Tecnologia Ambiental

24 de junho de 2004

Tratamento de Superfície: Apelo ecológico predomina nos novos produtos

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    Linha “verde” é a principal tendência em mercado com dificuldade para inovar

    Química e Derivados: Superfície: . ©QDA principal briga de quem realiza tratamentos de superfície é contra a corrosão. No entanto, para sobreviverem em um mercado com faturamento pequeno e disputado por uma infinidade de concorrentes, as empresas de tratamento de superfícies precisam buscar diferenciais econômicos e tecnológicos que garantam seus lugares ao sol. Essa busca, entretanto esbarra em algumas idiossincrasias do setor. As novidades tecnológicas rareiam e há muito não se noticia grande mudança de paradigma. A descoberta de novas aplicações é árdua, e um gigante – antes fosse de contos de fadas – ameaça abocanhar de vez a galvanoplastia mundial: a China está tomando de assalto mais um quinhão da economia, acontecimento cada vez mais comum desde que os asiáticos aderiram, pero no mucho, às regras do comércio internacional.

    A despeito dos percalços, os fabricantes de produtos químicos para banhos eletrolíticos continuam a tocar suas naus. Uma das representantes da indústria nacional é a Tecnorevest, de Barueri-SP. Com capital nacional e 35 anos de atuação, a empresa vende produtos de toda a linha de tratamento de superfícies metálicas, desde desengraxantes até banhos de zinco, níquel, cobre e cromo, incluindo nesse rol também alguns metais preciosos (ouro, prata e paládio).

    A luta da Tecnorevest pelos tais diferenciais tecnológicos é bem expressa pelas várias representações comerciais que a empresa conquistou. É por meio delas que oferece ao mercado brasileiro algumas novidades, como banhos de cobre alcalino, desengraxantes e mordentes de alumínio isentos de cianetos.

    Também compõem suas linhas os produtos para o segmento de circuitos impressos, os especiais para acabamento (da francesa LC Systeme) e os vernizes eletroforéticos (da inglesa LVH Coatings). Os novos mordentes de alumínio, diz Carlos Alberto Amaral, gerente comercial da empresa, possibilitam a deposição eletrolítica de cromo sem a necessidade usual de uma pré-camada metálica de deposição química.

    Embora todo metal seja recobrível por outro, o acabamento esperado é obtido pela deposição de várias camadas metálicas. Em outros casos, como quando se deseja cromar peças confeccionadas no metal denominado zamack, é necessário o depósito de uma primeira camada de cobre alcalino (a bem da verdade, a solução que contém os sais de cobre é alcalina), seguida por outra de cobre ácido e depois por níquel e cromo. Fosse o cobre ácido o primeiro depósito, o zamack seria corroído pela solução ácida.

    No caso do latão, ao contrário, pode ser recoberto diretamente com banho de cobre ácido, mas ainda assim, explica Amaral, é desejável uma cobertura com cobre alcalino para refinar a camada que servirá de substrato para os depósitos de níquel e cromo.

    Mas nem sempre as camadas são depositadas eletroliticamente. Empresas do ramo de aviação operam com pequenas galvânicas para repor peças de fuselagem, utilizando em geral níquel de deposição química, cuja dureza e resistência à corrosão são bastante elevados por um processo final de têmpera (aquecimento em estufa). Mais comum, entretanto, é a necessidade de uma primeira deposição química em superfícies não condutoras de eletricidade para que sejam convertidas em condutoras e, então, possibilitem a deposição eletrolítica. Em plásticos, é praxe depositar-se paládio, capaz de ativar o níquel químico em solução. Somente após a ativação com paládio e a deposição química do níquel se torna factível a deposição eletrolítica do mesmo metal.

    Química e Derivados: Superfície: Amaral aposta no sucesso  do que for menos poluente. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Amaral aposta no sucesso do que for menos poluente.

    Meio ambiente – “Os produtos menos danosos ao ambiente irão predominar”, diz Amaral. É comum a vários dos lançamentos da Tecnorevest o apelo ecológico, ao mesmo tempo um dos principais avanços e tendências a marcar o segmento conhecido por sua agressividade ao meio ambiente. A diminuição da quantidade de cianetos, e em muitos casos a sua eliminação nas formulações, é um dos principais feitos dessa indústria rumo a produtos ecologicamente amigáveis.

    Cianetos estão entre os principais alvos da Cetesb e causam graves danos à saúde humana. O cromo é outro vilão, motivo pelo qual foram desenvolvidas as formulações à base de cromos trivalentes, menos prejudiciais que os hexavalentes. A empresa também está introduzindo desplacantes – produtos que removem camadas de pintura para reuso da peça – sem cloreto de metileno e sem fenol. “Esses desplacantes não causam queimaduras, câncer ou outros danos a saúde”, afirma o gerente. Não por coincidência, os produtos “verdes” ( banhos de cobre alcalino e zinco sem cianetos) são os de maior demanda, segundo Amaral, ao lado dos vernizes eletroforéticos.

    A multinacional Atotech, instalada em Taboão da Serra-SP, também investe alto nos produtos menos poluentes. Um deles, segundo o diretor executivo da unidade brasileira Milton Moraes Silveira, são os desengraxantes biológicos. Tanto as chapas como as peças metálicas a serem tratadas chegam à galvanização impregnadas de óleo, seja ele proveniente das prensas de estampagem ou do embobinamento das chapas, e sua retirada é essencial à garantia de qualidade dos processos de deposição. Para isso são usados os desengraxantes, e a Atotech desenvolveu desengraxantes biológicos, introduzidos no Brasil em 1998. Esses produtos permitem que após o desengraxe, o óleo, acompanhado de uma solução de pH e temperatura controlados, seja consumido por bactérias, gerando água e gás carbônico. Assim, o desengraxante é regenerado, sem a necessidade de descarte de volumes que podem ser de 3 mil a 4 mil litros mensais, e que precisam ser necessariamente tratados em estações de tratamento de efluentes. O produto também prolonga a vida útil dos banhos eletrolíticos.


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      2 Comentários


      1. Leandro rosa moreira

        Olá. Gostaria de me informar como Faço para adquirir as químicas para fazer insumos para metalização. Aguardo resposta



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