Química

30 de novembro de 2007

Tratamento de água – Resfriamento declara guerra ao desperdício de água

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    conomizar água se tornou uma obsessão no mercado de tratamento químico de sistemas de resfriamento. E não é exagero, mas um diagnóstico fácil de comprovar principalmente nos grandes clientes químicos e petroquímicos do Brasil. Basta observar que todas as concorrências e tomadas de preços importantes hoje se baseiam nas possibilidades de o tratamento aumentar os ciclos de concentração de sais em operações críticas e proporcionar campanhas longas sem paradas para manutenção, o que significa menos purgas e reposições de água nas torres de resfriamento.

    O comportamento dos clientes logicamente seduziu os fornecedores, que também passaram a apresentar sinais “obsessivos-compulsivos”. Para atender às exigências do mercado, as competidoras foram atrás de uma série de novas tecnologias, normalmente recorrendo ao vasto portfólio de suas matrizes, tendo em vista que esse segmento é dominado por grandes grupos internacionais. Polímeros e soluções químicas de alto desempenho para permitir a dispersão de agentes incrustantes e o controle microbiológico mais eficiente, sistemas automatizados de monitoramento e dosagem e projetos físicos de filtragem para melhorar a qualidade da água foram algumas das prescrições empregadas para conter o ânimo dos “maníacos” em reduzir custos nas utilidades industriais.

    Todo esse movimento, a despeito da analogia com o comportamento obsessivo (que no caso da economia de água mais do que se justifica, tamanha a sua escassez e encarecimento), trouxe no geral efeitos bastante positivos. Tornouse comum no Brasil, por exemplo, encontrar operações muito eficientes de resfriamento industrial em condições de alta criticidade. Ciclos acima de 10, raros até em termos mundiais, passaram a ser apresentados como cases de sucesso, assim como outros ganhos importantes em operações com água de muito baixa qualidade, como na PqU, em Capuava-SP, ou exemplos raríssimos de sistemas funcionando com 30 ciclos de concentração, como ocorre na unidade da Ultrafértil, em Araucária-PR.

    Filtros laterais – Se depender do ânimo dos competidores, esses resultados devem se alastrar pelo País. Qualquer um deles tem soluções para ofertar e, se despendem tempo para arquitetar novos planos, com certeza envolvem maneiras de diminuir as purgas dos clientes e reduzir o consumo de água. Um exemplo importante ocorre na Kurita, uma das mais tradicionais da área, com várias contas de resfriamento por todo o Brasil, e que se preparou recentemente para melhorar o rendimento dos tratamentos por meio do auxílio de sistemas físicos.

    Segundo explicou o superintendente de operações, José Aguiar Jr., trata-se de uso de filtros laterais (side-filters), empregados na linha das torres, ou de filtros de pré-tratamento das torres, ambos com as propriedades de reter particulados e assim permitir o aumento de campanhas. Para atender a essa decisão estratégica, a Kurita está projetando filtros de areia com vazão de100 a300 m3por hora para seus clientes químicos. Já foram feitos por volta de doze filtros laterais, com a função de recircular de 2% a 5% da vazão das torres.

    Química e Derivados, José Aguiar Jr., Superintendente de operações, Tratamento de água - Resfriamento declara guerra ao desperdício de água

    Aguiar: filtros laterais para aumentar as campanhas

    Na opinião de Aguiar, a Kurita entende que esta é a melhor maneira de atingir as metas de ciclos altos, mesmo que para isso também seja fundamental contar com polímeros e outros insumos mais eficientes para levar o tratamento ao estresse. Na Copesul, onde a empresa trata todas as torres de resfriamento e atinge 10 ciclos de concentração, houve a opção pelos filtros laterais. Na Riopol, também sob responsabilidade da empresa, por outro lado, não houve necessidade, já que a petroquímica conta com água clarificada de boa qualidade.

    A decisão da Kurita em criar alternativas mais eficientes de tratamento é o resultado do acompanhamento da evolução do mercado, hoje mais preocupado em conter seus gastos com a água. “Há dez anos, a torre petroquímica padrão tinha perdas por respingo no arraste de cerca de 0,1% a 0,2%. Hoje, essa taxa caiu para 0,03%”, relembra Aguiar. “E isso mesmo sabendo que as perdas hoje praticamente apenas são toleradas no respingo, já que as purgas tendem a ser zeradas nas principais empresas do ramo”, complementa o gerente técnico da Kurita, Antonio Ricardo Carvalho.

    Optar pelo aprimoramento da operação com filtros, para Carvalho, também requer alguns cuidados. Em primeiro lugar, a escolha precisa recair sobre os filtros de areia. Isso porque muitas empresas utilizavam os de tela, cuja filtragem por contato deixa passar particulados para as torres. Já os de areia retêm os particulados pela granulometria, os quais param na areia ao aumentarem de volume. “A escolha errada do filtro fez alguns fornecedores e clientes desconfiarem da eficácia desse suporte do tratamento, o que a nossa experiência mostrou ser completamente o contrário”, diz Carvalho.

    Aliado ao suporte dos filtros, a empresa não descarta a importância dos produtos. A linha de dispersantes especiais Kuriroyal entra na terceira geração em seus principais clientes, como na Copesul, cuja torre da nova planta 3 parte em dezembro já com a nova versão. A da planta 2 opera há dois anos com a família e vem demonstrando ganho de eficiência de até 15%, segundo revelou Aguiar. A planta 1 da petroquímica, depois de rodar por sete anos contínuos com a segunda geração, vai parar para manutenção em abril de 2008, quando os dispersantes passarão por upgrade.


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