Tecnologia Ambiental

13 de março de 2000

Tratamento de efluentes: Terceirização concentra o setor

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Tratamento de efluentes: Terceirização concentra o setor

    Demanda por tratamento terceirizado faz fornecedores químicos e de equipamentos se unirem para ofertar serviços completos, concentrando ainda  mais o setor no Brasil e no mundo

    Química e Derivados, Tratamento de efluentes: Terceirização concentra o setorAtentos à retomada do crescimento econômico, os principais fornecedores de sistemas para tratamento de efluentes estão se preparando para começar uma verdadeira guerra de concorrência. De olho nas melhores contas dos setores industriais, nas concessões privadas de saneamento municipal e até mesmo na prometida desestatização das companhias estaduais, os competidores não medem esforços para ganhar poder de fogo. Procurar aliados para ofertar pacotes completos de tratamento e garantir aporte para fornecimentos do tipo BOT (build, operate and transfer), no qual o cliente não precisa se preocupar em financiar estações, limitando-se a pagar pela água ou esgoto tratado, são as principais estratégias.

    O novo cenário de alianças começou a ser delineado pelo movimento dos grandes fornecedores de sistemas mecânicos e equipamentos, que se uniram a especialistas do condicionamento químico da água. Na cola da francesa Suez Lyonnaise des Eaux, controladora da Degrémont, que adquiriu em 1999 a americana Nalco, outras companhias pegaram a mesma trilha. Como era de se esperar, a maior rival, a também gaulesa Vivendi, uniu-se mundialmente no final de janeiro de 2000 à americana BetzDearborn, segunda maior em processos para tratamento de água e efluentes, atrás apenas da Nalco.

    Química e Derivados, Ribeiro: aliança estratégica com US Filter

    Ribeiro: aliança estratégica com US Filter

    Ao contrário do negócio Degrémont-Nalco, porém, trata-se apenas de fusão estratégica, sem envolvimento financeiro-contratual. Aliás, mesmo se quisesse adquirir a BetzDearborn, a Vivendi possivelmente não teria cash no momento, já que no início de 1999 havia comprado a US Filter, fabricante de equipamentos e sistemas, por quase US$ 8 bilhões. Mas, segundo informa o gerente de mercado Wesley Ribeiro, a decisão por apenas travar uma “aliança” é uma forma de proteção mútua do acordo. “Nenhuma das duas empresas quer limitar sua carteira de clientes por causa de cruzamentos de interesses e muito menos perder tempo com reestruturações”, explica Ribeiro.

    A aliança funcionará para as duas áreas da BetzDearborn: a de papel e celulose (água e processo) e a de water management. Será voltada também para a terceirização de unidades de água e efluentes, na qual a BD acrescenta também seu know-how em operação e engenharia ao da Vivendi, que comandará os projetos de BOT e BOOM (build own operate and maintenance) por meio das afiliadas OTV/US Filter. “Estamos participando juntos de concorrências privadas em siderurgia, química e papel e celulose”, diz Ribeiro.

    Química e Derivados, Villaça: liderança depende da obra

    Villaça: liderança depende da obra

    Para o gerente de marketing da BetzDearborn, Gustavo Villaça, a estratégia também inclui direcionar o líder nas concorrências ou ofertas de serviços conforme a necessidade da obra. “Se a parte química for preponderante, nós mandamos; se for o equipamento, manda a OTV/US Filter”, diz. E, embora pareça ser o segundo caso mais comum, Villaça cita recente trabalho realizado pela empresa na Petroquímica União (PQU). Com dosagem apropriada de inibidores estáveis na presença de cloro da linha Dianodic Plus, foi possível à petroquímica utilizar apenas água do sujo Rio Tamanduateí para alimentar suas torres de resfriamento, ecomomizando US$ 2,7 milhões/ano em água da Sabesp. “O fundamental foi o tratamento químico”, explica.

    Americanos com japoneses – Já válidas no Brasil, essas fusões entre gigantes provocaram outro importante acordo local. Para atuar da mesma forma que os concorrentes no Mercosul, o recém-chegado grupo americano Azurix aproximou-se da japonesa Kurita, um dos líderes mundiais em tratamento de água e há mais de 20 anos no País. Fundada em 1998 pelo megagrupo de energia Enron, que resolveu complementar sua oferta de utilidades adquirindo várias empresas de água mundo afora, a Azurix consegue na Kurita um parceiro fixo para fornecer sistemas e formulações químicas sobretudo em seus pacotes de BOT e BOOM.


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