Química

21 de setembro de 2007

Tratamento de Água – Boom sucroalcooleiro exige água de qualidade

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    o agregar a energia elétrica como um novo produto do seu portfólio, por meio da queima do bagaço de cana em sistemas de recuperação, a indústria sucroalcooleira passou a ser um cliente mais interessante para os fornecedores de sistemas e formulações para tratamento de água. Dependente de caldeiras de média ou alta pressão para gerar vapor às turbinas da cogeração, a nova demanda, que vem aumentando a rentabilidade do setor por meio do consumo interno e até com a venda de energia a terceiros, gera a necessidade de água com melhor qualidade, o que automaticamente provoca a modernização do tratamento.

    Na verdade, trata-se de um círculo virtuoso iniciado com o fortalecimento do mercado de açúcar e álcool nos últimos anos, cujos impulsos foram o preço em alta do primeiro e a transformação do etanol em nova vedete mundial para substituir o caro e poluente petróleo. Isso capitalizou e profissionalizou mais as usinas. Várias que ainda não co-geravam energia passaram a fazê-lo, optando pelo investimento com retorno garantido. E o melhor: a entrada de muitos grupos internacionais, como sócios ou compradores de usinas, também ajudou a levar adiante a tendência de modernização. Optar por tecnologias mais avançadas para tratar água, portanto, passou a ser mais comum.

    Mas o previsto para o futuro próximo fundamenta ainda mais os planos otimistas dos fornecedores. A estimativa é de que, até 2012, 150 novas usinas entrem em operação no Brasil, uma tendência irreversível que engloba ainda várias ampliações no parque instalado. As projeções indicam o salto de processamento das atuais 400 milhões de toneladas de cana para mais de 600 milhões de t na safra 2012/2013, passando de 16,7 bilhões de litros de álcool para 28 bilhões no mesmo período. Isso disponibilizaria 160 milhões de t de bagaço, possíveis de serem queimadas em caldeiras de alta pressão para gerar o equivalente a 16,5 mil megawatts/hora de energia (cerca de 66 Gwh, contra 3 Gwh atuais), durante as 4 mil horas médias anuais da safra. Essa projeção, que pode ser ainda maior caso as empresas comecem a aproveitar palhas e pontas dos canaviais para queima energética, cria uma imensa demanda por tratamento mais refinado de água de qualidade para vapor.

    Preparados para a guerra – A expectativa otimista, responsável pelo fomento de novas estratégias de marketing, e os vários recentes negócios em andamento alimentam o cotidiano dos principais grupos atuantes no ramo e despertam o interesse de outros competidores. Trata-se de nicho de negócios vultosos que ninguém sequer cogita correr o risco de ficar de fora. Nesse aspecto, vale firmar novas parcerias, verticalizar as ofertas, buscar tecnologias avançadas e contratar especialistas no mercado. Enfim, preparar-se para uma nova “guerra” com potencial de agitar o segmento de tratamento de água por uns bons anos.

    Fonte: GE

    São tantos os exemplos de empresas bem interessadas nos novos negócios que se torna até difícil escolher uma delas para ilustrar o momento. Mas, talvez em virtude da sua importância dentro do universo corporativo global, a norte-americana General Electric, a famosa GE, pode ser um bom começo. Além disso, sua atuação verticalizada em energia, automação e água, com forte suporte financeiro por meio da GE Financial Services, transforma o exemplo especialmente feliz para ilustrar as perspectivas do mercado de tratamento de água para o setor sucroalcooleiro.

    Para atender à demanda do etanol em ascensão, a GE criou um programa específico denominado Vertical, que reúne todas as áreas de atuação em uma única frente e cujos principais focos serão a co-geração de energia e a modernização operacional das usinas. À divisão de tratamento de água, da GE Water and Process Technologies, serão acrescentados os serviços e equipamentos da GE Energy, produtora de turbinas e motores; da GE Energy Financial Services, financiadora de projetos; da GE Sensing, de equipamentos de medição e controle; da GE Fanuc, de automação; da GE Security, de sistemas de controle de acesso, segurança patrimonial e detecção de incêndio; da GE Inspection Technology, de ensaios não-destrutivos; da GE Optimization e Control, de sistema digital de controle distribuído (SDCDs); e da GEVisa, de manutenção preditiva de motores.

    Segundo explica o diretor-comercial da GE Water, Fernando Uebel, o plano, lançado na metade de 2006, envolve buscar sociedade ou financiar com garantias os projetos de grande porte das usinas. Seriam as modalidades de equity ou debit, respectivamente, com preferência pelas primeiras, por meio da compra de ativos, construção de novas unidades de co-geração ou ampliações. “O propósito maior é firmar contratos de longo prazo, porque a GE definitivamente apostou no mercado do álcool”, completa o gerente de marketing Paulo Lima, profissional com vasta experiência em usinas sucroalcooleiras recentemente contratado pelo grupo americano.

    Segundo Lima, a aposta da GE se funda em criteriosa análise sobre o mercado futuro. Para o grupo, além de já se mostrar lucrativo, a longo prazo a tendência é o etanol brasileiro se expandir globalmente, entrando principalmente nos Estados Unidos. “Uma série de fatores fará o preço do produto brasileiro cair ou se manter, ao contrário do álcool do milho, cujo custo de produção não tem mais como ser reduzido. E aí não haverá subsídio ou barreira alfandegária para impedir sua entrada nos Estados Unidos”, explica Lima, recém-chegado de um período de dez anos no Canadá.


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