Tecnologia Ambiental

4 de abril de 2001

Tratamento de Efluentes: Setor privado compensa escassez de obras públicas

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Enquanto as obras em saneamento básico não saem, por conta da indefinição federal para orientar OS investimentos, fornecedores de sistemas, equipamentos e processos para tratamento de efluentes fecham bons negócios com a iniciativa privada

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    s clientes industriais con­tinuam a ser a salvação para os fornecedores de sistemas de tratamento de efluentes. Sem esperanças de ver tão cedo curada a lentidão go­vernamental para orientar os investi­mentos no saneamento básico, ainda dependente da aprovação de projeto de lei para regulamentar a atividade, as empresas correm atrás da mais dinâmica iniciativa privada para manter constante o crescimento nas vendas. Os for­necimentos para o setor público têm sido apenas para obras bastante aquém do potencial do País, onde apenas 34% do território possui redes de coleta de esgoto e menos de 10% conta com tratamento dos efluen­tes domésticos, de acordo com dados de pesquisa da consultoria ame­ricana CG/LA Infrastructure.

    Embora o potencial do saneamento básico seja superior, os negócios com a indústria são mais constantes, imunes a burocracias e portanto com menores chances de desandar de uma hora para outra. Não por menos, um outro resul­tado do trabalho sobre o mercado latino-americano de águas da CG/LA revela que nos próximos três anos o continente demandará investimentos em trata­mento de efluentes e de água industrial da ordem de US$ 2,2 bilhões. Desse total, pouco acima da metade se voltará apenas ao mercado brasileiro, de longe o mais importante.

    De acordo com o vice-presidente da consultoria, Anand Hemnani, a despeito do rigor das legislações ambientais, que obrigaram muitas empresas a se ade­quarem aos padrões de emissões, ainda há muito por fazer em tratamento de efluentes industriais no Brasil. Com o respaldo da pesquisa realizada sob sua coordenação, resultante de serviços de consultoria para grandes grupos inte­ressados no mercado latino-americano, Hemnani concluiu que o percentual de efluentes industriais devidamente tratados ainda se encontra em um patamar muito baixo na região.

    Quando se leva em conta as indús­trias com algum tipo de tratamento, a média nos países abordados pela pes­quisa (Argentina, Brasil, Chile, Co­lômbia, México, Peru e Venezuela) não ultrapassa 65%. Porém, ao se considerar apenas as empresas com tratamento realmente adequado para atender aos padrões básicos de normas ambientais, esse índice cai para 40%. No Brasil, ainda de acordo com o levantamento da CG/LA (cujos dados são compilados anualmente), as por­centagens oscilam bastante. Podem variar desde 30%, como no caso do setor de processamento de açúcar, até 80%, na petroquímica, ou 90%, no setor automotivo.

    Química e Derivados: Tratamento: Hemnani - Brasil ainda está no tratamento primário.

    Hemnani – Brasil ainda está no tratamento primário.

    “Mesmo assim, a maioria dessas empresas no Brasil possui apenas o tratamento primário e, só em alguns casos, chega ao secundário”, afirma Hemnani. Para ele, nesse contexto são raras as que atendem os padrões interna­cionais de controle ambiental. “A empresa precisa sofrer muitas pressões, externas e internas, para investir no tratamento de efluentes apropriado”, continua o consultor.

    Esse motivo explica o fato de a indústria automotiva ser a mais adian­tada nesse quesito, tanto por precisar seguir seus padrões corporativos de meio ambiente como para se prevenir de pressões da comunidade. “Por outro lado, as companhias menos preo­cupadas com a questão, e por con­seqüência as mais poluidoras, são as menos visadas, ou seja, as pequenas e médias indústrias locais.”

    Multiutilidades – A constatação de que o mercado privado tem retorno mais rápido se reflete na atuação das em­presas do ramo. Difícil encontrar um forne­cedor não preocupado em chamar a atenção para novos serviços e sistemas disponíveis ao segmento industrial. Simbólica nesse aspecto é a tendência crescente dos principais players em oferecer pacotes globais para as neces­sidades de utilidades dos clientes, englobando desde o tratamento de água industrial e efluentes até a destinação de resíduos e, em casos específicos, de abastecimento de energia.

    Os mais radicais nesse conceito de multiutilidades são justamente os dois maiores grupos do setor, os franceses Vivendi e Suez. Com atuações paralelas, em água e energia (e ainda em tele­comunicações), as duas corporações estão em esforço de guerra para orga­nizar as atividades de suas diversas empresas ou co-ligadas para ofertar soluções integradas. Depois de várias aquisições para cumprir a nova estra­tégia, a nova palavra de ordem para ambas é a sinergia de negócios.

    A Vivendi promete divulgar de forma mais intensa a operação “casada”. As neces­sida­des de equi­pa­mentos, sistemas e ope­ra­ções de água e efluentes ficam a cargo do corpo técnico da adquirida US Filter e da divisão OTV (agora deno­minadas apenas Vivendi Water). As demandas de gerenciamento de resíduos passam a ser responsabilidade da divisão Onyx, da Vivendi Enviro­nement, que no Brasil também engloba a adquirida Resi­control. Já na parte de tratamento químico da água ou efluente, a res­ponsável é a BetzDearborn, do grupo americano Hercules e que possui aliança estratégica internacional com o grupo francês. Se o cliente também necessitar de know-how de energia, por atuar forte mundialmente no segmento, o grupo providencia o atendimento.


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