva do material tratado, seguia tendência das matrizes dos grupos, que já possuíam normas para produção de peças, como tubos de fluidos de freio, parafusos e outras engrenagens de motor com as ligas de zinco.

    No Brasil, as montadoras chegaram a tentar cumprir as determinações de padronização das matrizes e anunciaram metas de substituição, provocando forte expectativa de negócios para as novas formulações. Mas, do mesmo modo que cogitaram a nova obrigação, também passaram a exigir das galvanoplastias custos iguais aos praticados com os revestimentos apenas de zinco. Resultado: a mudança foi inviabilizada, pelo motivo óbvio de que as formulações das ligas eram mais caras. Hoje esses processos representam um percentual muito baixo do mercado.


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