Tecnologia Ambiental

17 de junho de 2013

Tratamento de efluentes: Vendas em queda na indústria pesada forçam setor a diversificar clientes

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Tratamento de efluentes: Vendas em queda na indústria pesada forçam setor a diversificar clientes

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    mercado de tratamento de efluentes passa por um momento de contrastes. Há oportunidades de negócios entre alguns integradores de sistemas e fornecedores de tratamentos químicos, mas há também um sinal de alerta aceso que se traduz em uma baixa preocupante nas contratações da indústria pesada, o que afetou negativamente o cotidiano de muitas empresas acostumadas nos últimos anos a fechar negócios milionários com os setores petroquímico, siderúrgico e de papel e celulose. Aliás, os dois panoramas são em boa parte consequência um do outro: a escassez de obras nas indústrias de base fez muitos competidores buscarem novos negócios em outros setores, aí incluindo desde oportunidades em alimentos e bebidas até a prometida retomada de investimentos no saneamento básico.

    Química e Derivados, Valdir Folgosi: empresas começam a demitir e tentam vender mais para saneamento

    Folgosi: empresas começam a demitir e tentam vender mais para saneamento

    A dúvida é se a agilidade das empresas para mudar a estratégia comercial será suficiente para combater os efeitos que a baixa nos pedidos dos grandes clientes do setor já começa a provocar. O principal deles, na avaliação de Valdir Folgosi, presidente do Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental (Sindesam), da Abimaq, é a redução de efetivo entre as empresas associadas. De julho a dezembro de 2012, houve cortes de mão de obra de até 20%. De dezembro do ano passado até julho de 2013, a previsão, por meio de consulta entre as 100 empresas ligadas ao Sindesam, é o percentual médio se repetir. “Levamos uma década, depois de um período ruim no saneamento público e na indústria, para formar mão de obra qualificada para o setor. E agora corremos o risco de perdê-la de novo”, lamentou Folgosi, também diretor da Centroprojekt do Brasil, importante fornecedora de sistemas e equipamentos de ar, água, efluentes e resíduos.

    A desmobilização do setor, em uma primeira análise, tem a ver com o freio nos investimentos da indústria, principalmente da Petrobras, que na última década investiu muito em ampliações de refinarias e contratou grandes obras em águas e efluentes, e com a estagnação dos setores siderúrgico, químico, sucroalcooleiro, de papel e celulose e de mineração. Afinal, dos cerca de R$ 1,5 bilhão faturados pelos associados do Sindesam em 2012, e também na média histórica dos últimos anos, 80% provêm da iniciativa privada e apenas 20% do saneamento básico. Essa dependência privada traz agora uma “síndrome de abstinência” que pode, na opinião de Folgosi, ou levar o setor para um colapso ou direcioná-lo para a reabilitação, caso os fornecedores locais de equipamentos e sistemas passem a fornecer de fato para o deficitário saneamento básico brasileiro.

    E para fornecer para o saneamento não basta esperar as obras, que estão ocorrendo, mesmo que a um ritmo aquém do necessário (cerca de um terço do necessário). Isso porque o Sindesam tem verificado a baixa participação de conteúdo nacional nas construções e ampliações de estações de tratamento de água e esgoto Brasil afora. “As construtoras contratadas para essas obras estão importando de tudo, aproveitando o câmbio e a alta oferta de produtores asiáticos e até europeus“, disse. Vários segmentos acabam sofrendo mais, outros menos, mas todos percebem o que está acontecendo. Os fabricantes de válvulas, por exemplo, segundo Folgosi, foram destruídos e hoje se transformaram em escritórios de representação.

    Como plano de ação para socorrer os associados e compensar as perdas constantes no setor privado, o Sindesam apresentou para o governo federal sugestões para inclusão no Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), criado pelo Ministério das Cidades, e ainda em elaboração, para regular a condução das políticas públicas com o fim de universalizar o saneamento básico em 20 anos. E o melhor, segundo Folgosi, é que as sugestões apresentadas em agosto de 2012 foram acatadas em dezembro do mesmo ano e serão incluídas como cláusula aditiva no Plansab.

    A principal delas diz respeito à valorização da indústria brasileira, ou seja, a inclusão de exigência, nos moldes do que ocorre na indústria de petróleo, de obrigatoriedade de conteúdo nacional nas obras de saneamento. “Não faz sentido usar dinheiro do trabalhador, do FGTS, para financiar essas obras e ao mesmo tempo gerar emprego na China e desemprego aqui”, reclamou o presidente do Sindesam. Folgosi reconhece que as construtoras e concessionárias importam os equipamentos por causa do custo Brasil, que encarece o produto nacional, mas por outro lado sabe que uma indústria de mão de obra intensiva, como a representada pelo Sindesam, não pode ficar desguarnecida. “Seria questão de justiça. Na China, para você vender lá precisa se estabelecer no país e ainda virar sócio do governo. Aqui não há isso”, completou.


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