Tecnologia Ambiental

13 de março de 2000

Tratamento de Efluentes: Reciclo de efluentes começa a ganhar força

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    O reuso e reciclo de efluentes continua a atrair o interesse da indústria, sobretudo em razão da crescente difusão dos planos de cobrança de água. Apesar de ainda não terem sido implementados de maneira ampla, na região metropolitana de São Paulo a Sabesp já está empregando um cálculo de cobrança por descarte de efluentes às empresas localizadas em regiões onde a estatal passou a coletar esgoto industrial para posterior tratamento em suas estações novas.

    Química e Derivados, Rocha: boas vendas em ultrafiltração

    Rocha: boas vendas em ultrafiltração

    A demanda está fazendo os especialistas pensarem em soluções novas, normalmente baseadas em equipamentos especiais. A Fluid Brasil, de Jundiaí-SP, tem conseguido bastante aceitação de seus sistemas de ultrafiltração para recuperação de efluentes. De acordo com o diretor José Eduardo Rocha, já há uma unidade instalada e três em projeto. Isso sem falar no grande número de consultas.

    Utilizando membranas da americana Koch, a Fluid tem instalada uma unidade de ultrafiltração na Embraer, em São José dos Campos-SP, que reaproveita o líquido penetrante empregado em ensaios metalográficos. “Antes da ultra a Embraer não conseguia descartar esses efluentes dentro dos padrões”, diz Rocha. Segundo ele, hoje a empresa revende o líquido penetrante, só não os reutiliza em respeito aos rígidos padrões de qualidade da indústria aeronáutica. A água separada vai para a estação de tratamento de efluentes.

    A grande vantagem da ultrafiltração é sua ação bastante seletiva, que permite fracionar produtos de diferentes pesos moleculares. Nas outras unidades em desenvolvimento, haverá separação de efluentes de alvejantes ópticos da fabricante de corantes Enia, de líquido penetrante na indústria de bombas KSB e separação de óleo na INA Rolamentos.

    Outra forma de preservar – Não são todos do mercado de efluentes, porém, que vêem nesses processos físicos a solução ideal para o reaproveitamento de efluentes. Bom exemplo é a política adotada pela Nalco mundialmente. Para seu gerente geral para América Latina, Thomas Haynie, o reciclo propriamente dito, com uso de sistemas como o de membranas ou de resinas (a Rohm and Haas possui resinas de troca iônica para efluentes), seria apenas a ponta da pirâmide para racionalizar e aproveitar ao máximo a cada vez mais cara água.

    Química e Derivados, Nem sempre compensa usar menbranas para aproveitar efluentes

    Nem sempre compensa usar menbranas para aproveitar efluentes

    Em primeiro lugar, na base da pirâmide e respondendo por 50% das reais necessidades dos clientes, estaria a conservação. Para Haynie, basta cortar vazamentos e minimizar o consumo de água no circuito da empresa para se ganhar muito. “Aplicar a boa prática é o meio mais barato e eficaz de economizar”, explica esse americano do Colorado, há pouco mais de um ano no Brasil.

    A segunda saída, o meio da pirâmide, é o reuso, que na verdade se traduz pelo simples remanejamento da água. Um exemplo seria transportar a água do efluente para um uso menos nobre na indústria, ou o aproveitamento da purga da caldeira na alimentação da torre de resfriamento.

    Haynie acredita que só quando esgotadas as duas primeiras alternativas deve-se pensar em partir para a ponta da pirâmide, ou seja, a reciclagem. E isso levando-se sempre em conta os custos de instalação do equipamento e, principalmente, os de operação e manutenção da planta. “Na maioria das vezes, a redução de custos conseguida com o corte de vazamentos e com o remanejamento da água pode até superar a obtida com a reciclagem”, finaliza.



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