Tratamento de Água

24 de novembro de 2003

Tratamento de água: Suez vende Nalco para reduzir dívidas

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Mais uma prova do dinamismo do mercado mundial de tratamento de água se concretizou em novembro de 2003: a tradicional Nalco, líder no setor, foi novamente objeto de negociação. Desta vez, a empresa foi comprada por um grupo de investidores privados, um consórcio formado pelo Blackstone Group, Apollo Management LP e o Goldman Sachs Capital Partners. O total da transação alcançou a soma de US$ 4,35 bilhões.

    Considerada a maior do mundo na área de processos e sistemas para tratamento de água e efluentes industriais, com faturamento de US$ 2,8 bilhões, a Nalco deixa de carregar o prenome Ondeo, alcunhado pela então dona, a francesa Suez. A ex-controladora, que havia comprado a Nalco em março de 2001 por US$ 4,5 bilhões, segue nas áreas de meio ambiente ainda por intermédio da Ondeo Degrémont, fabricante de equipamentos e sistemas, pela Ondeo Services, de operação em saneamento público, e pela Sita, de gerenciamento de resíduos, proprietária, entre outras empresas, da Vega.

    Apesar de os franceses terem vendido por preço inferior ao da compra, na contabilidade atual, guiada pelo mercado financeiro, a negociação atende o plano de ação 2003-2004 anunciado pela Suez no início do ano. Isso porque o primeiro objetivo do plano é reduzir a dívida total do grupo em pelo menos um terço até o final desse período. Entre outras medidas já implementadas e em andamento, a venda da Nalco, uma das mais atrativas empresas do grupo, contribuiu com uma redução considerável. Finalizada em novembro, a transação reduziu o débito em US$ 3,8 bilhões (após os impostos), cujo montante totalizava até o final de 2002 a surpreendente soma de 28 bilhões de euros (quando as moedas estavam um por um) e chegou a 16,5 bilhões de euros, em junho de 2003, com as devidas correções e após planos de contingenciamento.

    Química e Derivados: Tratamento: Mazza - livre para escolher fornecedores.

    Mazza – livre para escolher fornecedores.

    A estratégia para reduzir o débito não deve parar e incluirá não apenas ativos da área de água e meio ambiente, como de telecomunicações e energia. Grupo com vendas totais de 40 bilhões de euros e listado nas principais bolsas de valores, a Suez acumulou perdas na primeira metade deste ano de 1,6 bilhão de euros, ante um lucro no mesmo período do ano passado de 164 milhões de euros. Nesse semestre, também houve queda no EBITDA (geração de caixa) de 15,5%, para 3,462 bilhões de euros, apesar de os negócios de meio ambiente e energia terem obtido acréscimo de 5%, para o valor de 3,415 bilhões de euros.

    Outra exceção nesse cenário de queda e tentativa de recuperação é o desempenho do grupo Nalco na América Latina. Pelo menos é o que explica o gerente geral da empresa na região, Raul Mazza. “Estamos com crescimento médio anual superior ao da média mundial do grupo”, comemorou Mazza. Isso significará em 2003, descontada a inflação, um acréscimo de 25%. O faturamento latino-americano da Nalco, segundo o gerente geral, é de cerca de US$ 200 milhões, por volta de 10% do total mundial.

    Segundo Mazza, as próximas reformulações que os novos controladores precisarão empreender para colocar o caixa da empresa em dia não serão na América Latina. “Os principais problemas de rentabilidade do grupo estão na Europa e nos Estados Unidos”, diz. Para ele, todas as aquisições do grupo no Brasil, como as empresas Adesol, Kenisur e Gammus, e os programas de sinergia com operadores da Suez em resíduos (Vega) e equipamentos (Degrémont), trouxeram agilidade ao braço operacional aquartelado em São Paulo. “Conseguimos agregar um novo conceito de consultoria e serviços em água”, afirma Mazza.

    Esse novo conceito citado pelo gerente geral se traduz até em uma recém-criada divisão: a Custom Solution. Para ele, aliás, está havendo uma confusão no mercado a respeito desse tipo de serviço mais especializado. “Muita gente chama de serviço o que na verdade é uma simples assistência técnica”, diz. Segundo explica, o trabalho de consultoria e fornecimento de soluções, que inclui desde tecnologias de produtos e sistemas até a operação das unidades, não é uma oferta apenas técnica e precisa ser feita para o alto escalão das empresas clientes. Isso porque o objetivo da proposta é trazer retorno financeiro para a empresa, com otimizações e operações de reuso. “Somente nesse clima de negociação o cliente vai entender os ganhos de médio e longo prazo que podem fazer parte do investimento inicial”, explica Mazza.

    Para a Nalco no Brasil, de acordo com Raul Mazza, a nova estrutura independente do grupo pode até facilitar suas operações. Quando a empresa fazia parte da Suez havia uma certa obrigação em privilegiar outras empresas do grupo no fechamento de contratos, como por exemplo a Degrémont, fabricante de sistemas e equipamentos de água e efluentes, e a Etep Engenharia (também recentemente vendida). Agora a empresa pode recorrer com mais liberdade a outros fornecedores, recorrendo hoje a cerca de cinco parceiros mais fixos. Mesmo assim, segundo o gerente, a aproximação com a Degrémont serviu para estreitar o relacionamento com esse tradicional fornecedor.



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