Tecnologia Ambiental

7 de novembro de 2001

Tratamento de superfície: Passivador sem cromo inova a luta contra a corrosão

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Enfoque do setor de galvanoplastia está centrado em processos ecologicamente corretos, resistência à corrosão e na luta pela diminuição de seus custos

    Química e Derivados: Tratamento: Trivalente altera a tonalidade da peça.

    Trivalente altera a tonalidade da peça.

    De 1998 para cá houve sensível evolução nas formulações químicas para tratamento de superfície metálica. Os cromatizantes trivalentes (não-tóxicos) já são uma realidade e, agora, a busca é pelos passivadores sem cromo. Nos últimos anos, empresas representadas ou com filial no Brasil recebem novas técnicas ao mesmo tempo em que são lançadas nos grandes mercados. O enfoque está centrado para utilização de processos ecologicamente corretos, maior resistência à corrosão e diminuição de custos.

    Há três fases no tratamento. A primeira, o pré-tratamento, compreende o desengraxe ou decapagem das superfícies com solventes ou, atualmente , os tratamentos biológicos. Na etapa de acabamento principal usa-se as ligas de zinco e os produtos isentos de cromo. Por último, os acabamentos com tintas anticorrosivas.

    No que diz respeito aos processos que diminuam os problemas com o meio ambiente e, ao mesmo tempo, mantenham um bom desempenho técnico, segundo Sérgio Gonçalves Pereira, presidente da Associação Brasileira de Tratamento de Superfície (ABTS), também diretor comercial da Tecnorevest Produtos Químicos, “as buscas têm sido contínuas”. Ele menciona como inovações os banhos de zinco isentos de cianetos e os passivadores que utilizam cromo trivalente, além dos selantes para passivação e os banhos de cromo trivalentes. “São processos consagrados e a sua utilização é cada vez mais difundida”, garante Pereira.

    Química e Derivados: Tratamento: Pereira - desempenho sofrível do segmento.

    Pereira – desempenho sofrível do segmento.

    Eliminar os cromos hexavalentes nos tratamentos anticorrosão tem sido a ordem do dia. Os trivalentes são, segundo o gerente de marketing e vendas da Atotech do Brasil, Milton Moraes Silveira Junior, menos agressivos à saúde de quem o manuseia. Até então, o usado era o hexavalente; ele causava lesões na pele, nas vias respiratórias e tinha ação cancerígena.

    “Várias pesquisas têm sido realizadas, para descobrir passivadores totalmente isentos de cromo, mas elas ainda estão inconclusivas”, confirma Silveira. A União Européia determina em norma que, em 2005, cada carro possua duas gramas de cromo. Segundo Alfredo Levy, doutor em química e diretor primeiro-secretário da ABTS, “futuramente, 90% de um carro deverão ser reciclados”. “Acho inevitável que a descoberta de um passivador sem cromo aconteça”, opina Silveira.

    É preciso frisar que o cromo tem várias aplicações dentro da indústria de tratamento de superfície. Ele é danoso, principalmente, na forma gel quando é aplicado como anticorrosivo. É usado, também, nas indústrias galvânicas, como cromo decorativo em peças para metais sanitários ou fechaduras e também em cromo duro, com peças de automóveis em amortecedores, anéis de pistão, dentre outras. Nesses dois casos ele continua porque é o depósito de cromo.

    Na linha decorativa tem sido usado o cromo trivalente. É um segmento de cromação onde, além de não se utilizar o hexavalente, a tonalidade da peça é alterada, deixando-a mais esbranquiçada do que azulada. Além disso, seu processo de aplicação é mais trabalhoso e caro mas, na opinião de Roberto Pedrini Andrade, gerente do Departamento Técnico e de Vendas da Atotech, a tendência das empresas que trabalham com processos decorativos é de adotá-lo. “Com o tempo”, na opinião de Silveira, “seu custo deverá cair em função de como será aceito pelo mercado”.

    As etapas de tratamento são relativamente iguais. Há, primeiro, um desengraxe químico como pré-tratamento; os banhos de cobre e níquel e, por fim, com o hexa ou o trivalente, ambos aplicados por eletrodeposição.

    Química e Derivados: Tratamento: Silveira - o que fazer com os rejeitos.

    Silveira – o que fazer com os rejeitos.

    Para Pereira, da ABTS, “em um mundo globalizado, o problema de custo se reveste de uma importância ainda maior”. E observa: “dentro desta filosofia, praticamente, se enquadram todos os produtos e há alguns que foram desenvolvidos especialmente dentro desta ótica”. É o caso de um processo liga níquel que pode ser aplicado em tambor rotativo e cujo o depósito tem uma tonalidade bem próxima do cromo eletrodepositado. Pereira destaca, também, a aplicação de vernizes eletroforéticos, em especial os que simulam aspectos metálicos que imitam o latão, ouro ou bronze.

    Ainda no que diz respeito para a busca de maior resistência à corrosão, o destaque fica para os banhos de zinco liga, pré-tratamento para pintura e a pintura propriamente dita. Segundo Pereira, “aos banhos de zinco liga não foi dada a ênfase que se imaginava a princípio, muito embora têm sido uma resposta efetiva para maior proteção de peças críticas”. E comenta o presidente da ABTS: “Já os processos de fosfatização e pintura têm recebido contínuos melhoramentos, e avançado na sua utilização”.

    O setor automobilístico é a grande mola propulsora das vendas e dos trabalhos de pesquisas de novos produtos. Na opinião de Pereira, “o desempenho do segmento, neste momento, é sofrível e nosso mercado sentiu as conseqüências naturais”. Além deste problema, as peças cromadas cederam seu lugar para as de plástico ou pintadas. “A reversão dessa situação me parece muito difícil no momento”, afirma.

    Quanto aos acabamentos galvânicos, Alfredo Levy diz que as ligas zinco-cobre, zinco-níquel e zinco-ferro são de caráter protetivo. De acordo com Pereira, o zinco tem uma boa resistência à corrosão e suas ligas de ferro, níquel e cobalto, em especial as duas primeiras, têm uma ótima proteção. O zinco co-depositado com os metais mencionados e corretamente passivados podem atingir 800 a 1000 h de névoa salina antes de haver corrosão vermelha, como a do ferro. Por isso, as montadoras dão preferência a esse tipo de acabamento nas peças mais críticas.


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